APÓS MAIS DE TRÊS DÉCADAS, FERRÃO PODE VOLTAR A JOGAR EM LONDRINA

Ferroviário Atlético Clube só atuou uma única vez até hoje no Estádio do Café em Londrina

Pela disputa do Campeonato Brasileiro de 1983, o Ferroviário foi até a cidade de Londrina, no interior do Paraná, para enfrentar o time homônimo no famoso Estádio do Café. O jogo terminou com a vitória dos paranaenses por 3×1, resultado que eliminou o Tubarão da Barra da competição naquela tarde de domingo. Agora, quase quatro décadas depois, o Ferrão pode voltar a atuar no mesmo local e estádio. A direção coral negocia a mudança de mando de campo do jogo contra o Corinthians/SP pela Copa do Brasil para aquela localidade. O argumento é a entrada de recursos financeiros em proporções muito superiores a se o jogo fosse realizado em Fortaleza. Parece algo condenável sob o ponto de vista do futebol romântico, porém algo perfeitamente compreensível para um time que necessita de recursos visando talvez uma das competições mais importantes nas últimas décadas, a Série C do Campeonato Brasileiro a partir de abril, quando o time coral não pode nem pensar em descenso. O fato é que o clube deseja transferir o mando de campo para Londrina, um verdadeiro reduto de torcedores de times paulistas no norte do Paraná. Polêmicas à parte, vamos aguardar o desfecho e conferir se o Ferrão voltará a Londrina tanto tempo depois.

O DOMINGO QUE O CRAQUE BETINHO ELIMINOU O CEARÁ DO CAMPEONATO

De um dezembro do presente para um domingo de dezembro do passado, mais precisamente o de 4 de dezembro de 1983, quando o Ferrão despachou o Ceará do campeonato cearense daquele ano com dois gols do craque eterno Betinho. Recuperamos acima o vídeo da TV Globo com os gols do jogo e por ele é possível perceber como o time coral era azeitado na reta final do certame de trinta e cinco anos atrás. Repare na escalação do jogo: Dário, Laércio, Israel, Nilo e Fraga (Luisinho); Doca, Edson, Paulinho Lamparina e Betinho; Chicão (Paulo César Cascavel) e Jorge Veras. O treinador coral era o já falecido Newton Albuquerque. Preste atenção agora na escala alvinegra, repleta de jogadores rodados em grandes times do futebol brasileiro: Paulo Goulart, João Carlos, Djalma, Eraldo e Everaldo; Alves, Vicente Cruz (Jacinto) e Aloísio Guerreiro; Katinha, Marciano e Zezé (Paulinho). O treinador era o pernambucano Lula, famoso ex-atacante do Internacional/RS e do Fluminense/RJ, que curiosamente era técnico do Ferroviário até três meses antes dessa partida histórica.

Betinho: craque

Também é curioso notar a presença de ex-corais na escalação do Ceará como os meias Vicente Cruz e o craque Jacinto, negociado com o Cruzeiro/MG dois anos antes. Djalma, Everaldo e Alves jogariam ainda no Ferroviário em temporadas seguintes. O goleiro Paulo Goulart e ponta esquerda Zezé tinha sido campeões pelo Fluminense/RJ no campeonato carioca de 1980, Katinha vinha do Vasco/RJ e Marciano era um veterano atacante perigosíssimo com passagem pelo Flamengo/RJ. O Ceará tinha ainda Aloísio Guerreiro, ex-Santos/SP, presente em um dos jogos corais mais memoráveis da história quatro anos antes. O placar desse jogo de 1983 só não foi mais dilatado porque o goleiro alvinegro estava num dia inspirado. Foi a partida 1.991 da história coral e contou com a presença de 13.207 pagantes. Luís Vieira Vila Nova apitou o jogo. Apenas nove dias depois, esse time do Ferroviário acabou ficando com o vice-campeonato estadual ao perder a final para o Fortaleza, que tinha um time considerado o melhor de todos em sua história já centenária. Tempo bom de um futebol cearense cheio de histórias gigantes e maravilhosas.

GOL DE BETINHO QUEBRAVA A INVENCIBILIDADE DO FORTALEZA

Quem conhece a história do futebol cearense já ouviu falar do timaço que o Fortaleza montou para o campeonato cearense de 1983. Aquele elenco é considerado até hoje um dos mais fortes em toda a história do futebol alencarino e a equipe tricolor teve poucas derrotas no certame, que começou no mês de abril. Há exatos 35 anos, somente no mês de novembro, o Fortaleza perdia seu primeiro clássico no Estadual justamente para o Ferroviário, que um mês depois acabou ficando com o vice-campeonato. Depois de revirar nossos arquivos, achamos em vídeo o gol do craque Betinho que garantiu a vitória para o Ferrão por 1×0, que naquela tarde formou com o futebol de Dário, Laércio, Israel, Nilo e Fraga (Luisinho); Doca, Edson e Betinho; Foguinho, Jorge Veras e Paulinho Lamparina (Paulo César Cascavel). O treinador coral era Newton Albuquerque. O Fortaleza, do técnico Paulo Emílio, perdeu com Salvino, Caetano, Pedro Basílio, Tadeu e Clésio; Serginho, Wescley e Marquinho; Edson (Geraldinho), Luizinho das Arábias e Edmar (Hamilton). Desses, Caetano, Clésio e Luizinho das Arábias jogaram depois no Ferroviário. Era o jogo 1.985 da história coral, realizado no Castelão e que contou com um público de 9.971 pagantes. Joaquim Gregório foi o árbitro naquela tarde. Além da vitória, de quebra, o Ferroviário ganhou uma bela taça em homenagem ao aniversário de 10 anos do estádio Castelão.

FERRÃO E TREZE/PB: TRADIÇÃO NA FINAL NA SÉRIE D DO BRASILEIRÃO

Anúncio no Diário do Nordeste convocando a torcida para o jogo da Série A do Brasileirão em 82

O adversário do Ferroviário na grande final da Série D do campeonato brasileiro de 2018 é o Treze/PB. Os dois são velhos conhecidos do futebol nordestino e já se enfrentaram 24 vezes até o momento. O Ferrão leva uma ligeira vantagem no número de vitórias em cima do time paraibano: 10 vitórias, 5 empates e 9 derrotas desde que se enfrentaram pela primeira vez num amistoso na cidade de Fortaleza em 1949. Os finalistas da Série D de 2018 gozam ainda de um grande retrospecto em suas trajetórias históricas: já se enfrentaram 14 vezes em todas as quatro divisões do futebol brasileiro, o que reforça ainda mais a rivalidade entre ambos na grande decisão desse ano. Além da tradicional competição nacional, também já se enfrentaram uma vez pelo Nordestão em 1970, seis vezes em amistosos e três vezes por torneios comemorativos nas décadas de 1950 e 1960. Sem dúvida, temos uma final de Série D de grande representatividade, que se junta a nomes históricos de atletas conhecidos que vestiram os dois tradicionais uniformes como Zé Luiz, Gilson Baiano, Eron, Hélio Show, Manuel de Ferro, Rocha, Ruivo, Ronaldinho, Getúlio, Jangada, Olímpio, Wilson, Gilmar, Hermes, Fernando Canguru, entre outros.

Jorge Veras: 4 gols em 92

Em termos de campeonato brasileiro, como não lembrar do jogo entre ambos pela Série A de 1983 quando o atacante Almir marcou duas vezes na vitória coral por 2×1 no PV em Fortaleza? Dias depois, o Treze devolveu o mesmo placar no jogo de volta realizado em Campina Grande. Um ano antes, o jornal Diário do Nordeste chegou a publicar um anúncio convocando o público para torcer ´Ferrim` no jogo entre ambos no Castelão, em campanha que envolveu também um breve comercial veiculado na TV Verdes Mares narrado por Gomes Farias exatamente a partir do texto do anúncio impresso. O Treze/PB estragou a festa e marcou 2×0 com gols de Wilson e João Paulo. Ao todo, foram 4 jogos pela Série A. Em termos de Série B, houve apenas um jogo, em 1986, na estreia de ambos no campeonato nacional, vencido pelo time paraibano em Campina Grande, que tinha como goleiro o já experiente Jorge Hipólito, velho conhecido do público cearense. Pela Série C foram 7 jogos, talvez o mais inesquecível para a torcida coral tenha sido a partida realizada em 01/04/1992, vitória coral por 5×3 com quatro gols do ídolo Jorge Veras, ele que coincidentemente também esteve presente em campo no jogo pela Série A em 1983. Diga-se de passagem, o Ferrão nunca perdeu para o Treze/PB num jogo de Série C e só na edição de 2006 foram quatro confrontos entre ambos. Na Série D, foram apenas duas partidas até hoje, sendo uma vitória para cada lado. Agora na finalíssima de 2018, teremos mais dois empolgantes jogos. Em 2019, promovidos com justiça à Série C, certeza de mais compromissos entre esses dois importantíssimos times do futebol nordestino, que acabaram de provar para todo o Brasil o gigantismo do nosso futebol. Por fim, que tal rever os gols do jogo de 1983 pela Série A em Fortaleza? É só conferir o vídeo abaixo.

ATACANTE FOGUINHO ESTREAVA COM GOL HÁ 33 ANOS NO CASTELÃO

Há 33 anos, num domingo, dia 31 de Julho de 1983, Ferroviário e Ceará fizeram mais um grande jogo na história do futebol cearense. Após abrir 2×0 no placar logo aos 18 minutos iniciais, o time alvinegro não suportou o ímpeto do arrasador ataque coral e cedeu o empate ainda no primeiro tempo. Era o primeiro jogo oficial do ponta Foguinho com a camisa coral, ele que havia sido contratado recentemente junto ao Mixto de Cuiabá. Foi ele o autor do primeiro gol do Ferrão, que teve ainda uma grande arrancada do goleador implacável Jorge Veras na jogada que definiu o belo gol de empate. Tempo bom de um Ferroviário dirigido pelo experiente Lula, ex-ponta esquerda do Internacional/RS e do Fluminense/RJ. O blog apresenta acima os gols do jogo na narração de Fernando Vannucci, apresentador do semanário ´Gols do Fantástico`. Repare nas redes amarelas das traves do antigo estádio Castelão, elas que certamente marcaram época.

Foguinho e Jorge Veras marcaram

Foi o jogo 1.965 da história coral, com 13.363 pagantes. Joaquim Gregório foi o árbitro e o Tubarão da Barra formou com Giordano, Laércio, Paulo Alves, Nilo e Luisinho; Doca, Carioca e Betinho; Foguinho (Edson), Chicão (Zé Luís) e Jorge Veras. Era também a estreia oficial do atacante Zé Luís, ex-Ceará. Treinado por Moésio Gomes, o alvinegro jogou com Paulo Goulart, Everaldo, Djalma, Eraldo e Valdemir; Jorge Luís (Alves), Aloisio Guerreiro e Jacinto (Vicente Cruz); Katinha, Marciano e Zezé. Observe o adversário com os ex-corais Jorge Luís, Jacinto e Vicente Cruz, e ainda com o goleiro Paulo Goulart e o ponta Zezé, titulares no título de campeão carioca do Fluminense/RJ menos de 3 anos antes. A partida teve de tudo, inclusive uma falta de energia no segundo tempo que deixou o jogo encerrado mais cedo do que deveria. Jogo histórico, há 33 anos.

O DIA QUE O FERRÃO CALOU A TORCIDA DO CRUZEIRO NO MINEIRÃO

Uma das partidas mais emblemáticas da história do Ferroviário completou recentemente aniversário. Há 33 anos, o Tubarão da Barra enfrentou o Cruzeiro/MG dentro do Estádio Mineirão e por muito pouco não saiu com a vitória. Aconteceu no dia 30 de janeiro de 1983, naquela que foi a partida de número 1.935 da caminhada coral. O jogo foi válido pelo campeonato brasileiro e coube ao centroavante Almir a honra de marcar um belo gol em cima de Vitor, um dos goleiros mais importantes da história cruzeirense, exatamente aos 34 minutos do primeiro tempo. O adversário conseguiu o empate através do atacante Edmar, que também marcou época no futebol nacional defendendo a camisa de vários times importantes. As duas equipes estavam no grupo H da competição, que tinha ainda Treze/PB, Vasco/RJ e Náutico/PE. Confira os gols no vídeo recuperado pelo nosso blog.

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Foto do Ferroviário em 1983. Em pé: Giordano, Doca, Israel, Zé Carlos, Maurício e Luisinho; Agachados: Paulo César Cascavel, Paulinho Lamparina, Almir, Betinho e Jorge Veras.

Veja também a foto acima. Apesar de não ter sido tirada no Mineirão, é um registro do time base que jogou contra o Cruzeiro/MG, no qual 8 jogadores entraram em campo naquele histórico domingo, além do goleiro Giordano que estava no banco. O Ferrão formou com Hélio Show, Laércio, Zé Carlos, Nilo e Luisinho; Doca (Paulinho Lamparina), Edson e Betinho; Ednardo (Paulo César Cascavel), Almir e Jorge Veras, time comandado pelo professor Wilson Couto. Já o adversário, treinado por Orlando Fantoni, jogou com Vitor, Eugênio, Ozires, Ailton e Luís Cosme; Orlando (Eduardo), Douglas e Tostão; Paulo Borges, Edmar e Joãozinho (Edu). Naquela tarde, o Mineirão recebeu um público de 40.356 pagantes, que viram uma modesta equipe cearense complicar a vida de um dos gigantes do futebol brasileiro, o que definitivamente entrou pra história do Ferroviário.

POR ONDA ANDA O CENTROAVANTE PAULO CÉSAR CASCAVEL?

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Paulo César Cascavel

Ele fazia seus gols e tirava uma bexiga do calção para encher durante a comemoração. Nada mais original para época e a torcida coral ria de alegria. Foram 34 no total no decorrer das 120 partidas disputadas com a camisa do Ferroviário entre 1981 e 1983. Depois que deixou o clube, foi jogar no Sampaio Corrêa e dele não se teve mais notícias. Sua estreia ocorreu no dia 17/5/81 contra o Ceará, no Castelão, depois de um período com a camisa do América/RN que lhe valeu a condição de ídolo em Natal. Por onde anda o ex-atacante Paulo César Cascavel? Talvez você fique surpreso ao saber agora no blog que ele mora há vários anos na Europa, mais precisamente na França, onde se formou e trabalha.

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Época de futebol português

No início da carreira, Paulo César Donega, nascido em 6/12/57 no interior de São Paulo, viveu ótimo momento durante a fase áurea do América/RJ dos anos 70, época que era chamado de Paulinho Cascavel e enfrentou várias vezes o Flamengo de Zico e o Vasco de Roberto Dinamite. Sua passagem no Ferroviário foi considerada boa já que foi aproveitado na grande maioria das partidas, colaborando bastante para os vice-campeonatos estaduais de 82 e 83. Mesmo com as várias atribuições de um jogador de futebol, Paulo César Cascavel foi aluno do curso de Economia na Universidade de Fortaleza enquanto defendia o Tubarão da Barra. Transferiu sua graduação para o Maranhão e posteriormente trancou a faculdade no período que defendeu o Belenenses de Portugal, retomando o curso somente na Faculté des Sciences Economiques de Clermont Ferrand, na França, entre 1989 e 1990. Em meados dos anos 90, formou-se como educador esportivo especializado em futebol na cidade de Marselha e posteriormente diplomou-se, em 1999, no Centre de Formation d’Educateur de Saint Etienne pela L’Académie de Lyon. Como se vê, Paulo César Cascavel é gente que faz.

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Paulo César Cascavel sem o bigode que o marcou

No período que defendeu o Ferroviário, Paulo César Cascavel cultivou um famoso bigode que marcou sua fisionomia, uma espécie de marca registrada. Atualmente, como se pode perceber em foto recente, vê-se que o bigode já faz parte do passado. Os detalhes na gola de sua camisa remetem as eternas cores corais e a lembrança de seus tentos comemorados com uma bexiga, estas estarão sempre na memória afetiva dos torcedores que tiveram o privilégio de vê-lo em ação com a camisa do Ferrão.