POR ONDE ANDA O PONTA ESQUERDA BETO ANDRADE DO TÍTULO DE 1988?

Beto Andrade em Morada Nova

Você lembra do Márcio Roberto Andrade do Nascimento? Talvez não com esse nome, mas certamente se falarmos do ponta esquerda Beto Andrade, sua memória funcionará. Ele foi campeão cearense pelo Ferrão em 1988, atuando em 39 partidas em toda temporada e marcando 11 gols no total durante sua breve, porém vitoriosa, passagem pela Barra do Ceará. A foto ao lado é recente e, hoje em dia, Beto Andrade reside em sua terra amada, a bela Morada Nova, que fica a 170 km de Fortaleza, cidade de onde chamou a atenção coral depois de uma bela participação no torneio Intermunicipal, que teve a final realizada no Castelão, em janeiro de 1988, e que foi assistida por todos os observadores de clubes. Ali, após grande performance, o ponta esquerda foi contratado pelo Ferrão. Em seguida, Beto Andrade mudou de clube e foi atuar no Rio Negro/AM, tendo ainda uma bela passagem pelo Santo André/SP. O ex-jogador coral atuou depois em Portugal e permaneceu na Europa por muito tempo, mesmo depois de pendurar as chuteiras. Foram 25 anos de continente europeu, morando nas cidades de Guimarães, em Portugal, e em Bretigny, na França. Em 2015, Beto Andrade resolveu voltar para o Brasil e encontrou porto seguro em sua velha Morada Nova, onde hoje é proprietário de uma galeteria.

Beto Andrade em foto do Jornal do Ferrim

Mesmo tendo nascido em Fortaleza, Beto Andrade começou a se destacar em competições esportivas atuando no futebol de salão do colégio Egídia Cavalcante, em Morada Nova. Depois, representando a cidade em torneios intermunicipais, chamou a atenção do fisicultor José Maria Paiva, que o levou para as bases do Fortaleza. Desprezado no Pici, Beto Andrade chegou a trabalhar como digitador da Cagece, a companhia de água e esgoto cearense. Durante o Intermunicipal de 1988, Beto foi convidado pelos dirigentes Carlos Alberto Mota e João Cavalcante a ir para o Ferrão, onde voltou a trabalhar novamente com José Maria Paiva, que inclusive chegou a ser treinador coral em alguns jogos durante a memorável campanha daquele ano. Beto Andrade foi para o Ferroviário ainda como jogador amador e só conseguiu ser profissionalizado durante a competição porque o Fortaleza abriu litígio com o time coral requisitando a propriedade do atleta após perceber o sucesso do ponta esquerda. Pela legislação na ocasião, dois anos depois de ter feito sua última partida na base do Fortaleza, Beto Andrade assinou profissionalmente com o Tubarão da Barra e seguiu sua caminhada no futebol graças ao time coral, que lhe abriu as portas para um mundo novo e de sucesso a partir da grande conquista do campeonato cearense de 1988. Poucos meses depois de chegar ao clube, Beto Andrade ganhou matéria de uma página no Jornal do Ferrim, periódico de divulgação da diretoria coral na ocasião. Em declaração à publicação, Beto Andrade exaltava: “É como se fosse algo assim impossível de se contar. Pensar que há cerca de seis meses eu era desconhecido e hoje reconhecido nas ruas, vendo o estádio gritar o meu nome, é difícil até de definir“. Até hoje lembrado, Beto Andrade.

BELOS GOLS E MEMORÁVEL VITÓRIA NUM 1° DE MAIO DE 27 ANOS ATRÁS

1° de maio sempre foi um dia muito convidativo para o futebol devido o feriado do dia do trabalhador. Já foram 33 partidas do Ferroviário nessa data, sejam amistosos, torneio início ou válidas pelo campeonato cearense. Se fizer um esforço de memória, o torcedor mais antigo fatalmente vai lembrar de uma vitória consagradora em cima do Fortaleza justamente nessa data, um domingo como outro qualquer no inesquecível ano de 1988. Está completando 27 anos hoje daquele jogo, estreia do atacante Guina, ex-Palmeiras/SP, que marcou logo um gol como cartão de visitas e o Ferrão enfiou 4×2 no placar, numa tarde que Arnaldo, Denô, Beto Andrade e Mazinho Loyola esbanjaram de jogar futebol com gols e belas jogadas em campo. Deu trabalho, mas o Almanaque do Ferrão resgatou o vídeo daquela memorável vitória. A qualidade da imagem acima não é a ideal, mas agora estes lances são eternos também na Internet. Curta-os e vejam como o Tubarão da Barra tinha um timaço naquela temporada.

guina

Guina: estreia com gol

O Ferroviário formou naquele 1° de maio com Serginho, Laércio, Arimatéia, Djalma e Marcelo Veiga; Toninho Barrote, Denô e Arnaldo; Mazinho Loyola, Guina e Beto Andrade. Não houve substituições no time coral, mas nas imagens do banco de reservas, pode-se visualizar o técnico Ramon Ramos, o ponta Amilton Rocha, o lateral Kléber e o goleiro Walter. Treinado por César Moraes, o Fortaleza foi humilhado no placar e com um ´olé` no final da partida com Zé Luís, Caetano, Ronaldo (Nilo), Freitas e Luís Fernando; Erivando, Alberto e Wescley; Gilson, Fernando Roberto e João Luís. Repare no passe de três dedos de Denô, no gol de peixinho de Mazinho Loyola, nos dribles de Beto Andrade e Arnaldo, além da cambalhota coletiva dos jogadores após os gols, uma marca característica do time naquela temporada, puxada sempre pelo vibrante lateral Marcelo Veiga. Foi o jogo 2.223 da história coral, o árbitro foi Francisco Pereira e 9.373 pessoas pagaram ingresso naquele dia.

GOLEADA CORAL CONTRA O AMÉRICA COM SHOW DO ÍDOLO LUIZINHO

Hoje comemora-se o aniversário de nascimento de Luizinho das Arábias, um dos maiores goleadores do Tubarão da Barra. Conforme prometido na semana passada, o Almanaque do Ferrão traz hoje imagens raras de uma vitória do time coral por 5×1 pelo campeonato cearense de 1988, partida na qual o aniversariante do dia marcou 3 gols contra o América e brilhou com grande apresentação. Os outros gols foram assinalados pelo ponta esquerda Beto Andrade, cearense de Morada Nova, e pelo meia pernambucano Denô. Ao final dos melhores momentos, confira também uma saudosa entrevista de vestiário do grande artilheiro.

Se vivo fosse, Luizinho completaria hoje 57 anos de idade. Depois de brilhar pelo Ferrão em 85 e 86, o goleador coral voltou ao clube em fevereiro de 88, mas disputou apenas 7 partidas durante o 1° turno da competição e foi liberado para atuar no Pará, onde faleceu no ano seguinte. No dia seguinte ao anúncio de sua morte, houve um clássico contra o Ceará no PV e a torcida do Ferroviário gritou o nome de seu ídolo a plenos pulmões durante o ´minuto de silêncio` dado pelo árbitro Luis Vieira Vila Nova. Luizinho para sempre.

Esse post é dedicado especialmente a Jackson Sala, biógrafo de Luizinho das Arábias, e a Vânia Duarte dos Santos, irmã do eterno artilheiro coral. Ambos moram no Rio de Janeiro.