RAMON É O ÚNICO TREINADOR CAMPEÃO NO FERRÃO AINDA VIVO

Ramon Ramos atuou em grandes clubes e marcou 18 gols em 27 partidas como atacante do Ferrão

O Ferroviário foi campeão estadual em nove oportunidades: 1945, 1950, 1952, 1968, 1970, 1979, 1988, 1994 e 1995. Disso, todos sabem. O que pouca gente percebeu é que seis dos sete treinadores até hoje campeões estaduais pelo Ferrão já partiram dessa vida. Com o falecimento, em maio passado, do ex-técnico Alexandre Nepomuceno, comandante no título de 1970, o pernambucano Ramon Ramos é o único sobrevivente coral entre os treinadores que venceram o campeonato cearense pelo clube. Além de Alexandre Nepomuceno, já foram pro andar de cima os seguintes nomes: Valdemar Caracas (1945), Babá (1950 e 1952), Ivonísio Mosca de Carvalho (1968), César Moraes (1979 e 1994) e Lucídio Pontes (1988). Ramon Ramos mora em Recife e já mereceu postagem especial aqui no blog. Ex-jogador em grandes clubes do futebol brasileiro e do próprio Ferroviário em 1984, Ramon começou a carreira de técnico no próprio Tubarão da Barra, comandando a equipe coral em 87 partidas no total dentro das temporadas de 1988, 1995 e 1996. Ano que vem, o Ferroviário estará na vitrine da Copa do Nordeste, uma das competições mais respeitadas do futebol brasileiro hoje em dia e ocasião melhor não há para homenagear o único treinador campeão cearense pelo Ferrão ainda vivo. Nada mais adequado e justo para um nordestino que foi artilheiro e simplesmente um vitorioso treinador no tão decantado bicampeonato do Ferrão para sempre lembrado. Fica a dica!

OS REFORÇOS CARIOCAS NO MEIO DE CONHECIDOS CEARENSES EM 1972

Ferroviário Atlético Clube no campeonato cearense de 1972 – Em pé: Pedrinho, Almir, Eldo, Gomes, Bauer e Coca Cola; Agachados: Marcos, Luizinho, Simplício, Amilton Melo e Djair

Eis o Ferrão que entrou em campo contra o Ceará no dia 30 de Julho de 1972. A partida foi válida pelo 3º turno do campeonato cearense e teve a vitória alvinegra pelo placar de 1×0, gol de Da Costa, num pênalti inexistente que gerou muita reclamação dos corais. Na equipe, nomes de fora como o zagueiro Almir, ex-Madureira/RJ, o experiente lateral esquerdo Bauer, ex-Bangu/RJ e o atacante Djair, ex-Olaria/RJ, que fixou residência em Portugal depois que pendurou as chuteiras. Entre os mais lembrados do futebol cearense estão o goleiro Pedrinho, Eldo, Coca Cola, Gomes, Simplício e o craque Amilton Melo. Destaque também para o famoso goleador Luizinho Peito de Aço, ex-Sport Belém/PA, e o jovem ponta direita Marcos, cria da base do Ferroviário. Adivinha quem era o treinador dessa equipe? Ninguém menos que César Moraes, o Guri, em início de carreira

DAQUELES NOMES QUE SERÃO SEMPRE ETERNOS: CÉSAR MORAES

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Treinador César Moraes em 1979

Foi-se o Guri. Faleceu na última quinta-feira, dia 24 de setembro, um dos treinadores mais carismáticos e vitoriosos da história do Ferroviário Atlético Clube. O futebol cearense deu adeus a César Moraes, escolhido em campanha recente como o técnico do time dos sonhos coral. Ele vinha afastado há vários anos do cenário esportivo em razão da Doença de Alzheimer, que o levou aos 83 anos de idade. Foram 90 jogos na direção do Tubarão da Barra em 7 passagens verificadas nos anos de 1972, 1976, 1979, 1988, 1994, 1997 e 1999. Os títulos estaduais de 79 e 94 escreveram definitivamente o nome de César Moraes na galeria dos inesquecíveis do time coral. Além disso, dirigiu o clube em 5 partidas na campanha vitoriosa do título cearense de 88. Antes de se tornar treinador, foi um meia esquerda diferenciado e defendeu o Ceará, Vitória/BA, Novo Hamburgo/RS, Pelotas/RS, Noroeste/SP, América/RJ e Portuguesa/RJ. No dia de sua partida, o site do Ferrão prestou uma última homenagem ao lendário treinador, que também conquistou títulos cearenses pelo Fortaleza.

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César Moraes no Ferroviário em 1997

A primeira partida do Guri como técnico coral foi no dia 21/6/1972, contra o Calouros do Ar, num empate em 1×1 pelo campeonato cearense. A última ocorreu em 4/7/1999, contra o Fortaleza, que venceu o jogo por 3×2. Ao todo, foram 46 vitórias, 23 empates e 21 derrotas na história. Quando conquistou seu primeiro título estadual pelo Ferrão, César Moraes assumiu a equipe a menos de 40 dias da grande final. Logo em seguida, outro titulo foi conquistado num quadrangular realizado, na cidade de Porto Velho, com times de Rondônia. As conquistas de 79 abriram portas em sua carreira e nos anos seguintes também foi campeão trabalhando no futebol paraense. Em 88, o treinador era o sonho de consumo da direção coral e foi contratado na reta final do 2º turno, porém a perda do título para o Tiradentes foi determinante para sua saída. Seis anos depois, César Moraes voltou a Barra do Ceará no último trimestre do campeonato cearense e comandou uma verdadeira máquina de jogar futebol, imprimindo um esquema ousado no 4-3-3 quando a maioria dos times brasileiros atuava no 4-4-2, marcando uma época de glórias na história coral.

César Moraes foi um técnico vitorioso. Simpático e afável, era um sujeito de boa conversa que falava a linguagem boleira dos jogadores em razão de sua ampla experiência no futebol. Foi o tipo de profissional que deixa saudade, daquelas figuras raras de um futebol antigo que não existe mais. Como homenagem final, o Almanaque do Ferrão resgata abaixo uma entrevista do treinador concedida à extinta TV Manchete, minutos após a conquista do título de 1994, o último grande momento de sua brilhante carreira. São necessários apenas 38 segundos para mostrar um pouco do carisma de César Moraes e eterniza-lo como uma verdadeira lenda. Descanse em paz, Guri.

VITORIOSO TREINADOR DO FERRÃO EM ENTREVISTA NA DÉCADA DE 90

O Ferroviário Atlético Clube deve boa parte do título de campeão cearense de 1979 ao carioca Urubatão Calvo Nunes. Foi ele quem armou o time coral no meio do certame e o levou à conquista do 2º turno, carimbando o passaporte para as finais do Estadual. Posteriormente, entrou em rota de colisão com a direção e foi substituído pelo iluminado César Moraes. Mas quem foi Urubatão Nunes? Pouco se fala dele e os mais jovens têm poucas referências sobre o perfil desse grande profissional. Sequer sabem que foi ele um dos primeiros a ser apresentado em grande estilo, de helicóptero, no futebol cearense. Dono de uma célebre frase na qual afirma que “a história não lembra dos covardes“, Urubatão levou para o Tubarão da Barra toda experiência de quem cresceu no Santos ao lado de Pelé. O Almanaque do Ferrão resgata acima uma entrevista na TV Cultura com o ex-técnico, já nos anos 90, para mostrar as novas gerações um pouco da personalidade forte de um dos maiores nomes do futebol brasileiro que passaram pela Barra do Ceará.

RESGATE EM VÍDEO DA SEMIFINAL DO 1º TURNO DO ESTADUAL DE 1994

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Treinador Ramon Ramos

As postagens sobre o time do bicampeonato 94/95 costumam fazer muito sucesso no Almanaque do Ferrão e sempre repercutem com vários acessos. É comum também o blog receber pedidos de torcedores que desejam recordar em vídeo ou áudio lembranças particulares como um gol inesquecível, um lance marcante ou uma vitória que permanece viva na memória. Hoje, vamos atender o pedido do torcedor Flávio Assunção Filho, que solicitou o resgate em vídeo do jogo que marcou a sua primeira ida a um estádio de futebol. Foi em 8 de maio de 1994, no PV, numa semifinal de turno que Ferroviário enfrentou o bom time do Guarany de Sobral, montado naquela temporada pelo treinador Ramon Ramos, que coincidentemente foi o técnico coral na conquista do Bi no ano seguinte. A campanha de troca de notas fiscais por ingressos, uma promoção do futebol cearense em parceria com o governo do Estado à época, potencializava o número de torcedores nos estádios locais e 6.237 corais compareceram ao campo para conferir a classificação do Ferrão, que jogava pelo empate, para as finais do 1º turno do campeonato cearense.

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Goleiro coral Dênis

Treinado pelo carioca José Dultra, o Ferrão formou naquela tarde/noite de domingo com o futebol de Dênis, Nasa, Batista, Haroldo e Branco; Lima, Rodinei (Caetano), Acássio e Basílio (Eron); Batistinha e Cícero Ramalho. Era a estreia do volante Rodinei, oriundo do América/SP, e o primeiro jogo oficial do zagueiro Haroldo, conhecido nos bastidores do clube como “Coqueiro” em razão da sua altura, que vinha do Caldas Novas/GO. Ambos não se destacaram no clube e atuaram em poucas partidas durante a temporada. O Guarany atuou com Luís Carlos, Raimundinho, Biriba, Joãozinho e Marcelino; Toninho Barrote, Fernando (Cláudio) e Marquinhos Capivara; Maurício (Valdir), Aloísio e Somar. Confira no vídeo acima, com a narração de Luciano Vieira de Moraes, irmão do ex-técnico coral César Moraes, o resgate dos melhores momentos daquele jogo e o belo gol do meia Eron. Depois, o time coral cedeu o empate em 1×1 após uma falha do goleiro Dênis, que vinha sendo titular após barrar o experiente Luís Sérgio, contratado à princípio para ser o camisa 1 após boas campanhas por Tuna Luso e Remo no futebol paraense. O gol do Guarany de Sobral – como dizem nos melhores programas esportivos da TV – infelizmente nós não temos para mostrar.

CLÁSSICO DAS CORES DE 1999: UM DIVISOR DE ÁGUAS NA VIDA CORAL

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Cantareli entre dois jovens torcedores

O Almanaque do Ferrão mergulha no tempo e vai até 4 de julho de 1999. Há exatamente 16 anos, o time coral enfrentava o Fortaleza e fazia sua última partida pelo campeonato cearense daquela temporada. A derrota por 3×2, com todos os gols saindo num primeiro tempo eletrizante, desclassificava o Tubarão da Barra e o fazia terminar a competição numa incômoda 7ª colocação, inaugurando uma trajetória de insucessos que a partir da temporada seguinte seria marcada por sucessivas campanhas onde o Ferroviário passou a brigar mais vezes contra o rebaixamento do que propriamente por posições na parte de cima da tabela, além de ficar 8 longos anos sem derrotar o Fortaleza. Os melhores momentos dessa partida emblemática, um verdadeiro divisor de águas na trajetória do clube, podem ser conferidos no vídeo acima. De positivo, a bela atuação do meia Cantareli, que em uma de suas melhores performances com a camisa coral, marcou 2 gols. Claudinho, Clayton Maranhense e Clodoaldo fizeram os gols do adversário.

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Atacante carioca Bira

Treinado pelo experiente César Moraes, o Ferrão tinha um time com jogadores rodados no futebol nordestino e até internacional, como era o caso do atacante carioca Bira, ex-jogador do Botafogo de Ribeirão Preto e do Atlético Mineiro, com passagens também pelo futebol português, o que não foi suficiente para uma boa campanha no estadual de 1999. Na derrota de 16 anos atrás, o famoso Guri escalou o time coral com Jorge Pinheiro, Dino, Cláudio, Aldemir e Ivan; Vado, Rutênio, Cantareli e Adriano Cearense (Júnior); Pedrinho (Josivan) e Bira (Lau). José Galli Neto, técnico do Fortaleza, comandou seu time com o futebol de Carlos Alberto, Róbson, Horácio, Paulão e Reginaldo; Pires, Anderson (Beto), Clayton Maranhense (Rélber) e Clodoaldo; Eron e Claudinho (João Paulo). Foi o jogo 2.837 da história coral. A arbitragem foi de Dacildo Mourão e o lateral direito carequinha Ivan, improvisado na esquerda, ex-jogador do Moto Clube/MA, foi expulso de campo após falta violenta. Há 16 anos.

O DIA QUE A TORCIDA CORAL OFERECEU FLORES PARA O GUARANY

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O campeonato cearense de 1988 seguia muito disputado em seu 2º turno. Naquele sábado à noite, 11 de junho, o Ferrão recebia o Guarany de Sobral no Castelão diante de um público de 2.668 pagantes. Era o primeiro confronto entre ambos depois do trágico acontecimento em Sobral, 20 dias antes, quando o time coral derrotou o Cacique do Vale por 1×0 com um golaço de falta de Marcelo Veiga no último minuto do jogo. A derrota inesperada gerou uma revolta na torcida do Guarany e um grande tumulto tomou conta do estádio do Junco com dirigentes sobralenses disparando tiros para o alto, jogadores correndo e a torcida adversária quebrando o que via pela frente. O ônibus coral foi apedrejado na saída e a delegação do Ferrão passou por momentos difíceis. Aquele fato nunca foi esquecido, porém mereceu um perdão em grande estilo.

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Juarez viu flores na estreia

Há exatos 27 anos, a torcida coral prestava uma homenagem ao Guarany no primeiro jogo entre os times, no Castelão, após a confusão. Aos invés de pedras, só flores. Os jogadores do Guarany de Sobral receberam flores na entrada do time em campo. A iniciativa partiu da saudosa torcida organizada Força Jovem Coral, representando os jogadores e toda torcida do Ferrão. Lindo de se ver. Teve gente no estádio que até chorou. Mais bonito ainda foi a goleada que o Ferroviário aplicou no Guarany dentro de campo. Com 2 gols de Guina, 1 gol de Jacinto e 1 gol contra do zagueiro Ulisses, o time coral deitou e rolou naquela noite. Treinado por César Moraes, o time jogou com Serginho, Laércio, Arimatéia, Djalma (Juarez) e Marcelo Veiga; Toninho Barrote, Denô e Jacinto; Roberto Carlos (Amilton Rocha), Guina e Beto Andrade. Era a estreia do quarto zagueiro Juarez, campeão paulista pela Inter de Limeira dois anos antes, um dos nomes mais importantes da campanha coral em 88. Sob o comando de José Oliveira, o adversário jogou com Evandro, Jaime, Valdecy, Ulisses e Etevaldo; Alfinete, Quarenta (Bite) e Cacau; Ivanzinho, Ivan Buiú e Magno (Macedo). Foi o jogo 2.232 da história coral, aquele que ficou conhecido como o dia que a torcida coral ofereceu flores para o Guarany de Sobral. Para nunca mais esquecerem.