FAMÍLIA ACHAVA QUE ARTILHEIRO CORAL ESTIVESSE MORTO

Paulo César em foto da família

Em setembro desse ano, o Almanaque do Ferrão publicou uma matéria sobre o paradeiro de Paulo César, grande artilheiro coral entre o final da década de 70 e começo dos anos 80. Ele foi o goleador máximo do campeonato cearense de 1979, conquistado brilhantemente pelo Tubarão da Barra. Após sua passagem pelo futebol alencarino, Paulo César foi jogar profissionalmente no Equador e por lá fixou residência, perdendo posteriormente o contato com sua família que reside em Pernambuco. Após a publicação do blog, os familiares do ex-goleador coral entraram em contato informando a grande repercussão da postagem dentro do núcleo familiar. A sensação de alívio foi a mais evidenciada entre eles. Devido aos quase trinta anos sem mensagens de Paulo César, seus irmãos achavam que ele já havia falecido. A surpresa de vê-lo no vídeo publicado em nosso blog, com imagens do ano passado no Equador, encheu o coração de seus irmãos de alegria. Agora, eles querem achar Paulo César e matar a saudade.

Irmãos do ex-artilheiro Paulo César em Pernambuco: Maria de Fátima, Severino e Maria Leda

O último contato de Paulo César com Maria Leda Pires Dino, sua irmã, ocorreu durante as Olimpíadas de Seul, em 1988. A comunicação entre ambos sempre se dava por carta, independente do local que Paulo César estivesse jogando. Nesse longo período sem contato, o ex-artilheiro coral sequer pôde ser informado do falecimento da mãe, que tentou muitas vezes buscar informações do filho, além da morte de seu irmão chamado Josivaldo Pires Dino. Agora, quase três décadas depois e diante da surpreendente notícia de que Paulo César está vivo, Maria Leda e os irmãos Maria de Fátima e Severino, desejam retomar o contato para matar as saudades do querido irmão de uma vez por todas. Um outro irmão dele, que mora em São Paulo, também está ansioso por isso. A família já procurou, através do Facebook, o próprio Barcelona de Guayaquil, clube que homenageou Paulo César em 2016, buscando obter mais informações sobre o paradeiro do atleta no Equador. Esperamos que o ex-goleador coral seja encontrado pela família e certamente o fato merecerá o devido destaque aqui no blog. Enquanto isso não acontece, reveja abaixo um vídeo raríssimo com dois gols do goleador Paulo César em partida válida pelo campeonato cearense de 1978.

POR ONDE ANDA UM DOS MAIORES ARTILHEIROS DA HISTÓRIA CORAL?

Paulo César – o papagaio – no Barcelona

Ele já foi tema de postagem aqui no blog com direito a resgate de um vídeo raro mostrando 2 gols marcados pelo Ferrão em 1978 e de um áudio com narração de um gol em 1980. A partir de 1981, quando deixou a Barra do Ceará, o futebol cearense em geral nunca mais ouviu falar de um dos maiores artilheiros da história coral, simplesmente o quarto maior goleador do Tubarão da Barra em todos os tempos. O pernambucano Paulo César, também conhecido como ´papagaio`, atuou em 137 partidas e marcou 88 gols com a camisa coral. No ano que se despediu do Ferrão, foi atuar no Equador pela Liga de Quito, foi vice-campeão nacional, marcou 25 gols e levou sua equipe à Copa Libertadores. Foi logo contratado por uma equipe maior, o famoso Barcelona de Guayaquil, onde se tornou astro nas 3 temporadas seguintes, uma verdadeira lenda na história da equipe, marcando 6 gols em jogos da Libertadores e 55 gols no campeonato nacional de 1982 a 1984. Seus gols e o espírito guerreiro o fizeram ídolo do Barcelona, porém nunca foi campeão equatoriano. De fisionomia peculiar, ganhou logo o apelido de ´La Bruja´. Era a bruxa que assustava as defesas adversárias. Atuou profissionalmente até os 40 anos de idade e defendeu ainda o Filanbanco e o Deportivo Quevedo. Foi um ídolo coral que conquistou o Equador!

Matéria do Jornal O Povo, de agosto de 1978, destacando 5 gols de Paulo César na mesma partida

Apesar de brasileiro, Paulo César considera-se equatoriano. Foi o futebol equatoriano que o abraçou como ídolo, embora nesses anos todos nunca tenha sido esquecido pela torcida do Ferroviário, onde foi um gigante na conquista do título estadual de 1979. Curiosamente, seu nome não é Paulo César, mas até seus filhos o chamam assim. No documento de identidade, seu nome verdadeiro é João Evangelista Santiago Dino. Hoje, aos 64 anos de idade, continua sua vida no Equador, curte os netos, acompanha os jogos de futebol na televisão e, vez por outra, vai ao estádio conferir os jogos do Barcelona de Guayaquil. Como um dos maiores ídolos do clube, é sempre reverenciado pelos torcedores e homenageado pela direção da equipe. No final do ano passado, foi ovacionado pelo estádio em mais uma homenagem. O Almanaque do Ferrão achou o vídeo desse momento histórico para o Barcelona de Guayaquil e para o ex-goleador do Ferroviário Atlético Clube. Confira as imagens abaixo até o final e você verá o grande artilheiro Paulo César em sua fase ´vovô garoto`, super querido e eternamente lembrando pelos equatorianos, segurando a sua eterna camisa 9.

GOL DE LUIZINHO DAS ARÁBIAS NO CAMPEONATO CEARENSE DE 1985

O Almanaque do Ferrão conseguiu resgatar o vídeo com um lance raro de Luizinho das Arábias pelo campeonato cearense de 1985, ano em que o eterno ídolo coral foi o artilheiro da competição com 24 gols, travando uma disputa emocionante com o centroavante Bill, do Atlético Goianiense, pelo título máximo de goleador dos Estaduais pelo país. O jogo da imagem acima aconteceu em agosto daquele ano, contra o Calouros do Ar, no Estádio Presidente Vargas, que tinha uma péssima iluminação artificial, local onde o goleador coral deixou sua marca na vitória de 3×1, com Foguinho e Arnaldo marcando os outros gols. Luizinho das Arábias, mesmo jogando com a cabeça enfaixada em razão de um corte durante a partida, testou a bola de cabeça e marcou um belo tento, saindo para comemorar da forma clássica que o marcou no futebol. Vale a pena recordar!

VOLTE NO TEMPO E CONFIRA A REAPRESENTAÇÃO CORAL EM 1989

Janeiro sempre foi tradicionalmente um mês de início de preparativos para uma nova temporada. Hora de reapresentação do elenco, da chegada de novos reforços e de renovação das expectativas em busca de vitórias em campo e conquistas importantes. Nesse retorno de ano novo, o Almanaque do Ferrão convida você a viajar no tempo até janeiro de 1989 e recordar a volta às atividades profissionais do então campeão cearense de futebol, que trazia Erandy Pereira Montenegro como treinador e o atacante Cacau, ex-Guarany de Sobral e Ceará, se apresentando pela primeira vez no Elzir Cabral, ele que mais tarde escreveria seu nome na história como artilheiro máximo do Estadual daquele ano. Uma boa oportunidade também para ver, de forma pioneira nesse espaço, um descontraído Vicente Monteiro, que ocupava a direção de futebol. Além da divulgação da contratação de Cacau, o lateral esquerdo Marcelino, ex-Fortaleza e Guarany de Sobral, também é anunciado, porém dias depois a negociação foi cancelada. Curta por enquanto essa raridade e aguarde muitas novidades na temporada 2016 do nosso blog.

TREINADOR NO BICAMPEONATO FOI TAMBÉM ARTILHEIRO NO FERRÃO

A última vez que o Ferroviário conquistou um campeonato cearense foi em 1995. Mês que vem, o maior jejum de títulos da história coral completa 20 anos. O treinador naquela inesquecível conquista era o pernambucano Ramon Ramos, um ex-atacante que vestiu a camisa de clubes importantes do futebol brasileiro. Pouca gente lembra que onze anos antes, aos 34 anos de idade, Ramon disputou o campeonato cearense de 1984 como jogador do Ferrão, onde comprovou seu faro de artilheiro marcando 18 gols em 27 partidas. O vídeo acima é um documentário sobre o ex-atleta e ex-treinador coral, no qual Ramon cita o Tubarão da Barra como o penúltimo clube em sua carreira e o primeiro trabalho como comandante técnico, iniciando a função como auxiliar de Caiçara, em 1985, no próprio Ferroviário. Se você quer saber um pouco mais sobre a trajetória no futebol daquele que entrou pra história como o treinador do bicampeonato coral, essa é uma excelente oportunidade. Vale a pena conferir porque o material é excelente.

O DIA QUE O ATAQUE CORAL FOI MAIS EFICIENTE QUE O DA ALEMANHA

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Cacau: artilheiro coral em 1989

Todo mundo lembra do massacre alemão em cima da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014. Entre os 23 e 29 minutos do primeiro tempo, saíram 4 gols alemães. Sem dúvida, os 6 minutos mais humilhantes do futebol nacional. A ira do ataque da Alemanha remete à situação semelhante ocorrida com o Ferroviário Atlético Clube no campeonato cearense de 1989. Foram 4 gols corais em apenas 5 minutos contra o Quixadá, no dia 8 de julho daquele ano. Depois de um primeiro tempo em branco, o Ferrão voltou para o segundo tempo em ritmo arrasador e conseguiu o feito de já vencer por 4×0 aos 5 minutos da etapa final. Aos 9 minutos, mais um gol, o último da goleada de 5×1. Algo memorável, histórico e impressionante. O jogo aconteceu no Estádio Elzir Cabral e o Tubarão da Barra contava com o atacante Cacau, artilheiro do certame, que assinalou 3 tentos naquela tarde. Os outros foram marcados pelo ponta esquerda Edelvan, ex-Santos/SP, e pelo ponta direita Mardônio.

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Vanderley Paiva

Treinado por Vanderley Paiva, um ex-meia consagrado no país por belíssimas atuações com as camisas do Atlético/MG, Ponte Preta/SP e Palmeiras/SP na década de 70, o Ferroviário formou naquele jogo histórico com o futebol de Barbiroto, Silmar (Caetano), Arimatéia, Djalma (Luís Carlos Gaúcho) e Marcelo Veiga; Juarez, Lira e Jacinto; Mardônio, Cacau e Edelvan. O Quixadá, do conhecido técnico José Leudo, foi massacrado com Dedé, Euritônio, Neto, Zuca e Roberto; Batista (Newton), Ribas e Ernando (Armando); Rildo, Betinho e Rivando, que marcou o gol de honra do time da terra da galinha choca. Foi o jogo 2.291 da história coral, que contou com um público pagante de 1.060 pessoas e teve Dacildo Mourão como árbitro. O Almanaque do Ferrão recuperou o áudio daquela incrível performance do ataque coral. Escute abaixo a sensacional narração de Cleiton Monte pela Rádio Assunção 620 AM de Fortaleza. É simplesmente de arrepiar. São 4min17s de pura emoção.

A DESCOBERTA DO MAIOR GOLEADOR E RECORDISTA EM NÚMERO DE JOGOS

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Foto histórica do Ferroviário com Manoelzinho e Macaco perfilados na equipe formada em 1955

Um dos principais méritos do Almanaque do Ferrão foi a descoberta de informações desconhecidas na história do clube a partir do levantamento detalhado de todas as fichas técnicas de seus jogos oficiais e amistosos em oito décadas de existência. Até 2013, ano da publicação da pesquisa, era impossível afirmar, por exemplo, o recordista coral em número de jogos e o maior goleador do Tubarão da Barra em todos os tempos. Curiosamente, os dados mostraram que esses dois nomes jogaram na mesma formação coral durante boa parte dos anos 50 e aparecem na foto acima em uma das várias escalações do Ferroviário naquela década, mais precisamente em 1955.

O piauiense Manoelzinho (Manoel David Machado) defendeu as cores corais entre 1946 e 1962, o que lhe valeu a honra de atuar 403 partidas no período e ser o jogador que mais vezes vestiu a gloriosa camisa do Ferrão. Atuou em todas as posições da defesa e sempre foi um  nomes mais respeitados da trajetória coral, mesmo antes da descoberta de seu recorde. Outro nome a ser sempre reverenciado é o atacante Macaco (José Maria de Araújo), também piauiense, que jogou entre 1952 e 1959, assinalando 115 gols no período. Ambos na foto acima. Ambos para sempre na história. Os dados completos de todos os 1.956 jogadores da história coral você encontra na versão impressa do almanaque. Os dados dos principais recordistas você encontra aqui mesmo no blog.