O ESTÁDIO ELZIR CABRAL: O QUE É HOJE E O QUE ERA PRA TER SIDO

Projeto arquitetônico do Estádio Elzir Cabral apresentado pela diretoria coral no ano de 1967

Esse era o planejamento inicial do Estádio Elzir Cabral no projeto produzido em 1967, uma época onde o futuro de qualquer clube passava obrigatoriamente pela construção do próprio patrimônio. Mais de 50 anos depois, o local nunca chegou nem perto de apresentar uma estrutura próxima da que foi inicialmente idealizada. As arquibancadas de concreto, por exemplo, só tornaram a ser realidade em meados dos anos 1980, com o apoio de dinheiro público autorizado pelo Governador Gonzaga Mota, o que finalmente proporcionou a inauguração oficial do primeiro estádio particular no Ceará em março de 1989, portanto mais de 20 anos depois do grande sonho da época.

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Registro fotográfico do Estádio Elzir Cabral para produção de cartão postal no ano de 1987

Já a imagem acima data de 1987, portanto há mais de 30 anos. Nota-se uma clara diferença em relação ao projeto inicial concebido duas décadas antes. Tanto tempo depois, esta continua a ser a atual estrutura física do Ferroviário, com algumas mudanças pontuais: a pista de atletismo não existe mais e o campo oficial foi transferido de lugar para dar espaços a outros gramados menores visando escolinhas e treinos específicos. Pensar o Ferroviário para mais 30 anos é abrir mão do sonho de 1967 e adaptar o atual espaço para a lógica de um Centro de Treinamentos e de Formação de Atletas. Não é possível retroceder no tempo e imaginar o Elzir Cabral como um estádio propriamente dito, por mais que os custos de uma partida de futebol tenham sido elevados em níveis estratosféricos. O futuro começa a cada decisão do presente e a comparação entre as fotos mostram que praticamente o clube não saiu do lugar na construção de seu estádio em meio século. Que se pense em CT para o local.

MAZINHO LOYOLA SURGIA NO FERRÃO EM NOVEMBRO DE 1987

Há exatos 30 anos, a imprensa cearense dedicou pela primeira vez uma reportagem especial ao atacante Mazinho Loyola. Cria das categorias de base do Ferroviário, ele começava a surgir na equipe profissional durante as disputas do campeonato brasileiro de 1987. Em jogo realizado no Estádio Presidente Vargas, o Tubarão da Barra bateu o América/RN por 1×0, exatamente com um gol do jovem atleta coral, que teve oportunidade no time titular através do técnico Erandy Pereira Montenegro. Confira no vídeo acima a matéria da TV Verdes Mares dando o devido destaque a Mazinho Loyola, a primeira matéria de uma série de muitas que o atleta acumulou na carreira. Naquele domingo de novembro, o Ferrão venceu com Wálter, Laércio, Arimatéia, Kléber e Edson; Zé Alberto, Mardoni (Osmar) e Wiltinho; Mardônio, Mazinho Loyola e Marcos Duque. O time potiguar, sob o comando do treinador Caiçara, perdeu com Hélio Show, Alípio (Joel), Edson, Medeiros e Baeca; Baltazar, Valério e Baíca; Henrique, Silva e Cacauzinho (Sérgio Cabral).

ESTREIA DO FERRÃO CONTRA O MARANHÃO NO BRASILEIRO DE 1987

O Almanaque do Ferrão volta trinta anos no tempo e recorda em vídeo a estreia do Ferroviário no polêmico campeonato brasileiro de 1987, que foi estruturado pela CBF em quatro módulos com as cores da bandeira brasileira. O time coral esteve no Módulo Branco, numa chave formada com Maranhão/MA, Sampaio Correa/MA e Serrano/BA. O primeiro jogo do Ferrão na competição ocorreu exatamente num 18 de outubro como hoje, no PV, numa bela tarde de domingo. O adversário foi o Maranhão e o Tubarão da Barra venceu pelo placar de 2×0, gols de Narcélio e Zé Alberto. Valdir Elias Coelho foi o árbitro do jogo, que contou com um público pequeno de 659 pagantes.

Zé Alberto: gol

Treinado por Erandy Montenegro, o Ferrão formou com Wálter, Laércio, Arimatéia, Renato e Kléber; Zé Alberto, Wiltinho (Ronaldinho) e Mardoni (Adalberto); Mardônio, Narcélio e Edson. O time maranhense, comandado por Garrinchinha, perdeu com Juca Baleia, Serginho, Uberaba, Eduardo e Neto; Batista, Tica e Daniel; Válter (Davi), Bacabau e Chiquinho (Vander). O Ferroviário se classificou bem em sua chave, mas caiu na segunda fase da competição ao ser desclassificado pelo América/RN após 3 confrontos decisivos. Narcélio, autor do primeiro gol do Ferrão no Brasileiro de 1987, já faleceu há alguns anos. No banco daquela equipe, um jovem atacante aguardava oportunidade para figurar entre os titulares. Seu nome: Mazinho Loyola, que acabou sendo aproveitado com destaque nas rodadas seguintes.

ÁUDIO COM A NARRAÇÃO DOS GOLS DE UMA VITÓRIA DO FERRÃO EM 1987

Quer entrar no nosso túnel do tempo e ouvir a narração de dois gols do Ferroviário Atlético Clube no ano de 1987? Aperte o botão acima e volte até a noite de 11 de junho daquele ano. Com a narração de Júlio Sales e reportagem de Ari Bezerra, que compunham a equipe esportiva da extinta Rádio Uirapuru de Fortaleza, escute os gols do meia esquerda Carioca e do ponta direita Mardônio, na vitória por 2×0 em cima do Quixadá, no PV, pelo campeonato cearense. Foi o jogo 2.181 da história coral. Treinado por Erandy Pereira Montenegro, o Tubarão da Barra formou com Walter, Laércio, Arimatéia, Léo (Renato) e Ramos; Edson, Mardoni (Narcélio) e Carioca; Mardônio, Ilo e Carlos Antônio. O Quixadá, do técnico Dema, perdeu com Semilson, Barbosa, Evilásio, Neto e Roberto; Batista (Ivan), Ernando e Rivando; Rildo, Cícero Ramalho e Gilson. Dacildo Mourão foi o árbitro do jogo, que teve um público pagante de 1.161 pessoas.

DESCOBRIMOS POR ONDE ANDA O EX-PONTA DIREITA CARDOSINHO

Ex-atacante Cardosinho, que atuou no Ferrão entre 84 e 87, mora há quase trinta anos na Europa

Seu nome de batismo é Francisco Nascimento Macedo, mas foi com o nome de Cardosinho que ele fez a alegria das torcidas do Moto Clube/MA e do Ferrão. Maranhense nascido em 17/12/1960, atuava como ponta, uma das posições infelizmente extintas no futebol moderno. Jogava tanto pelo lado direito, como pelo esquerdo. Foram 112 jogos com a camisa coral no total, entre 1984 e 1987, com 26 gols marcados. Estreou no Tubarão da Barra num amistoso contra a Seleção de Mucuri, disputado no estadinho do Terra e Mar, em 15/4/1984. No dia 7/8/1987, despediu-se do Ferrão na derrota por 3×2 para o Fortaleza, no Castelão, uma sexta à noite que marcou a desclassificação coral no campeonato estadual daquela temporada. No ano seguinte, Cardosinho atravessou o Atlântico e foi jogar em Portugal. Nunca mais voltou. Parou como profissional faz tempo, mas até 2012 disputava regularmente o campeonato português amador para homens acima de 50 anos de idade. E já se vão quase três décadas na Europa.

Cardosinho em 1987

A partir de 2013, Cardosinho passou a viver uma nova experiência em sua vida profissional. Deixou Portugal, onde fixou residência, e foi trabalhar numa das regiões mais bonitas do velho continente, exatamente na região dos alpes franceses, onde sinal de Internet é coisa rara e complica bastante o contato com os familiares. Como hábito, não deixa a bola de lado, e quatro vezes por semana joga futebol com os colegas de trabalho na França. O ex-atacante coral tem um filho que há alguns anos busca a carreira do pai. Seu nome é Diego Macedo, ex-jogador do Braga de Portugal e que recentemente disputou a divisão de honra do futebol Francês pelo St-Leu D’esserent. Atualmente, faz estágio para se profissionalizar no Chambly F.C, também da França. Boa sorte pro filho! O pai, Cardosinho, já teve lances postados da temporada de 1987 aqui no blog, mas vale a pena repetir abaixo como homenagem o gol de falta que ele marcou no campeonato cearense de 1985, numa vitória de 1×0 em cima do Fortaleza. Já disponibilizamos também o áudio com um gol olímpico que ele marcou contra o mesmo adversário, em outra partida daquela competição, além de entrevistas de vestiário com a participação de Cardosinho diretamente do túnel do tempo. Vale a pena recordar cada uma dessas matérias antigas e compreender ainda mais o objetivo do Almanaque do Ferrão, que é o de não deixar, acima de tudo, que nomes como o de Cardosinho caiam no esquecimento da memória coral.

GOLAÇO DO MEIA MARDONI CONTRA O CEARÁ NO ESTADUAL DE 1987

Mardoni foi um meia experiente que jogou 68 partidas pelo Ferroviário entre 1986 e 1987. Oriundo do Central de Caruaru, ele havia vestido a camisa do Palmeiras/SP, entre outras equipes do futebol paulista. Exatamente num 21 de junho como hoje, ele marcou um golaço com a camisa coral no Castelão, um dos mais bonitos do campeonato cearense de 87. Era o jogo 2.183 da nossa história, clássico contra o Ceará naquele domingo à tarde. O alvinegro abriu o placar no início da partida com o centroavante Mauro Portaluppi, mais famoso por ser irmão do ponta direita Renato Gaúcho, estrela do Flamengo/RJ na ocasião, do que propriamente por suas qualidades dentro da área. Mardoni empatou com um verdadeiro golaço, denominado de puxeta pelo narrador Aderbal Bezerra, embora o lance esteja plasticamente mais para um belo voleio. O Almanaque do Ferrão mexeu nos arquivos e recuperou aquele lance brilhante. Assista!

Veterano Mardoni em 1987

O jogo teve Dacildo Mourão como árbitro e Erandy Montenegro no comando técnico do Ferrão, enquanto que o folclórico e viril ex-zagueiro Moisés Matias como treinador do Ceará. Recorde a escalação coral: Walter, Laércio, Arimateia, Léo e Kléber (Narcélio); Zé Alberto, Edson e Carioca; Mardônio, Ilo (Mardoni) e Carlos Antônio. O adversário formou com o futebol de Washington, Reidene, Gilmar Furtado, Argeu e Bezerra; Oliveira Canindé, Índio e Erasmo; Rudinei, Mauro Portaluppi (Victor) e Bebeto (Wanks). O público teve 14.119 pagantes. Dois meses depois, o campeonato estadual chegava a seu final com o Fortaleza campeão em cima do Ceará. O Ferroviário terminou na terceira colocação apesar de campanha instável durante a competição.

EX-JOGADOR CARLOS ANTÔNIO RECEBE O ALMANAQUE DO FERRÃO

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Carlos Antônio em foto de 2015

Carlos Antônio, ex-jogador do Ferroviário entre 1985 e 1988, saiu na foto com os olhos fechados, mas o que vale é o registro. Ele hoje é treinador das categorias de base do Madureira/RJ e recebeu um exemplar do Almanaque do Ferrão das mãos de Jackson Sala, biógrafo do eterno ídolo coral Luizinho das Arábias. Carlos Antônio e Luizinho sempre foram muito amigos, inclusive coube ao ídolo a indicação do ponta esquerda ao ex-presidente Caetano Bayma. Foram 127 jogos e 21 gols marcados com a camisa do Tubarão da Barra. Carlos Antônio se destacou notadamente no ano de 1987 com brilhantes apresentações.