A HISTÓRICA GOLEADA NO LEÃO NA LARGADA DA TEMPORADA DE 1994

Ídolo Batistinha

Início de temporada é sempre um período de implementação de trabalho e realização de partidas amistosas, onde a maioria delas acaba caindo no esquecimento do público em geral. Porém, existe um amistoso de começo de temporada, realizado no vitorioso ano de 1994, que até hoje a torcida coral não esquece. Foi a goleada de 4×0 em cima do Fortaleza, dentro do Elzir Cabral, quando o Tricolor do Pici levou um autêntico vareio de bola e foi humilhado por jogadores ainda desconhecidos do futebol cearense, mas que ao longo da temporada escreveram definitivamente seus nomes na história do Ferrão. Ao final do certame, somente o famoso ABC coral, formado pelos artilheiros Acássio, Batistinha e Cícero Ramalho, havia marcado juntos mais gols que o elenco inteiro do Ceará, vice-campeão estadual e vice-campeão da Copa do Brasil em 1994. Era ou não uma verdadeira máquina coral?

Acássio: dois gols no amistoso

Engana-se quem pensa que esse famoso amistoso contra o Fortaleza foi realizado na pré-temporada propriamente dita. Na verdade, os dois clubes já haviam realizado seus jogos de estreia pelo Campeonato Cearense de 1994, mas aproveitavam uma folga na tabela para continuar a preparação de suas equipes. Seis dias antes, o Tubarão da Barra havia ido a Sobral e empatado em 1×1 com o Guarany em seu primeiro jogo oficial pelo Estadual. Antes, na verdadeira pré-temporada, havia batido o Tiradentes, o Calouros e o Itapipoca. As torcidas estiveram presentes em bom número nas arquibancadas do estádio coral, até porque o primeiro Clássico Rei daquele ano estava marcado na tabela apenas para o mês de maio.

Cícero Ramalho: um dos artilheiros

Repare na escalação do Ferrão na goleada em cima do Leão e veja se consegue perceber algumas diferenças em relação ao time que foi campeão cearense dez meses depois: Miguel, Nasa, Santos, Batista e Branco; Edgar (Ricardo Lima), Acássio (Eron) e Basílio (Caetano); Batistinha (Pepe), Cícero Ramalho (Edinho) e Wanks. O técnico era José Dultra. O Fortaleza, do técnico Rui Guimarães, foi humilhado com o futebol de Júlio César, Adriano (Alex), Luís Cláudio, Oliveira e César Soares; Luis Fernando, Adenilton e Calvex (Maradona); Quirino (Edvan), Cláudio José (César) e Cosme. Pelo Ferrão, os ídolos Acássio e Batistinha, cada um, duas vezes, marcaram os gols do amistoso. Mais de duas décadas depois, o Almanaque do Ferrão resgata as imagens daquele jogo contra o Fortaleza, com direito a entrevistas com Cícero Ramalho, Lima e José Dultra.

PRIMEIRO JOGO OFICIAL CONTRA TIME DE OUTRO ESTADO NA BARRA

Pouca gente recorda o nome do primeiro adversário coral de outro estado que enfrentou oficialmente o Ferroviário na Vila Olímpica Elzir Cabral. Os mais antigos dirão que foi o Alecrim/RN. De fato, a tradicional equipe potiguar foi a primeira de outro estado a pisar o solo da Barra do Ceará, em 1970, mas tratava-se de uma partida amistosa para inauguração do estádio coral, o que evidentemente foi um fato histórico. Porém, em caráter oficial, essa equipe foi o Flamengo/PI, em 24 de setembro de 1989, em jogo válido pela 1ª fase do campeonato brasileiro daquele ano. O Almanaque do Ferrão apresenta acima as imagens dos gols daquele jogo vencido pelo Tubarão da Barra por 2×0, tentos do ponta esquerda Paulinho e do centroavante Marquinhos, ambos cearenses.

Paulinho: belo gol na Barra

Aquele domingo à tarde contou com um público de 2.837 pagantes. Pelas imagens, percebe-se o excelente número de torcedores que foi ao estádio, porém em quantidade inferior que a abertura do Elzir Cabral para jogos oficiais, seis meses antes, contra o Guarani de Juazeiro. Nesse jogo do campeonato nacional, o de número 2.304 da história coral, o Ferrão venceu com o futebol de Osvaldo, Silmar, Arimatéia, Evilásio e Marcelo Veiga; Alves, Dias Pereira (Cacau) e Jacinto; Mardônio (Marquinhos), Luizinho e Paulinho. O Flamengo do Piauí perdeu com Ronaldo, Toinho (Duílio), Carlinhos, Bilé e Neto; Zuega, Peu e Malta; Batistinha, Etevaldo e Toby (Cláudio). Repare a presença do atacante Batistinha no ataque do Flamengo, ele que se tornaria um dos ídolos da história coral na metade da década seguinte. O jogador Marquinhos, que marcou o segundo gol, era oriundo do Tiradentes/CE e havia sido um dos artilheiros do campeonato cearense de 1988. Ele disputava a posição com o centroavante Luizinho, recém trazido do Avaí/SC, que fez apenas 6 jogos com a camisa coral. Marquinhos atuou apenas em 4 partidas. Paulinho, que marcou um belíssimo gol, ficou no clube até 1991 e fez 44 jogos pelo Ferroviário.

125 GOLS ASSINALADOS NUMA MESMA FOTOGRAFIA ANTIGA

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Nasa, Batistinha e Acássio antes de mais uma partida do Ferroviário no Estádio Elzir Cabral

O retrato de hoje equivale a 125 gols do Ferroviário marcados nos anos 90. Em foto histórica no Elzir Cabral, reveja três jogadores corais que marcaram época: o lateral direito/volante Nasa (76 jogos e 7 gols), o atacante Batistinha (80 jogos e 44 gols) e o meio campista Acássio (132 jogos e 74 gols). Um pernambucano, um piauiense e um bom baiano respectivamente. Depois de passarem pelo Ferrão, Acássio e Nasa atuaram pelo Vasco/RJ. Batistinha, cria do Flamengo/PI, jogou ainda em times tradicionais do futebol brasileiro como Vitória/BA, ABC/RN, Remo/PA e Santa Cruz/PE. Nomes eternos!

APÓS 22 ANOS: NOVA GOLEADA POR 6×0 JOGANDO FORA DE CASA

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Jogadores corais vestidos com o uniforme laranja rezam após a partida de ontem em Barbalha

E o Ferrão continua sua luta para voltar à primeira divisão do campeonato cearense. Ontem, vestindo novamente o seu terceiro uniforme na cor laranja, o Tubarão da Barra massacrou o Barbalha, fora de casa, pelo placar de 6×0. Uma vitória na casa do adversário com um resultado tão esmagador não acontecia na vida coral desde 1994, quando o Ferroviário aplicou o mesmo placar em cima do Itapipoca atuando no Estádio Perilo Teixeira, em noite que consagrou o artilheiro Batistinha com 4 gols marcados. Além dele, Acássio e Basílio também assinalaram. Ontem, no Estádio Inaldão, na região do Cariri, foi a vez de brilhar a estrela do atacante Roney, com 3 gols marcados, além do meia Diego Silva, que conseguiu a façanha de encaçapar 2 gols de falta no mesmo jogo. O atacante Maxuell, de pênalti, fechou a contabilidade do placar. Foram exatamente 1.011 jogos de diferença entre o feito de 1994 e o de 2016. Ai é Ferrão, meu filho!

RESGATE EM ÁUDIO DOS GOLS CONTRA O CEARÁ EM 27/11/1994

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Batistinha e Ricardo Lima, terceiro e quinto respectivamente agachados na formação de 1994

O golaço de Batistinha contra o Ceará na final do 3º turno do campeonato cearense de 1994 já mereceu destaque especial em nosso blog. O lance imortalizou o meio campista Lima, que produziu toda a jogada daquele episódio inesquecível ao dar um sprint de um lado ao outro do campo, deixando para trás o zagueiro alvinegro Vitor Hugo, ex-Flamengo/RJ, que o perseguia. Hoje, em mais um aniversário daquele momento que entrou para a história coral, o Almanaque do Ferrão resgata o áudio dos dois gols do jogo na narração do lendário Vilar Marques e reportagem do competente Ari Bezerra, na transmissão da Rádio O Povo 1010 AM de Fortaleza. Ouça abaixo os gols de Ricardo Lima e Batistinha, recorde os lances e projete sua memória para aquela tarde de domingo que muita gente até hoje não esqueceu. Agora, dois golaços eternizados por aqui.

REVEJA OS GOLS DE UMA GOLEADA NUM 7 DE ABRIL COMO HOJE

Que tal recordar um jogo do Ferroviário disputado exatamente na data de hoje? Voltamos no túnel do tempo e vamos até 7 de abril de 1994, um ano mágico para o clube e por consequência para seus fiéis torcedores. Recuperamos as imagens de uma partida realizada naquela noite quando a máquina coral de fazer gols funcionou a pleno vapor. Foi um maravilhoso 6×0 contra o tradicional Calouros do Ar, com 2 gols do ídolo Acássio. Os outros tentos foram assinalados por Cícero Ramalho, Edinho, Nasa e Batistinha, que você pode conferir no vídeo acima.

Ainda treinado pelo carioca José Dultra, ex-zagueiro do Vasco/RJ e do Remo/PA, o Ferrão foi escalado com Dênis, Caetano (Edinho), Batista, Santos e Branco; Lima (Eron), Nasa, Acássio e Basílio; Batistinha e Cícero Ramalho. O Calouros tinha alguns jogadores que passaram pelo Ferroviário, inclusive contava com o comando técnico de Celso Gavião, um dos maiores zagueiros da história coral. Ele escalou o ´Tremendão da Aerolândia` com o futebol de Júnior Lemos, Zé Carlos, Márcio Gomes, Luciano e Paulo César; Feliciano, Idésio (Edmar) e Gilson; Nonato, Célio (Cafuringa) e Ronaldinho.

Após a extravagante vitória em cima do Calouros e de outros bons resultados, o Ferrão viveu dias complicados no campeonato pouco tempo depois. Numa partida contra o América, o Tubarão da Barra quebrava a bola e passou a ser vaiado pela exigente torcida coral. O gol do alívio veio dos pés do atacante Batistinha, que ao comemorar desferiu uma banana para os torcedores que vaiavam a equipe atrás da trave. O mundo quase veio abaixo por conta dessa atitude e gerou um dos raros momentos de desconforto entre time e torcida naquela brilhante temporada até hoje reverenciada.

PRIMEIRA GOLEADA DE UM CICLO VITORIOSO CONTRA O FORTALEZA

O início dos anos 90 foram complicados para o Ferroviário. Times fracos, campanhas ruins e participações modestas nos campeonatos. A crise eclodiu em fevereiro de 93 após a goleada impiedosa de 9×1 sofrida para o Ceará. Após o jogo, no calor do humilhante revés, renúncia imediata do presidente Edilson Sampaio, do diretor de futebol Walmir Araújo e de todos os diretores. O que parecia o fim do clube para muitos, na prática representou o início de um ciclo vitorioso. Sob nova diretoria, capitaneada pelo empresário Clóvis Dias, o Ferrão trouxe jovens reforços e, em menos de um mês, vencia o primeiro clássico derrotando o Fortaleza por 1×0, gol do centroavante Isaías, num jogo que marcou a estreia do goleiro Clemer. Dois meses depois, mais uma vitória em cima do Leão, dessa vez de goleada por 4×1, com Batistinha (duas vezes), Basílio e Narcízio marcando para o time coral. Esse é o jogo que o Almanaque do Ferrão recorda agora através de imagens em vídeo que o tempo não apagou.

A partida representou a primeira goleada de uma série de incríveis vitórias do Ferrão em cima do Fortaleza durante o período Clóvis Dias. 4×1 foi um resultado que se repetiu algumas vezes nos campeonatos seguintes, 3×0, 4×0 e 5×0 foram placares bem íntimos do Leão até 1997, ano que marcou o fim do ciclo coral vitorioso, abrilhantado com um inédito bicampeonato 94/95, um verdadeiro marco na história do clube. Nesse jogo específico de 16/5/93, estreia do lateral esquerdo Branco e sob o comando de Lula Pereira, o Ferrão humilhou o Tricolor do Pici com Clemer, Itamar, Aldo, Marião e Branco; Reginaldo Souza, Ronaldo Salviano, Acássio e Basílio (Sílvio); Batistinha e Márcio (Narcízio). O Fortaleza, cheio de nomes famosos no futebol brasileiro, perdeu com Banana, Expedito, Sérgio Odilon, Alexandre e Albéris; Josenílton, Josué (Nando) e Elói; Eliézer, Kel e Jorge Veras (Vânder). Era o jogo 2.474 da história coral. Para sempre na memória do Almanaque do Ferrão.