OS GOLS DE UMA VITÓRIA POR 3X1 NO CLÁSSICO DAS CORES EM 1975

Goleiro Pedrinho puxa a fila no treinamento do preparador Wilson Couto para pegar o Fortaleza

Hoje abrimos os arquivos sonoros do Almanaque do Ferrão e voltamos 45 anos no tempo para resgatar os gols de uma vitória do Tubarão da Barra por 3×1 em cima do Fortaleza no estádio Castelão. O jogo foi válido pelo 3º turno do campeonato cearense de 1975 e teve na arbitragem o carioca Arnaldo César Coelho. O grande nome do jogo foi o experiente atacante Erandy, embora os gols tenham saído dos pés de Jeová e duas vezes de Lula, artilheiro da competição naquela temporada. O quarto zagueiro Cândido, cria da base coral, estava emprestado e descontou para o Fortaleza. Treinado por William Pontes, o Tubarão da Barra venceu com Pedrinho, Paulo Tavares, Lúcio Sabiá, Arimatéia e Eldo; Vicente, Aucélio e Danilo Baratinha; Lula, Erandy (Chicó) e Jeová. O Fortaleza de Móesio Gomes perdeu com Lulinha, Alexandre, Hamilton Ayres (Ozires), Cândido e Roner; Chinesinho e Zé Carlos; Zé Raimundo, Amilton Melo, Reinaldo (Luizinho) e Geraldino. A brilhante narração abaixo é de Gomes Farias e os comentários de José Tosta, ambos em transmissão ao vivo pela Rádio Verdes Mares de Fortaleza. Ao final do campeonato estadual, Erandy já pensava na aposentadoria e passou a acumular também a função de treinador da equipe e levou um jovem time coral à conquista do Taça Bayma Kerth, uma espécie de Taça Fares Lopes da ocasião. Nascia naquele episódio o treinador Erandy Pereira Montenegro.

GRANDE VITÓRIA DO FERRÃO EM CIMA DO LEÃO NO ESTADUAL DE 1981

Os gols acima aconteceram há quase 40 anos. Foi no dia 8 de novembro de 1981, quando Ferroviário e Fortaleza jogaram pelo campeonato cearense no Castelão. O ponta direita Jangada, recentemente falecido, e o ponta esquerda Babá marcaram os gols do Ferrão. Essa vitória foi muito comemorada pois sacramentou a vaga do time coral no campeonato brasileiro do ano seguinte, já que a derrota tirou as chances do Fortaleza de conquistar a vaga para a competição nacional. O goleiro Salvino, atuando pelo Tubarão da Barra, foi o grande nome do jogo. De curioso, Moésio Gomes e Lucídio Pontes, dois renomados treinadores do futebol cearense, em lados opostos. Identificado com o Fortaleza, Moésio era o técnico coral nesse jogo, enquanto que Lucídio, de profunda identificação com o Ferroviário, treinava o Leão na ocasião. Confira as escalações: o Ferrão alinhou com Salvino, Jorge Henrique, Paulo César Piauí, Nilo (Paulo Maurício) e Roner; Doca, Meinha e Sima. Jangada, Roberto Cearense (Paulo César Cascavel) e Babá. Já o Fortaleza perdeu com Washington, Alexandre, Lineu, Luiz César e Clésio; Nélson, Jadir e Brás (Chinesinho); Izone (Viegas), Evilásio e Dudé. O jogo foi válido pelo hexagonal decisivo do 3º turno e teve Luís Vieira Vila Nova no apito, diante de 3.467 pagantes. No vídeo acima, destaque para o golaço de Babá, de falta, em cima do goleiro Washington, que cinco anos depois jogaria no Ceará. No Ferrão, o meia Sima, o maior craque da história do futebol piauiense, vestia a camisa de número 10 do Tubarão da Barra.

UM CLÁSSICO DAS CORES ANTOLÓGICO PRA NUNCA ESQUECER

Clássico das Cores antológico do campeonato cearense de 1978 terminou em disputa de pênaltis

Houve um tempo em que o campeonato cearense arrebatava multidões. Disputado em apenas quatro meses – algo muito semelhante com o tempo de duração dos estaduais hoje em dia – o certame alencarino de 1978 foi um sucesso de bilheteria. Não à toa, aquela temporada registra até hoje a maior média de público da história coral. O futebol local vivia uma época de ouro e clássico era sempre disputado no melhor estádio disponível. Ferrão e Fortaleza protagonizaram, no Castelão, a final do 2º turno do Estadual de 1978 e 30.407 pagantes compareceram ao jogo naquela tarde/noite de 29 de outubro. A partida foi arbitrada pelo carioca Luís Carlos Félix. Depois de um 0x0 nos noventa minutos, as duas equipes disputaram mais trinta minutos de prorrogação e o placar eletrônico do Castelão teimou em não se movimentar. Pelo regulamento da competição, a decisão foi para o pênaltis e o Clássico das Cores, ou o “Ferrofort“, como era também chamado na ocasião, escrevia nas páginas da história um de seus momentos mais antológicos. O Fortaleza levou a melhor vencendo por 5×4 e comemorou com muita emoção. O Tubarão da Barra, que já tinha vencido o 1º turno, lamentou o desfecho da grande final do returno e seguiu em frente na competição. O Ceará ganhou o último turno e as três equipes foram para o ´Super Turno`, ficando o alvinegro com o histórico tetracampeonato estadual, aquele do gol do Tiquinho.

Veterano goleiro Gilberto, ex-Santa Cruz/PE, foi o goleiro coral naquela disputa de pênaltis

Toda vez que um Clássico das Cores se realiza, como o de hoje pelo campeonato estadual de 2020, os comandantes do futebol cearense deveriam lembrar dos grandes jogos na história e organizar a competição com mais atrativos e menos aberrações. Mas isso aí é outro assunto. Vale mais o registro histórico de um clássico inesquecível para quem estava no Castelão naquele domingo de 1978, como o Prof. Valdinar Custódio, falecido já há muito tempo, mas que sempre comentava sobre essa derrota dolorosa em suas memórias orais durante saudosos bate papos na roda de jovens amigos de seus filhos, entre eles, este blogueiro, sempre presente e atento a tudo que ele contava. Talvez, lá no céu, ele já tenha perdoado o lateral Ricardo Fogueira por perder a segunda cobrança. Treinado por Lucídio Pontes, o Ferrão jogou com Gilberto, Paulo Maurício, Lúcio Sabiá, Arimatéia e Ricardo Fogueira; Jodecir, Doca e Jacinto (Jorge Bonga); Marcos (Luizinho), Paulo César e Babá. O tricolor, do técnico Moacyr Menezes, ganhou com Lulinha, Pepeta, Chevrolet, Celso Gavião e Dudé; Otávio Souto, Lucinho (Batista) e Bibi; Haroldo (Delmo), Geraldino e Da Costa. O Ferrão iniciou os penais com Jorge Bonga. Ricardo Fogueira perdeu a segunda cobrança e, em seguida, Doca, Babá e Paulo Maurício converteram suas finalizações. O Fortaleza acertou todos os chutes na seguinte ordem: Bibi, Da Costa, Delmo, Dudé e Celso Gavião. Por ironia do destino, o zagueiro Celso, três meses depois, foi contratado pelo Ferrão e tornou-se um dos grandes ídolos da história coral. Reviva  aquele momento mágico na memória dos Clássicos das Cores escutando o áudio abaixo. Resgatamos a histórica transmissão dos gols na disputa de pênaltis na voz de Gomes Farias, Bezerra de Menezes e Edvaldo Pereira, durante a transmissão da Rádio Verdes Mares de Fortaleza. Um registro antológico de um clássico antológico.

RECORDAÇÕES DE MAIS UM GRANDE CONFRONTO CONTRA O FORTALEZA

O vídeo acima é mais um resgate do Almanaque do Ferrão e corresponde ao registro de um empate em 3×3 entre Ferroviário x Fortaleza no dia 23 de outubro de 1983. Há exatos 36 anos, os dois clubes protagonizavam mais um jogo eletrizante numa tarde de domingo no antigo Castelão, algo comum em se tratando do chamado ´Clássico das Cores` naquele período. O Ferrão sofreu um gol logo no início do jogo, mas chegou a fazer 3×1 no placar ainda no primeiro tempo, porém sofreu o empate nos cinco minutos finais em dois lances infelizes do goleiro Dário. Naquela temporada, o Fortaleza contratou um grupo de jogadores que é apontado pela sua própria torcida como o maior time da história do clube até hoje. O Ferrão tinha a dupla infernal Betinho e Jorge Veras, além de uma série de jogadores eficientes que rendiam bem em suas posições. Treinado por Newton Albuquerque, que era o irmão mais velho do próprio goleiro Dário e do então iniciante árbitro Dacildo Mourão, o Ferrão empatou com o futebol de Dário, Laércio, Israel, Nilo e Fraga; Doca, Edson e Betinho (Barga); Foguinho, Jorge Veras e Paulinho Lamparina (Zé Luís). O Fortaleza, do técnico Paulo Emílio, formou com Salvino, Caetano, Pedro Basílio, Gilmar Furtado (Tadeu) e Clésio; Serginho, Wescley e Marquinho; Edson (Geraldinho), Luizinho das Arábias e Edmar. Jorge Veras marcou dois gols para o Ferrão, com Foguinho completando o placar. Pelo Fortaleza, Marquinho fez também dois gols e o outro foi do meia Wescley. Leandro Serpa foi o árbitro do jogo, que teve um público de 9.562 pagantes. Jogo que o tempo não apaga!

O JOGO DO FERROVIÁRIO NAQUELE DOMINGO DE TRISTEZA NO BRASIL

Ayrton Senna faleceu exatamente no dia em que Ferroviário e Fortaleza empataram em 2×2

Hoje faz 25 anos do falecimento trágico de um dos maiores ídolos nacionais. Por volta de meio-dia daquele domingo estranho, dia 1º de maio de 1994, já havia se espalhado a notícia da morte de Ayrton Senna. No fim da tarde, vários jogos importantes pelos campeonatos estaduais estavam sendo aguardados. No futebol cearense, o Ferrão enfrentaria o Fortaleza em mais um Clássico das Cores, válido ainda pelo 1º turno do certame cearense que iniciara em fevereiro. Talvez tenha sido um dos jogos mais melancólicos em todos os tempos, com os torcedores presentes nitidamente abatidos e incapazes de entoar os gritos normais num domingo de futebol. No momento do ´minuto de silêncio` promovido pelo árbitro Dacildo Mourão, o público de 19.515 pessoas gritou o nome de Senna dezenas de vezes. Muitos torcedores, ainda anestesiados com a notícia, derramaram lágrimas no Castelão. Tarde estranha e só.

Jogadores naquela tarde

Justo foi o placar de 2×2 entre os preliantes. O Fortaleza marcou logo no início do jogo através de Hélio Carioca, mas o Ferrão tinha um excelente time já no início da competição que o teve, somente em dezembro daquele ano, como grande campeão. O Tubarão da Barra virou o jogo, mas sofreu o empate aos 39 minutos do segundo tempo numa bola defensável que o goleiro Dênis falhou. Cosme empatou para o Fortaleza. Treinado por José Dultra, o Ferroviário empatou com o futebol de Dênis, Caetano (Wanks), Batista, Aldo (Edgar) e Branco; Lima, Nasa, Acássio e Basílio; Cícero Ramalho e Batistinha. Já o Fortaleza, do então iniciante treinador Arnaldo Lira, jogou com Índio, Vanderlei (Adriano), Carlinhos, Hélio Carioca e Reginaldo; Adenilton, Eliézer (Osmar) e Bonato; Luis Carlos, Cláudio José e Cosme. Os gols do Ferroviário foram marcados por Cícero Ramalho e Acássio, exatamente os dois que, ao lado de Batistinha, formaram o famoso “ABC Coral” que liderou isoladamente a tábua de artilheiros do campeonato, inclusive tendo marcado, somente o trio, mais gols que o elenco do Ceará inteiro, que terminou como segundo colocado na competição. Na foto, o goleiro Dênis e o craque Acássio, em registro histórico naquele domingo estranho que o Brasil perdeu Ayrton Senna da Silva e, fatidicamente, perdeu também o gosto pela Fórmula Um.

GOL DE BETINHO QUEBRAVA A INVENCIBILIDADE DO FORTALEZA

Quem conhece a história do futebol cearense já ouviu falar do timaço que o Fortaleza montou para o campeonato cearense de 1983. Aquele elenco é considerado até hoje um dos mais fortes em toda a história do futebol alencarino e a equipe tricolor teve poucas derrotas no certame, que começou no mês de abril. Há exatos 35 anos, somente no mês de novembro, o Fortaleza perdia seu primeiro clássico no Estadual justamente para o Ferroviário, que um mês depois acabou ficando com o vice-campeonato. Depois de revirar nossos arquivos, achamos em vídeo o gol do craque Betinho que garantiu a vitória para o Ferrão por 1×0, que naquela tarde formou com o futebol de Dário, Laércio, Israel, Nilo e Fraga (Luisinho); Doca, Edson e Betinho; Foguinho, Jorge Veras e Paulinho Lamparina (Paulo César Cascavel). O treinador coral era Newton Albuquerque. O Fortaleza, do técnico Paulo Emílio, perdeu com Salvino, Caetano, Pedro Basílio, Tadeu e Clésio; Serginho, Wescley e Marquinho; Edson (Geraldinho), Luizinho das Arábias e Edmar (Hamilton). Desses, Caetano, Clésio e Luizinho das Arábias jogaram depois no Ferroviário. Era o jogo 1.985 da história coral, realizado no Castelão e que contou com um público de 9.971 pagantes. Joaquim Gregório foi o árbitro naquela tarde. Além da vitória, de quebra, o Ferroviário ganhou uma bela taça em homenagem ao aniversário de 10 anos do estádio Castelão.

PELA TERCEIRA VEZ NA HISTÓRIA, UMA ÁRBITRA NA VIDA DO FERRÃO

Léa Campos: primazia no futebol

Na noite de ontem, o Ferroviário fez sua segunda partida pela Copa do Nordeste de 2018 e um fato não passou desapercebido aqui no Almanaque do Ferrão. Pela terceira vez na história, uma mulher apitou um jogo do Ferroviário Atlético Clube. A pernambucana Déborah Cecília comandou a partida contra o Vitória/BA, em Salvador, de forma segura e mostrou as credenciais que justificam sua presença no quadro da Fifa. Porém, mais de quatro décadas antes, uma árbitra apitou um jogo do Ferrão pela primeira vez na vida do clube. Foi em 03/11/1971, quando Ferroviário e Fortaleza decidiram fazer um amistoso e convidaram uma mulher para o apito como a grande novidade do jogo. Numa época de extremo preconceito contra o sexo feminino, que vergonhosamente perdura até os dias de hoje em algumas áreas do futebol e da vida, a mineira Léa Campos era conhecida como a primeira árbitra na história do futebol brasileiro. No Clássico das Cores em questão, ela foi acusada como a principal responsável pela pancadaria em campo durante o amistoso, que terminou 0x0 no PV. Era o jogo 1.270 da história coral. Somente em 2009, no jogo de número 3.272, no dia 11 de março, uma outra mulher voltou a apitar um jogo do Ferrão. Foi a cearense Eveliny Almeida, irmã do também árbitro Almeida Filho, que arbitrou a vitória do Ferrão por 2×0 em cima do Quixadá no Elzir Cabral, no confronto que ficou marcado por ser a reestreia em campo do atacante Jardel em sua volta a Barra do Ceará, que inclusive marcou um golaço. Em resumo, são mais de oito décadas de vida e apenas três mulheres apitaram jogos do Tubarão da Barra até a data de hoje. Vale ressaltar também como curiosidade, que um amistoso do Ferrão, em janeiro de 2011, contra a Seleção de Beberibe, teve no apito o transexual Valério Gama.