GOL DE BETINHO QUEBRAVA A INVENCIBILIDADE DO FORTALEZA

Quem conhece a história do futebol cearense já ouviu falar do timaço que o Fortaleza montou para o campeonato cearense de 1983. Aquele elenco é considerado até hoje um dos mais fortes em toda a história do futebol alencarino e a equipe tricolor teve poucas derrotas no certame, que começou no mês de abril. Há exatos 35 anos, somente no mês de novembro, o Fortaleza perdia seu primeiro clássico no Estadual justamente para o Ferroviário, que um mês depois acabou ficando com o vice-campeonato. Depois de revirar nossos arquivos, achamos em vídeo o gol do craque Betinho que garantiu a vitória para o Ferrão por 1×0, que naquela tarde formou com o futebol de Dário, Laércio, Israel, Nilo e Fraga (Luisinho); Doca, Edson e Betinho; Foguinho, Jorge Veras e Paulinho Lamparina (Paulo César Cascavel). O treinador coral era Newton Albuquerque. O Fortaleza, do técnico Paulo Emílio, perdeu com Salvino, Caetano, Pedro Basílio, Tadeu e Clésio; Serginho, Wescley e Marquinho; Edson (Geraldinho), Luizinho das Arábias e Edmar (Hamilton). Desses, Caetano, Clésio e Luizinho das Arábias jogaram depois no Ferroviário. Era o jogo 1.985 da história coral, realizado no Castelão e que contou com um público de 9.971 pagantes. Joaquim Gregório foi o árbitro naquela tarde. Além da vitória, de quebra, o Ferroviário ganhou uma bela taça em homenagem ao aniversário de 10 anos do estádio Castelão.

JOGO EM IGUATU REMETE À CONTRATAÇÃO DE JORGE VERAS

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Jorge Veras: ídolo coral

De virada, o Ferrão venceu hoje mais um jogo válido pela segunda divisão do futebol cearense. O Tubarão da Barra segue com grandes chances de retornar à elite estadual e voltar a enfrentar seus tradicionais adversários, Ceará e Fortaleza, no ano que vem. A vitória por 2×1 aconteceu no Estádio Agenorzão, em Iguatu, contra o time de mesmo nome. Antes de ter a atual denominação, o velho estádio da municipalidade iguatuense chamava-se Morenão. Foi lá, em 6 de maio de 1982, que o Ferrão levou um time misto para enfrentar amistosamente a tradicional equipe do Coiguatu, que disputava a liga local. O time coral levou um chocolate de 3×0, mas ganhou um reforço de peso para o campeonato cearense que estava em pleno andamento: Jorge Veras. O ex-jogador da base do Ceará participou do amistoso com a camisa do Coiguatu, marcou um dos gols, e foi depois convidado para reforçar o Ferrão. Três meses depois já era titular da equipe coral fazendo gols no Presidente Vargas e no Castelão.

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Treinador Paulo Murilo Pardal em entrevista

Vale a pena lembrar da onzena do Ferrão naquele amistoso de 1982 em Iguatu: Edmundo (Bira), Nonato Ayres (Pedro), Zé Carlos (Osmar), Júlio e Arnaldo; Doca, Jorge Bonga e Ednardo; Fernando, Carlos Brasília e Alberto. O treinador era Paulo Murilo Pardal, famoso ex-jogador do Flamengo/RJ na década de 60. Repare na escalação do Coiguatu: Indio, Nilsinho, Neto, Cláudio e Birungueta; Edson, Gêra e Batista; Flávio (Ramos), Jorge Veras (Mário) e Ider (Pelé). Além de Jorge Veras, nota-se no meio campo do time iguatuense a presença do jogador Gêra, cearense que depois se consagraria como um dos melhores jogadores de Futsal do mundo. A chegada de Jorge Veras para o Ferroviário rendeu bons frutos para o time coral. Ele formou com o meia Betinho um dupla infernal de goleadores por duas temporadas e escreveu seu nome na galeria dos inesquecíveis do Tubarão da Barra, fazendo inclusive parte da campanha do Time dos Sonhos do Tubarão da Barra. Parece mesmo que jogar em Iguatu emana bons frutos para o Ferroviário. Que fiquem as boas lembranças e que venha logo o acesso para a primeira divisão do futebol alencarino.

CRAQUES SÃO ETERNOS: RECORDE A PASSAGEM DE BETINHO PELO FERRÃO

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Ferroviário em 1984: Betinho carrega a tarja vermelha de capitão na manga do uniforme

Roberto Fontana Madeira era um verdadeiro craque. Essa é a mais perfeita referência para esse ex-jogador do Ferroviário, que chegou na Barra do Ceará já no crepúsculo de sua carreira, mas que conquistou uma verdadeira idolatria junto à torcida coral. Foram 83 jogos e 27 gols pelo clube entre 1982 e 1984, sendo 14 deles em grandes clássicos contra Ceará e Fortaleza, quando chegava a decidir as partidas. Estamos falando de Betinho, o experiente camisa 10 do Ferrão, o cérebro da equipe, um dos maiores jogadores em toda a história do futebol cearense. Talvez ele não saiba, mas seu nome é especialmente citado na versão impressa do Almanaque do Ferrão exatamente na parte dos agradecimentos. Pelo que? Por tudo que ele fez em campo e pelo que representou na época para jovens torcedores – como o autor da publicação, é bom que se diga.

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Betinho no Ferrão

Betinho nasceu no Espírito Santo. Despontou para o futebol como atacante no Botafogo/RJ, mas foi em Pernambuco que trilhou grande parte de sua carreira de sucesso conquistando títulos sucessivos pelo Santa Cruz, Náutico e Sport. Ele tinha acabado de completar 35 anos de idade quando trocou o Leão da Ilha pelo Tubarão da Barra, mesmo ostentado o posto vigente de artilheiro do campeonato pernambucano com 12 gols, comprado que foi pelo Ferroviário por CR$ 3 milhões de cruzeiros, uma excelente contratação de impacto por parte do presidente José Lima de Queiroz. Era agosto de 82 e Betinho encaixou como uma luva no meio campo coral. Fez uma dupla implacável com o atacante Jorge Veras e ajudou a equipe a chegar à final em duas temporadas consecutivas. Em 84, em meio a grave crise política e financeira, Betinho pendurou as chuteiras no meio do campeonato cearense e teve uma brevíssima passagem como treinador de uma equipe desfigurada e recheada de problemas. Foram apenas 7 partidas no comando técnico coral, dirigindo seus ex-companheiros, o que na prática representou apenas um mês de trabalho. Deixou o clube, mas nunca saiu da memória de seus torcedores.

Betinho completou 68 anos de idade no último dia 9 de julho. Ele mora hoje em Recife e dá seus pitacos no futebol moderno, tão carente de jogadores com sua qualidade, como comentarista esportivo. Descobrimos um vídeo do Diário de Pernambuco, de 2012, onde ele fala especificamente de sua trajetória no futebol pernambucano, que por si só merece ser visto já que dele nunca mais se ouviu falar no futebol cearense. Que as imagens da janela abaixo apresentem para os torcedores mais jovens um verdadeiro craque, um ídolo na verdadeira acepção da palavra, nosso ex-jogador, alguém para nunca se esquecer.