FERRÃO PEGA O GLOBO/RN APENAS PELA TERCEIRA VEZ NA HISTÓRIA

O adversário do Ferroviário Atlético Clube na quarta rodada da Série C do Brasileiro 2019 é um time potiguar fundado apenas em 2012. Portanto, há pouquíssimos jogos entre o Tubarão da Barra e o Globo/RN no histórico de ambos. Apenas dois confrontos foram registrados na Copa do Nordeste de 2018, sendo um empate em Fortaleza e uma vitória do Globo no Rio Grande do Norte. Nas duas partidas, o Ferrão utilizou uma equipe mista, pois priorizava o campeonato cearense e a Copa do Brasil no ano passado. Repare na escalação coral que empatou em 0x0 no dia 21 de Fevereiro de 2018 no PV: Léo, Batata, Afonso, Dilsinho e Erick Daltro (Iranilson); Liniker, Glauber, Diego Silva e Clemer (Wladimir); Romário e Roney (Rodrigo Rodrigues). Desse time, apenas o zagueiro Afonso estará presente no jogo dessa semana pelo campeonato brasileiro. Nenhum outro da escalação acima permaneceu no elenco de 2019. Será que o Ferrão vence o Globo/RN pela primeira vez na história? Por enquanto, fiquemos com os melhores momentos do jogo do ano passado realizado em Fortaleza.

NO RETORNO DA CAMISA PRETA, FERRÃO REEDITA VITÓRIA DE 1982

Paulo Velozo e Marcelo Vilar em Recife

Sem vestir em campo o uniforme preto desde a temporada de 2013, o Ferroviário adotou novamente a referida cor em sua terceira camisa ontem contra o Náutico de Recife. Nos últimos seis anos, o clube chegou a adotar o dourado e um estranhíssimo laranja em seu terceiro uniforme, que acabou indiretamente homenageando o gênio do futebol Johan Cruijff no dia do seu falecimento. Entretanto, nenhuma das experiências anteriores conseguiram ser mais elegantes e vistosas que a bela criação preta da fornecedora BM9 para a atual temporada. E a nova camisa deu sorte! Jogando no estádio dos Aflitos novamente, algo que não acontecida na vida coral desde 1983, o time coral reeditou o feito da equipe de 1982 e bateu o Naútico/PE dentro de seus domínios em uma competição nacional. Se naquela oportunidade foi a vez de nomes como Barbiroto, Jorge Henrique, Meinha, Paulo César Cascavel e Roberto Cearense, agora foi a vez de Nicolas, Michael, Janeudo, Caxito e Léo Jaime. Em 2019, o Tubarão da Barra derrotou o Náutico/PE exatamente como o time de 1982. Foi 3×2 no passado e 1×0 no presente! O dia foi genuinamente coral em Recife. Teve até visita do ex-atacante Paulo Velozo, super campeão estadual em 1970 com a camisa coral, que visitou o clube no hotel, almoçou com os dirigentes corais, posou para fotos, inclusive uma específica com o competente treinador Marcelo Vilar, e foi ao estádio ver o time que defendeu ao vivo depois de longos anos. Esse é pé quente! E assim segue a vida coral, reverenciando o seu passado e construindo sempre um presente sólido de olho num futuro melhor. Abaixo, uma belíssima foto do Ferroviário de 2019 no estádio dos Aflitos na volta triunfal da camisa preta.

Ferroviário contra o Náutico em 2019 com camisa preta – Atletas em pé: Nicolas, Osvaldir, Afonso, Da Silva e Gleidson; Agachados: Caxito, Michael, Janeudo, Leanderson, Mazinho e Léo Jaime

LÉO JAIME VOLTA A MARCAR UM GOL PELO FERRÃO DEPOIS DE 10 ANOS

Em sua reestreia com a camisa do Ferroviário, o atacante Léo Jaime voltou a marcar um gol com a camisa coral depois de dez anos. Foi o segundo gol da grande vitória coral por 3×0 em cima do Santa Cruz/PE no domingo passado. A última vez que ele havia balançado as redes adversárias, defendendo o Tubarão da Barra, foi no dia 28 de março de 2009. Na ocasião, o Ferrão derrotou o Icasa por 2×0 no estádio Elzir Cabral em jogo válido pelo 2º turno do campeonato cearense. Léo Jaime anotou o segundo gol da partida depois que o atacante Wescley abriu o placar em jogada do próprio Léo Jaime pela esquerda. Depois, Léo Jaime comemorou o gol nos braços da mascote Tutuba, que também reestreou contra o Santa Cruz no Castelão. Acima, o vídeo do gol da reestreia. Abaixo, o que era até domingo o último gol do baixinho coral no Ferrão, que na última década ganhou o mundo e vestiu as camisas do Bragantino/SP, São Caetano/SP e Caxias/RS, além do Daegu FC da Coreia do Sul.

EX-GOLEIRO É HOMENAGEADO EM LANÇAMENTO DE PRODUTO OFICIAL

Ex-goleiro Marcelino é o número 1 na linha de copos colecionáveis lançada pelo marketing coral

Aos poucos, a nova direção de marketing do Ferroviário vai marcando seus gols. Depois do lançamento de um novo programa de sócios e de uma ação em rede social que captou recursos para a contratação do atacante Léo Jaime, chegou a vez do lançamento de copos colecionáveis homenageando grandes expoentes que fizeram parte do passado do clube. E o primeiro homenageado é o ex-goleiro Marcelino, que já  foi merecedor de algumas postagens aqui no blog alusivas a seu recorde particular de 1.295 minutos sem sofrer gols no arco coral na temporada de 1973. O objetivo da série  de copos “Legendários” é rememorar feitos únicos e exclusivos de cada atleta homenageado, que não tenha acontecido com nenhum outro dos mais de 2.000 jogadores que passaram pelo clube em 86 anos de glórias. Os copos serão comercializados em quantidade limitada exclusivamente na entrada dos torcedores  no estádio durante os jogos do Ferrão na Série C do campeonato brasileiro. A venda do primeiro copo ocorre no próximo domingo no jogo Ferroviário x Santa Cruz/PE. Algo  definitivamente inédito na vida do clube, que recentemente abriu sua primeira loja.

Registro do goleiro Marcelino voando para fotografia no campo do Ferroviário na década de 1970

O site oficial do Ferroviário apresentou uma matéria sobre o feito do ex-goleiro Marcelino, justificando a sua condição de Legendário. A série sem sofrer gols do arqueiro coral em 1973 começou em 18 de fevereiro daquele ano, quando o Ferrão venceu o Quixadá por 4×0 no PV e Marcelino passou seus primeiros 90 minutos sem sofrer gols. Com a promessa da direção coral em dar-lhe de presente um carro zero quilômetro em caso de quebra do recorde nacional, Marcelino viu seu sonho frustrado no dia 10 de junho daquele ano quando o atacante Ibsen marcou um gol com a camisa do Maguari e, em seguida, pediu-lhe desculpas por estragar o sonho do goleiro coral. No futebol brasileiro, trata-se da quarta melhor marca até hoje. O fato mereceu destaque inclusive na revista Placar na edição de 15/6/1973. O primeiro lugar pertence a Mazaroppi, do Vasco/RJ, com seus 1.816 minutos em 1977. Jorge Reis e Neneca, ambos já falecidos, estão também à frente da marca histórica de Marcelino. No futebol cearense, o ex-goleiro do Ferrão merecia uma estátua pelo feito. Abaixo, o Almanaque do Ferrão recorda todos os jogos que marcaram a incrível sequência de minutos do ex-goleiro Marcelino sem sofrer gols, algo nunca mais visto no futebol cearense e raramente visto no futebol mundial hoje em dia, o que torna ainda mais o recorde de Marcelinho simplesmente legendário sob todos os aspectos. Merecida homenagem!

Jogo 01 – 18/02/1973 – Ferroviário 4×0 Quixadá – PV – Campeonato Cearense
Jogo 02 – 25/02/1973 – Ferroviário 2×0 Calouros – PV – Campeonato Cearense
Jogo 03 – 11/03/1973 – Guarany 0x2 Ferroviário – Junco – Campeonato Cearense
Jogo 04 – 25/03/1973 – Ferroviário 1×0 Fortaleza – PV – Campeonato Cearense
Jogo 05 – 28/03/1973 – Ferroviário 0x0 Icasa – PV – Campeonato Cearense
Jogo 06 – 04/04/1973 – Ferroviário 4×0 Tiradentes – PV – Campeonato Cearense
Jogo 07 – 08/04/1973 – Ferroviário 0x0 Ceará – PV – Campeonato Cearense
Jogo 08 – 15/04/1973 – Ferroviário 1×0 América – PV – Campeonato Cearense
Jogo 09 – 25/04/1973 – Ferroviário 0x0 Maguari – PV – Campeonato Cearense
Jogo 10 – 06/05/1973 – Ferroviário 2×0 Ceará – PV – Campeonato Cearense
Jogo 11 – 13/05/1973 – Ferroviário 0x0 Fortaleza – PV – Campeonato Cearense
Jogo 12 – 20/05/1973 – Icasa 0x1 Ferroviário – Romeirão – Campeonato Cearense
Jogo 13 – 27/05/1973 – Ferroviário 1×0 Guarani – PV – Campeonato Cearense
Jogo 14 – 02/06/1973 – Ferroviário 2×0 Quixadá – PV – Campeonato Cearense

Aos 35 minutos do segundo tempo, no dia 10 de Junho de 1973, Marcelino sofreu o gol de Ibsen do Maguari naquele que já era o 15º jogo da série sem sofrer gols, totalizando os históricos 1.295 minutos que foram eternizados na história do lendário Marcelino. Por fim, vale sempre a pena recordar um vídeo produzido pela então direção de comunicação do clube há seis anos passados, quando uma equipe de jovens jornalistas entrevistou e produziu uma matéria com o próprio ex-goleiro coral. Assista!

MAIS UM ESTADUAL E O FERROVIÁRIO DE 1968 SEGUE O ÚLTIMO INVICTO

Expresso Coral sobre o título de 1968

Hoje, o Fortaleza fez 2×0 no Ceará no primeiro jogo da final do campeonato cearense de 2019. O alvinegro seguia invicto na competição e havia sério risco de finalmente vermos quebrada a hegemonia do Ferroviário campeão cearense de 1968, reconhecido há 51 anos no futebol alencarino como o ´último invicto`. Nesse quesito, as chances do Ceará nesse ano aumentaram ainda mais porque ele, e o Fortaleza, só entraram na disputa do Estadual após os jogos de oito clubes pelo primeiro turno, fruto de um calendário nacional mais desorganizado do que nunca e que acaba desnivelando o princípio da equidade entre as equipes que disputam a mesma competição, algo tão básico e extremamente necessário para a justiça nos resultados esportivos. Onze anos atrás, a então revista oficial do clube, a Expresso Coral, trazia em suas páginas uma ampla revisão sobre o último título invicto do futebol cearense. Pelo visto, a já rara edição da publicação continua mais atual do que nunca. Além disso, Ruy do Ceará e José Rego Filho, lendários dirigentes corais naquela memorável façanha, vão poder continuar tomando banho de piscina tranquilamente. Merecidamente.

Ruy e José Rego: a tranquilidade de quem só observa os adversários tentarem, tentarem, tentarem

A NOITE QUE O FERRÃO COLOCOU O TODO PODEROSO TIMÃO NA RODA

Goleiro Cássio do Corinthians/SP amargou duas bolas na rede dos pés de Edson Cariús

Quem assistiu ontem Ferroviário x Corinthians/SP pela Copa do Brasil testemunhou uma apresentação histórica e memorável sob todos os aspectos do Tubarão da Barra. Pelo regulamento da competição, o time paulista passou para a segunda fase com o empate em 2×2 e eliminou o Ferrão, porém o que ficará na lembrança será sempre a extraordinária apresentação coral dentro de campo, sem dúvida uma das mais gigantescas da história de um time que completará 86 anos de existência no próximo mês de maio. Foi bonito ver o Ferroviário colocar um dos maiores clubes do mundo na roda em vários momentos do jogo, construir e perder oportunidades, marcar dois gols através do ídolo Edson Cariús e mostrar ao país inteiro, através da transmissão do SporTV, as credenciais de um time que levantou três taças em apenas cinco meses, entre elas a do inédito título de campeão brasileiro na temporada passada.

Volante Mazinho do Ferroviário atento à marcação do atacante Vagner Love do Estádio do Café

Envolto à polêmicas por conta da venda do mando de campo por 450 mil Reais para a cidade de Londrina, reduto corintiano no Paraná, o Ferrão recebeu muitas críticas sobretudo daqueles incapazes de compreender a situação financeira cruel pela qual passa a imensa maioria das equipes menores do futebol brasileiro. É sempre fácil criticar em nome do que parece óbvio e condenável. Difícil é compreender os custos de um time de futebol que tem a árdua missão de pelo menos se manter na Série C nacional para que não volte tão cedo a comer o pão que o diabo amassou no calendário brasileiro. Quem critica a venda do mando de campo deveria também levantar a voz para a excrecência da disparidade e do protecionismo das cotas de TV no futebol brasileiro que acarretam todo tipo de desnível esportivo e econômico entre as equipes. E o Ferroviário é vítima desse absurdo ao receber infinitamente menos que Ceará e Fortaleza, por exemplo, em se tratando apenas ao âmbito do campeonato estadual. Enfim, o fato é que os jogadores corais deixaram de lado a polêmica do local do jogo e mostraram que o time invariavelmente cresce em grandes jogos.

Edson Cariús: artilheiro e ídolo do Ferrão

Em alguns momentos da partida, os jogadores do Corinthians chegaram a fazer cera pra deixar o tempo passar. Torcedores de vários times do Brasil começaram a elogiar  e desejar vários atletas corais nas redes sociais. Edson Cariús virou trending topic no Twitter para a inveja de Messi, Cristiano Ronaldo e Mauro Shampoo. Na noite que o treinador Marcelo Vilar reencontrou seu ex-atleta e atual técnico corintiano Fábio Carille, o Ferrão foi escalado com o futebol de Gleibson, Gustavo, Luis Fernando, Da Silva e Fernandes (Jean); Mazinho, Leanderson (Emerson Catarina), Janeudo e Enercino (Isaac); Klenisson e Edson Cariús. O Corinthians empatou com Cássio, Fágner, Manoel, Henrique e Danilo Avelar; Ralf, Ramiro (Mateus Vital), Sornoza e Jadson; Vagner Love (Pedrinho) e Gustavo (Mauro Boselli). Esse empate foi apenas o segundo jogo entre Ferroviário e Corinthians na história do futebol brasileiro. Com uma diferença de quinze anos entre os dois jogos, uma coisa se pode ter total certeza: se o jogo de 2004 ficou lembrado pela fragilidade da equipe coral diante de um time muito mais qualificado, o de 2019 será sempre lembrado como o dia que o Ferrão botou o todo poderoso timão na roda . Sim, porque simplesmente há jogos que você acaba vencendo mesmo quando perde ou empata.

DEPOIS DE 24 ANOS, FERRÃO VOLTA A LEVANTAR UMA TAÇA NO CASTELÃO

Depois de um início complicado em 2019, o Ferroviário engatou duas vitórias no campeonato cearense e levantou a moral na temporada. Domingo passado, o time coral enfrentou o Ceará pela Taça dos Campeões e, mesmo com a folha salarial milionária do adversário, o Ferrão fez 1×0 e voltou a levantar uma taça no Castelão depois de 24 anos. A última vez havia sido em dezembro de 1994. O vídeo acima com as imagens da TV Verdes Mares eterniza mais uma conquista do Tubarão da Barra. Aos 41 minutos do primeiro tempo, o zagueiro Da Silva, de cabeça, marcou o gol que garantiu mais um troféu para o memorial que está sendo construído na Barra do Ceará. Depois de conquistar um campeonato brasileiro em agosto e uma copa estadual em novembro, esse foi o terceiro título coral em apenas cinco meses. Nada mal para quem vivia um jejum de mais de duas décadas. O momento é coral! E que esse momento seja bem aproveitado para uma consolidação do novo patamar no cenário nacional.