JOGAR NA BARRA PRA QUE? PRA QUE MESMO JOGAR NA BARRA DO CEARÁ?

Jogo do Ferroviário na temporada de 2003

Depois de sete anos sem jogos oficiais no seu estádio particular, o Ferroviário voltou a utilizar a velha praça esportiva da Barra do Ceará como mandante na Taça Fares Lopes de 2019. E o resultado foi rigorosamente o mesmo de sempre: um baixíssimo índice de aproveitamento dos pontos disputados, reclamações contra o vento – que é fortíssimo nessa época do ano – gramado duro e um desconforto sem igual em relação ao torcedor que é, antes de qualquer coisa, um consumidor. De positivo, a economia financeira. E só. Quase sempre um barato que sai caro no final das contas, dadas as frustrações quase certas dos resultados. Muita gente comemorou a volta do clube para o Elzir Cabral. Será que há mesmo o que se comemorar? E a velha ideia de transformar aquele espaço em campos para treinamento iniciando uma visão moderna de Centro de Treinamento? Não seria pedir muito para um time que está na Série C nacional. Seria o mais lógico.

Estádio Elzir Cabral pouco antes de sua inauguração para jogos oficiais no final da década de 1980

Que a atual estrutura do Elzir Cabral fique apenas na memória de quem um dia idealizou um estádio próprio para o clube. Ideia sábia, porém que não se aplica para os dias atuais. Como dizem Simon Kuper e Stefan Szymanski na conceituada obra ´Soccernomics`, não conhecemos nenhum supermercado que funcione montado em uma estrutura arcaica e velha do século passado. Todos se modernizam e evoluem para atender bem seus clientes. É o que obriga a competição do mercado. No futebol, essa realidade parece passar longe. Desde que conseguiu inaugurar seu estádio para jogos oficiais há longínquos 30 anos, a Barra do Ceará só passou pelo chamado ´banho de loja`. Na época, o gramado da Barra era equivalente ao gramado do Castelão em termos de qualidade. Hoje, apesar de todas as melhoras, tem muito campo de subúrbio que é superior. Argumentos de que o estádio coral é um ´caldeirão` simplesmente não se sustentam. Que caldeirão é esse que proporciona apenas 58% de vitórias quando o Ferrão atua lá em jogos oficiais? O percentual de empates é de 23% e 19% são de derrotas. Números para se pensar. Jogar na Barra pra que mesmo?

DR. KITT PARA SEMPRE NA MEMÓRIA DO FERROVIÁRIO ATLÉTICO CLUBE

Dr. Kitt, aos 72 anos de idade, em entrevista para a revista oficial Expresso Coral no ano de 2008

Infelizmente, o fim de semana trouxe uma notícia nada boa. O querido Cristiano Válter de Moraes Rôla, ou carinhosamente ´Doutor Kitt`, faleceu em Fortaleza. O ex-atacante do Ferroviário Atlético Clube entre as temporadas de 1956 e 1965 partiu para outro plano e assistirá agora do céu aos jogos do seu ex-clube. Após pendurar as chuteiras, Kitt seguiu uma belíssima carreira na medicina e chegou a ser médico do próprio Ferroviário em algumas oportunidades. No ano de 2008, ele foi o entrevistado na seção ´Craque do Passado` na segunda edição da então revista oficial do clube, intitulada de ´Expresso Coral`. Apesar de nunca ter conquistado o título de campeão estadual, participou de momentos muito importantes para história do clube, como por exemplo quando assinalou o primeiro gol na inauguração do gramado na Barra do Ceará numa partida de veteranos. Em seus últimos anos de vida, o ex-jogador coral continuou exercendo a profissão de médico, além de ser também um premiado pecuarista.

Dr. Kitt sobe de cabeça e assinala mais um importante gol para o Ferroviário na década de 1960

Doutor Kitt era filho de um grande desportista, o famoso Rolinha, um dos árbitros mais conhecidos da história do futebol cearense, além de ser também irmão do Doutor Bill, ex-jogador do Ceará, dentista e aficionado por Futebol de Mesa. O amor pelo futebol também foi passado de pai para filho na geração seguinte e o filho do ex-atacante coral, o também médico Sérgio Rôla, aderiu à paixão de torcer pelo Ferroviário, se notabilizando como atuante conselheiro e uma pessoa que nunca negou apoio ao clube, especialmente nos momentos mais difíceis de sua história recente. Além de defender as cores do Tubarão da Barra. Dr. Kitt vestiu a camisa do Calouros do Ar e do Sport/PE. No Ferrão, foram 197 jogos e 42 gols marcados. Descanse em paz.

FERROVIÁRIO ATLÉTICO CLUBE SE DESPEDE DE MAIS UM EX-PRESIDENTE

Edilson Sampaio na comemoração do título de 1988 ao lado da família na Barra do Ceará

Faleceu no último sábado, dia 14 de outubro, o ex-presidente do Ferroviário Atlético Clube, Edilson Sampaio, conhecido no meio futebolístico e familiar como Chumbinho. Ele presidiu o Tubarão da Barra entre janeiro de 1992 e fevereiro de 1993. Muito antes de ser presidente do clube, Chumbinho colaborou com várias diretorias na condição de conselheiro coral na década de 1980. Ao se tornar presidente do Ferrão, Edilson Sampaio repetiu o feito de seu pai, Porfírio Sampaio, que durante muitos anos presidiu o Ferroviário, sendo inclusive campeão cearense nas temporadas de 1945, 1950 e 1952. Edilson Sampaio travava uma luta contra o câncer e com a notícia de seu falecimento, o Ferroviário anunciou luto oficial. No dia de seu falecimento, o presidente da Federação Cearense de Futebol, Mauro Carmélio, decretou um minuto de silêncio em homenagem a Chumbinho antes do jogo Fortaleza x CSA pelo campeonato brasileiro de futebol. No baú do blog, Chumbinho aparece na foto acima em entrevista ao repórter Edvaldo Pereira, da TV Verdes Mares, durante a comemoração do título estadual do Ferroviário de 1988 ocorrida no Clube de Regatas da Barra do Ceará.

REGISTRO HISTÓRICO DO ESTÁDIO DO FERROVIÁRIO NO ANO DE 1967

Carros podiam acessar o terreno coral para conferir a inauguração do estádio do Ferroviário

A Rural não atolou na areia da Barra do Ceará, mais precisamente no segundo semestre de 1967, período em que o Ferroviário Atlético Clube dava um grande passo em sua história ao inaugurar o seu próprio estádio de futebol. A Vila Olímpica Elzir Cabral passou a ser um sonho possível, como se observa no retrato antigo de hoje. Bandeiras corais espalhadas no topo da pequena arquibancada comprovam o capricho dos responsáveis por aquele grande momento. Lindo de se ver. E já se vão quase 50 anos no tempo.

VOCÊ SABIA QUE TÉCNICO FAHEL JÚNIOR FOI GOLEIRO DO FERRÃO?

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Treinador Fahel Júnior deixou recentemente o comando técnico do Confiança de Sergipe

Você conhece esse treinador? Ele foi demitido recentemente do Confiança/SE. Trata-se de José Herbert de Jesus Fahel Júnior, que nasceu em São Paulo, no dia 25 de novembro de 1963. A trajetória do técnico começou do outro lado do mundo. No Japão, foram 12 títulos em 11 anos. No Brasil, impediu que o Santo André/SP fosse rebaixado para a série C do Brasileiro e, em seguida, conquistou o Campeonato Paulista da Série A-2, em 2008, o que deu ao time o acesso à Série A-1. No futebol sergipano, Fahel  Júnior comandou também o River Plate entre 2011 e 2012. Ele foi goleiro do Ferrão. Você sabia?

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Vila Olímpica Elzir Cabral nos anos 80: palco do único jogo de Fahel Júnior no arco coral

Corria o ano de 1989 e o Ferroviário buscava um goleiro para rivalizar com o titular Albertino. A direção coral foi buscar Fahel no São Luiz/RS e ele foi apresentado à torcida coral, no PV, exatamente no dia que o Ferroviário foi campeão do Torneio Ciro Gomes, com direito a uma histórica entrevista do então prefeito de Fortaleza registrada aqui no blog há cerca dois anos. Duas semanas depois, Fahel estreou pelo time coral na primeira partida oficial do Ferrão em seu próprio estádio, no dia de São José, numa goleada de 6×0 em cima do Guarani de Juazeiro. Fahel entrou no segundo tempo quando o placar já estava definido. Foram os seus únicos momentos em campo com a camisa coral. Depois disso, nunca mais jogou. Ficou no banco em alguns jogos e depois rescindiu o contrato. Foi definitivamente uma passagem meteórica na Barra do Ceará, mas o Almanaque do Ferrão não deixa o registro passar em branco. Fique por dentro!

PRIMEIRO JOGO OFICIAL NOTURNO NO ELZIR CABRAL FAZ ANIVERSÁRIO

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Imagem que mostra o sistema de refletores do Elzir Cabral na forma como foi inaugurado em 90

Hoje é aniversário do primeiro jogo oficial noturno na Barra do Ceará. Foi em 1990, exatamente no dia 27 de janeiro. Já mostramos por aqui a cerimônia de inauguração dos refletores, que contou inclusive com a presença de Ricardo Teixeira, então presidente da CBF, porém nunca foi feito menção ao primeiro jogo oficial iluminado a partir daquele novo sistema. Ele aconteceu na partida inaugural do Estadual daquele ano e o Tiradentes foi o adversário. Surpreendentemente, o Tigre bateu o Tubarão por 1×0 dentro de seus domínios e estragou a festa do Ferroviário, que tinha várias novidades em sua equipe, entre elas a dupla Gilson Baiano e Rocha, artilheiros implacáveis no Treze/PB em 1989.

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Rocha: novo reforço para o Estadual 1990

Foi o jogo 2.317 da história coral, apitado por Luís Vieira Vila Nova, um dos árbitros mais famosos do futebol cearense e que foi lateral esquerdo do próprio Ferroviário no início dos anos 70. O gol do adversário foi marcado pelo veterano Ademir Patrício, que em seguida teve ótima passagem pelo Tubarão da Barra. Treinado pelo paulista Benê Ramos, o Ferrão jogou com Carlinhos, Everaldo, Luís Oliveira, Gilmar Furtado e Caetano; Toninho Barrote, Jacinto (Marcos Ubajara) e Gilson Baiano; Mardônio, Rocha e Mirandinha. O Tiradentes venceu com Albertino, Aírton, Batista, Joãozinho e Osmanir; Carlos (Flávio), Silmar e Modali; Aloísio, Ademir Patrício (Néo) e Marcelo. Aquele revés para o Tigre era apenas prenúncio das dificuldades que se seguiram durante o restante da competição e o Ferroviário só conseguiu a primeira vitória no Estadual em meados de março. A dupla Gilson Baiano e Rocha ficou pouco na Barra. Ambos viraram treinador após a aposentadoria nos gramados. Rocha faleceu em 30 de dezembro de 2007 na Bahia.

FOTO HISTÓRICA DO ESTÁDIO DO FERRÃO NO DISTANTE ANO DE 1967

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A postagem de hoje do Almanaque do Ferrão não é sobre um jogo ou atleta específico. Tampouco resgata um vídeo antigo ou recorda um timaço em nossa história. É apenas uma foto que fala por si, de um tempo que se projetou para o futuro um Ferroviário grande. Ou um grande Ferroviário, tanto faz. Em mais um tempo de recomeço em sua longa trajetória – que não se perca a contagem, nem a esperança – que sirva de inspiração.