A MISSÃO QUASE IMPOSSÍVEL DO GOLEADOR CABINHO NO FERRÃO

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Cabinho em 1986 no Castelão

Ele chegou na última semana de março de 1986 com uma missão quase impossível: fazer a torcida coral esquecer o ídolo Luizinho das Arábias, que anunciara subitamente sua transferência para o XV de Jaú no futebol paulista. Estamos falando do atacante Cabinho, ídolo da torcida do Paysandu no futebol paraense, contratado a peso de ouro junto a Ponte Preta/SP. No Pará, ele havia sido artilheiro maior nos estaduais de 1982 e 1984 com 12 e 21 gols respectivamente. Chegou para o Ferrão com todas as credenciais de grande artilheiro, mas marcou apenas 1 gol no curto período que permaneceu no clube, realizando apenas 8 jogos com a gloriosa camisa coral.

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Cabinho em foto recente do G1

Aquiles Fernando Kupfer é o nome completo de Cabinho. Depois da rápida estada no Ferroviário, voltou para o seu ninho no Paysandu e foi novamente artilheiro, em 1987, com 24 gols. Chegou a jogar ainda na Portuguesa/SP depois de seu novo sucesso no futebol paraense. Defendeu também as camisas do Velo Clube/SP e da Desportiva/ES. Sempre será lembrado como goleador no futebol brasileiro, embora não tenha tido sorte no Ferroviário. Tentou a carreira de treinador depois que pendurou as chuteiras, mas desistiu. Hoje, aos 55 anos, administra um posto de gasolina situado às margens da BR-163 no Pará.

O TÍTULO DE VICE DO TORNEIO OTÁVIO PINTO GUIMARÃES

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O vice-campeão do torneio chancelado pela CBF: Zé Alberto, Edson, Léo, Renato, Serginho e Carlos Alberto; Mardônio, Carlos Antônio, Cardosinho, Wiltinho e Ronaldinho

A foto acima foi tirada na final do Torneio Otávio Pinto Guimarães, competição que levou o nome do então presidente da CBF e que foi chancelada para dar movimentação a vários clubes nordestinos que ficaram – pasmem – 2 meses sem competições oficiais no final de 1986. Como se percebe, os tempos hoje são outros. Há clubes, como o próprio Ferroviário, que chegam a ficar 9 meses parados sem jogos oficiais e o fato é visto como ´normal` por grande parte do público. É apenas a morte lenda e gradual dos times mais tradicionais do país, obrigados a encarar um calendário extremamente excludente e criminoso.

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Cícero Ramalho no Potiguar antes de ser contratado

A penúria econômica em 86 não era tão diferente da situação atual, tanto é que o Ferroviário disputou a competição com a grande maioria do elenco formado nas bases. Mardônio, Ronaldinho, Carlos Alberto, Renato, Edson, Wiltinho, Júnior Lemos, Edilson, Luís Carlos, Adalberto, Álber, Rogério e Kléber eram todos recém promovidos ao time profissional, sem falar da presença de um jovem atacante oriundo do Potiguar de Mossoró, que disputou essa competição pelo Ferrão e depois rodou o mundo até voltar e ser campeão oito anos depois. Seu nome: Cicero Ramalho, que marcou sua primeira passagem na Barra do Ceará por não ter feito nenhum gol.

América/RN, Alecrim/RN, Ferroviário, Botafogo/PB, Fortaleza e Campinense/PB disputaram o torneio em jogos de ida e volta. A final foi genuinamente cearense e realizada já em 1987 por falta de datas no calendário da CBF. O Ferrão ficou com o vice-campeonato ao ser derrotado por 2×0 pelo Fortaleza, num jogo atípico onde o time coral lançou Zé Alberto e Cardosinho sem condições regulares de jogo, ciente que perderia os pontos mesmo que vencesse a partida. Coisas do futebol do passado, que era capaz de organizar competições no intuito de movimentar os clubes, mas que permitia dúvidas de natureza ética e jurídica junto ao público quanto à seriedade das disputas.