MOMENTO DE CRISE QUE ORIGINOU A CONQUISTA DE UM TÍTULO ESTADUAL

Jornal O Povo destacava saída de Célio Pamplona da presidência do Ferroviário em 1979

O Jornal O Povo recordou na semana passada uma matéria de 1979 destacando uma crise interna no Ferroviário que culminou com a saída do presidente Célio Pamplona. O clube vinha de uma boa campanha na temporada anterior, quando quase chegou a vencer um turno, perdendo-o apenas numa memorável disputa de pênaltis com o Fortaleza. Ressalta-se ainda que 1978 é até hoje a temporada que registra a maior média de público nos 85 anos de história do Ferrão. A média foi de 3.974 pagantes por jogo. Por motivos diversos, o presidente Célio Pamplona não permaneceu para 1979 e José Rego Filho assumiu a presidência numa diretoria formada por Ruy do Ceará, Chateaubriand Arrais, entre outros. O resto da história todo mundo sabe. Em setembro daquele ano, o Ferroviário sagrou-se campeão estadual depois de nove anos.

CAMPEÃO DE 1988 PELO FERROVIÁRIO ACOMPANHOU JOGO DA FARES LOPES

Evilásio entre duas gerações

Lembra do ex-zagueiro Evilásio? Cria do Quixadá/CE, ele foi contratado para defender o Ferrão no início da temporada de 1988 e permaneceu no clube até 1993. Ontem, ele esteve no estádio Presidente Vargas acompanhando o segundo jogo da semifinal da Taça Fares Lopes entre Ferrão e Horizonte. Bastante simpático, conversou e tirou fotos com torcedores que o viram jogar. Evilásio garantiu que vai torcer muito pelo Ferroviário na final da competição contra o Caucaia e não poderia ser diferente, afinal o ex-zagueiro coral está na lista histórica de jogadores que ultrapassaram a marca de uma centena de jogos com a camisa do Tubarão da Barra. Evilásio, no total, entrou em campo 122 vezes com o uniforme coral e marcou três gols, sendo o primeiro assinalado no Castelão, num clássico à noite contra o Ceará, que terminou com a vitória alvinegra por 3×1. Na ocasião, no dia 17 de Agosto de 1989, o treinador Moésio Gomes lançou Evilásio no decorrer da partida no posto do zagueiro Juarez e ele marcou o gol de honra do Ferrão. Para homenagear o ex-zagueiro, o Almanaque do Ferrão buscou nos arquivos o áudio desse gol na narração de Gomes Farias pela Rádio Verdes Mares AM de Fortaleza. Abaixo, você pode escutá-lo. Em tempo: na foto, Evilásio aparece entre duas importantes gerações de torcedores corais, o ex-presidente Chateaubriand Arrais e sua cria, Chatô Filho.

RUY DO CEARÁ COMPLETOU 80 ANOS DE IDADE NA SEMANA PASSADA

Dr. Ruy: um dos maiores do futebol cearense

Ele é certamente um dos três maiores dirigentes da história do futebol cearense. Na semana passada, Ruy do Ceará, ex-diretor de futebol do Ferroviário Atlético Clube, completou 80 anos de vida. Infelizmente, poucos veículos de comunicação renderam-lhe homenagens. Lúcido e de uma memória invejável, Dr. Ruy participou ao vivo no último domingo de um programa esportivo da Rádio Assunção de Fortaleza, apresentado pelo radialista Paulo Santiago e que antecede à transmissão do jogo de futebol principal da rodada. Como não poderia deixar de ser, Ruy do Ceará recordou os bons momentos de sua trajetória no Ferroviário como os títulos estaduais de 1968, 1970 e 1979, bem como do seu trabalho de construção do patrimônio coral até hoje existente, além de evidenciar nomes de sua geração como Elzir Cabral, José Rego Filho e Chateaubriand Arrais. Foram cerca de 40 minutos de boas narrativas sobre o cotidiano coral de sua época. Disse ainda que costuma ir aos jogos mais importantes com os filhos e citou o clássico Ferroviário x Fortaleza como o tipo de jogo que ele gosta de estar presente. Poucas horas depois, o Ferrão fez 2×0 em cima do Fortaleza para alegria do aniversariante. Dr. Ruy é um dos nomes eternos do Ferrão.

EX-PRESIDENTE EM DOIS MOMENTOS DA HISTÓRIA DO FERROVIÁRIO

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Chateaubriand Arrais na cerimônia de entrega do Pinguim da Antarctica para Celso Gavião

Existem nomes que são históricos e eternamente ligados à equipes de futebol. É o caso do ex-presidente Chateaubriand Arrais, que presidiu o Ferroviário entre 1975 e 1977, além de figurar com destaque em várias diretorias até a vitoriosa gestão bicampeã nos anos 90. Recentemente, ele prestigiou um jantar de confraternização da família coral, ao lado de amigos e do filho que leva orgulhosamente seu nome. Podemos vê-lo aqui em dois momentos, o primeiro na já distante temporada de 1979 em evento da Cervejaria Antarctica, ao lado do premiado zagueiro Celso Gavião e do radialista Gomes Farias. Abaixo, a foto mais recente de Chateaubriand Arrais no jantar desse mês de janeiro. Sem dúvida, um nome eterno na história coral e que mais uma vez é lembrado aqui no blog.

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Chateaubriand Arrais, pai e filho em pé, no jantar da família coral antes do campeonato cearense

AO MESTRE MANOELZINHO, O RECORDISTA EM NÚMERO DE JOGOS

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Manoelzinho: 403 jogos pelo Ferrão

Mestre é aquele que é versado na ciência ou na arte. Não são todos que alcançam tal condição na peculiar arte de jogar bola. Manoelzinho chegou para o Ferroviário ainda menino. Pequenino na estatura, agigantava-se em campo diante dos atacantes adversários. Defendeu as cores corais no auge do futebol cearense, durante dezesseis anos, sempre encantando os torcedores. O pequeno Manoel David Machado era respeitado até pelos rivais. Dono de um futebol eficiente, tinha sempre seu nome lembrado nas convocações da Seleção Cearense. O lendário Elba de Pádua Lima, o Tim, sabia bem disso. No último mês de agosto, Manoelzinho comemorou ao lado da família seus 88 anos de idade. São muitas histórias para contar. Certa vez, ao encontrar com o ex-presidente coral Chateaubriand Arrais, o pequeno-grande piauiense lamentou a falta de memória que assola os mais velhos e a falta de conhecimento que ataca os mais novos. A torcida do Ferroviário jamais poderá esquecer os grandes préstimos do querido Manoelzinho. Pouquíssimos jogadores no futebol mundial tiveram a sorte e a honra de vestir a mesma camisa por tanto tempo. Dezesseis anos não passam definitivamente em dezesseis dias.

Foto de 1949 no Ferroviário

Ao conquistar os títulos de 1950 e 1952, Manoelzinho escreveu para sempre seu nome na galeria dos inesquecíveis do Tubarão da Barra. Mais que isso, seu nome será sempre lembrado como exemplo de cidadão e profissional. Homem íntegro, Manoelzinho conciliou as atividades de soldador na antiga RVC com os treinos e embates históricos do futebol daquela época. Venceu nos dois campos, pois de simples soldador transformou-se em mestre da metalurgia e de jogador transformou-se em mestre da bola. Sim senhor, mestre da bola. Homenagens por suas vitórias não faltaram na longa vida de Manoelzinho e estas se confundem com as vitórias do próprio Ferroviário Atlético Clube. Os mais velhos guardam na memória seus grandes momentos nos gramados. Os mais jovens, só por ouvir dizer, sentem saudade daquilo que não viram, mas sabem. Manoelzinho é eterno na história do Ferrão, pois além de vitorioso e longevo, é simplesmente o jogador que mais vezes vestiu a camisa coral em todos os tempos. Foram 403 jogos e 10 gols marcados no total. Manoelzinho é mestre. Mestres são ídolos e ídolos são eternos. Sempre.

REENCONTRO DE PERSONALIDADES NO CASAMENTO DE EX-PRESIDENTE

Ruy do Ceará e Chateaubriand Arrais na sexta

O Almanaque do Ferrão ataca hoje de coluna social, mas é por um motivo justo. Dois dos principais dirigentes da história coral estiveram reunidos na última sexta-feira, dia 17 de junho. Estamos falando de Ruy do Ceará e Chateaubriand Arrais. Os dois se encontraram na cerimônia de casamento de Edilson Sampaio, o Chumbinho, ex-presidente do Ferrão no início da década de 1990. Como não poderia deixar de ser, outros corais marcaram presença no evento, como o ex-presidente Moacir Pereira  Lima e o ex-diretor das categorias de base Arimateia Gondim. Momentos de descontração e de reencontro de personalidades que ajudaram a construir a identidade do Ferroviário em diferentes períodos de sua existência.

RECORDANDO O ARTILHEIRO CORAL NO CAMPEONATO ESTADUAL DE 1977

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Valente Oliveira Piaui, em meio a vários jogadores do Fortaleza, num Clássico das Cores em 1977

Mês passado, dois veteranos da crônica esportiva cearense falavam sobre jogadores do passado. Eram  Júlio Sales e Messias Alencar, conversando ao vivo na Rádio Assunção 620 AM, por volta de meio-dia. A lembrança de ambos remeteu aos anos 70 e o nome de um ex-jogador extrovertido e bom de bola ganhou notoriedade por alguns instantes. Eles falavam de Oliveira Piauí, um atacante paulista que o Ferroviário contratou junto ao Tiradentes/PI, que naquela década realizara campanha histórica no campeonato nacional. Foi exatamente no mês de março, em 1977, que Oliveira Piauí fez seu primeiro jogo com a camisa coral, entrando no segundo tempo no posto do atacante Ivanildo, numa vitória por 2×1 em cima do América/CE, válida pelo 1º turno do campeonato cearense. No jogo seguinte, contra o Guarani de Juazeiro, no Romeirão, já era titular e marcou seu primeiro gol oficial com o manto do Ferrão no empate em 2×2. No total, foram 40 jogos e 27 tentos assinalados por João Oliveira de Carvalho, o Oliveira Piauí, que logo caiu nas graças da torcida coral, cuja média de público chegou a 2.219 pagantes naquele ano. Virou ídolo, dava entrevistas interessantes e costumava dizer que sua ´sacola´ vivia cheia de gols.

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Oliveira Piauí: simpatia

Sob a presidência de Chateaubriand Arrais e o comando técnico de Pedrinho Rodrigues, que substituiu Lucídio Pontes ainda no 1º turno, o Ferroviário fez bonito. Em várias rodadas, Oliveira Piauí chegou a liberar a tábua de artilheiros do campeonato, disputando palmo a palmo com ex-craque coral Amilton Melo, goleador maior do certame com 24 gols. Apesar de uma ótima base formada pelo goleiro Giordano, os laterais Bassi e Grilo, o meia Joel Maneca, entre outras feras, o Ferrão terminou o campeonato na 3ª colocação. Oliveira Piauí deixou o clube após a temporada e foi defender o Ceará na campanha do tetra alvinegro no ano seguinte. Em 1979, seu brilhantismo mereceu a coroação de ´Rei`em Natal, atuando pelo América/RN. Depois, voltou ao futebol paulista e, em abril de 1981, quando defendia a Catanduvense/SP, uma triste notícia abalou o futebol cearense. Dela, Júlio Sales e Messias Alencar nunca esqueceram. Oliveira Piauí morreu, jovem, aos 27 anos de idade, vitimado por problemas cardíacos. Cria do simpático Juventus/SP, o ex-atacante teve uma carreira meteórica no futebol. O tempo, implacável como sempre, leva muitas vezes ao esquecimento, afinal já se vão 35 anos de seu falecimento, porém o Almanaque do Ferrão tem como propósito eternizar nomes que não merecem ser esquecidos, razão pela qual Oliveira Piauí ganha o destaque de hoje.