FERRÃO PEGA O BOTAFOGO/PB E REEDITA JOGO DA SÉRIE A NACIONAL

Almir em foto de 1980 durante a Série A

Depois de treze anos, o Ferrão volta a disputar a Série C do campeonato brasileiro e reencontra logo na estreia um antigo adversário do tempo da Série A nacional. O próximo jogo coral, domingo que vem, em João Pessoa, será o décimo confronto contra o Botafogo da Paraíba na história. O primeiro ocorreu em 1955 em Fortaleza durante uma temporada de jogos do time paraibano na capital cearense. Já o último aconteceu há quase 33 anos atrás na capital da Paraíba. No meio do caminho, em 1980, as duas equipes jogaram em Fortaleza pela primeira divisão do campeonato brasileiro. Olhando em retrospectiva, foi sem dúvida o confronto mais emblemático entre ambos em todos os tempos. Na ocasião, no Presidente Vargas, houve o empate em 1×1 com tentos marcados pelo goleador Almir, para o Ferrão, e Dão para o time paraibano. Esse empate garantiu a classificação coral para a segunda fase da Série A nacional. Nas duas últimas vezes que se enfrentaram, em 1986, as duas equipes participavam do Torneio Otávio Pinto Guimarães, competição nordestina cujo nome homenageava o então presidente da Confederação Brasileira de Futebol. Abaixo, confira a lista de todos os confrontos entre Ferrão e Botafogo/PB na história.

Jogo 01: 15/11/1955 – Ferroviário 1×5 Botafogo/PB – Amistoso – Fortaleza
Jogo 02: 19/11/1955 – Ferroviário 5×1 Botafogo/PB – Amistoso – Fortaleza
Jogo 03: 21/08/1968 – Ferroviário 0x2 Botafogo/PB – Taça Laudo Natel – Fortaleza
Jogo 04: 02/10/1968 – Botafogo/PB 2×1 Ferroviário – Nordestão – João Pessoa
Jogo 05: 27/11/1968 – Ferroviário 0x0 Botafogo/PB – Nordestão – Fortaleza
Jogo 06: 15/02/1974 – Botafogo/PB 2×2 Ferroviário – Amistoso – João Pessoa
Jogo 07: 30/03/1980 – Ferroviário 1×1 Botafogo/PB – Brasileiro Série A – Fortaleza
Jogo 08: 08/11/1986 – Ferroviário 0x0 Botafogo/PB – O.P. Guimarães – Fortaleza
Jogo 09: 27/11/1986 – Botafogo/PB 3×0 Ferroviário – O.P. Guimarães – João Pessoa

EDMUNDO, SALVINO, GIORDANO E BARBIROTO JUNTOS EM 1981

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Da esquerda para direita: Edmundo, Salvino, Giordano e Barbiroto em treino no PV

Será que o Ferroviário estava mal de goleiros no início de 1981? Prestes a enfrentar times como Atlético/MG, São Paulo/SP, Fluminense/RJ, entre outros, eis uma foto histórica com os quatro bons arqueiros do elenco no início daquela temporada. Todos foram titulares da meta coral em algum momento de suas carreiras. Giordano, contratado junto ao Quixadá, foi entre eles o que mais vezes atuou com a camisa coral. Foram 135 partidas entre 1976 e 1983. Em segundo, o goleiro Salvino, ex-Botafogo/PB, com seus 111 jogos em apenas duas temporadas, de 1980 a 1981. Por sua vez, Edmundo, ex-goleiro da Desportiva/PB, teve chance em 36 partidas entre 1978 e 1982. Apesar da foto acima, Barbiroto não permaneceu para o Brasileiro 81, mas acabou retornando para o campeonato nacional de 1982 e brilhou pelo Ferrão com grande atuações, voltando depois para o futebol paulista para ser titular do São Paulo/SP, dono de seu passe, na continuidade de sua carreira. Sete anos depois, em 1989, voltou ao Ferroviário para jogos do Estadual e para ser o goleiro na primeira participação coral na Copa do Brasil, totalizando 21 partidas em suas duas curtas e rápidas passagens pelo Tubarão da Barra.

NUNCA É TARDE PARA REVERENCIAR SIMPLÍCIO, O CANHÃO DA BARRA

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Foto recente do ex-jogador Simplício em sua residência na cidade de João Pessoa/PB

Ele foi um dos jogadores mais cultuados na história do Ferroviário. Até hoje seu nome é citado nas arquibancadas, não apenas por torcedores corais, mas também por desportistas de outras equipes que o viram em ação entre 1969 e 1974, período em que entrou em campo 181 vezes com a camisa do Ferrão. Foram 60 gols no total, o que o credencia como o 12º maior artilheiro do clube. Estamos falando de Simplício, o inesquecível ´Canhão da Barra´, graças a seus chutes fortes que chegavam a alcançar 170 km/h. Ao lado de Amilton Melo, Edmar, Paulo Velozo e Coca Cola, ele foi um dos bons nomes no título estadual de 1970, ano em que o Ferroviário montou um dos melhores times em todos os tempos do futebol alencarino.

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No Ferrão em 1970

Simplício começou a se destacar no Campinense/PB, onde foi hexacampeão paraibano nos anos 60. Tinha como principal característica o posicionamento, o bom passe e a garra, condições essenciais para um grande volante. Começou a ser comparado com o craque brasileiro Rivelino – pelo bigode e em razão do chute forte – ainda na Paraíba, antes mesmo de se transferir para o Botafogo/PB, onde foi bicampeão estadual. Se transferiu para o Ferroviário aos 22 anos de idade, fazendo seu primeiro jogo pelo time coral no dia 15/11/69 num amistoso contra o América/CE, no Elzir Cabral, e já conquistando mais um título estadual pra coleção na temporada seguinte. Suas cobranças de pênaltis eram temidas pelos goleiros adversários e tinha o respeito de vários treinadores que passaram pelo Ferrão, entre eles Fernando Cônsul, Gradim e Alexandre Nepomuceno.

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Simplício: o terceiro agachado em 1972

No campeonato cearense de 1974, Simplício mudou de time e chegou a enfrentar o Ferroviário, defendendo a camisa do Maguary. Aos 27 anos, aquela foi sua última temporada como jogador de futebol, pois retornou para Campina Grande onde anos depois concluiu o curso de Processamento de Dados na Universidade Federal. Em 2013, vibrou bastante com o título de campeão do nordeste conquistado pelo Campinense. Hoje com 67 anos de idade, reside em João Pessoa e é aposentado pela própria universidade. Mais de 40 anos depois de deixar o Ferroviário Atlético Clube, Simplício continua na memória de quem o viu em ação e estará sempre nas páginas principais da história coral, merecendo hoje o destaque do Almanaque do Ferrão.