A PRIMEIRA VEZ DO FERROVIÁRIO JOGANDO EM SÃO JANUÁRIO

Finalmente o jogo do Ferroviário contra o Porto Velho/RO pela Copa do Brasil 2021 foi remarcado para um campo neutro. Ele acontecerá no Estádio São Januário, de propriedade do Vasco da Gama. Será a terceira partida do time coral na famosa praça esportiva do futebol carioca. O vídeo acima resgata os gols da primeira atuação do Ferrão em São Januário, justamente contra o Vasco/RJ, em partida vencida pelos cariocas pelo placar de 3×0 no dia 27/02/1983. Válido pelo Brasileiro daquele ano, o Tubarão da Barra, sob o comando de Wilson Couto, formou com Hélio Show, Laércio, Nilo, Zé Carlos e Luisinho; Doca, Edson e Betinho; Flávio (Ivan), Almir e Jorge Veras. Treinado por Antônio Lopes, o Vasco venceu com Acácio, Galvão, Chagas, Celso Gavião e Pedrinho; Serginho, Dudu (Paulo César) e Elói; Jussiê, Roberto Dinamite e Almir (Marquinho). O craque Elói marcou dois gols e Pedrinho assinalou o terceiro tento do time cruzmaltino. Esse jogo marcou a reabertura do Estádio São Januário, que vinha de reforma. No ano seguinte, em 29/02/1984, também pelo Brasileirão, o Ferrão voltou ao velho estádio carioca, dessa vez para enfrentar o Fluminense/RJ, que derrotou o time coral por 2×0. Aquela foi a última vez que o Ferroviário atuou no Rio de Janeiro. Agora, de forma inédita devido à pandemia de Covid-19, contra o Porto Velho de Rondônia, o time coral volta à cidade maravilhosa depois de 37 anos. 

Atualização: Poucas horas depois de marcar o jogo para São Januário, a CBF transferiu a realização da partida para o município de Duque de Caxias/RJ. 

MAIS UM ANIVERSÁRIO DO POLÊMICO JOGO CONTRA O VASCO

Ferroviário Atlético Clube naquele 23/01/1983 – Em pé: Augusto, Laércio, Luisinho, Zé Carlos e Hélio Show; Agachados: Paulo César Cascavel, Betinho, Ednardo, Edson e Jorge Veras

Um jogo bastante polêmico na história coral completa mais um aniversário nesse 23 de janeiro. Naquele domingo de 1983, o Ferroviário fazia sua estreia na Taça de Ouro, a versão equivalente à atual Série A do campeonato brasileiro. O adversário era o tradicional Vasco da Gama, campeão carioca da temporada anterior. Pouco mais de quatorze mil pagantes foram ao Castelão e presenciaram cenas exóticas do árbitro Roberto Nunes Morgado. Completamente transtornado dentro de campo, ele distribuiu vários cartões amarelos em jogadas normais, expulsando ainda Betinho e Doca, e deixando os corais inferiorizados numericamente. Não bastasse enervar os jogadores do Ferrão com atitudes transloucadas nas quatro linhas, o juiz ainda apitou boa parte do jogo correndo apenas na linha lateral, sendo estrepitosamente vaiado pelos torcedores. Num dos momentos mais cômicos daquele domingo, para não dizer trágico ao mesmo tempo, o árbitro deu cartão vermelho até para o policiais que foram obrigados a entrar em campo para acalmar os ânimos. Pouco tempo antes, o árbitro havia sido diagnosticado com transtornos psicológicos. Em 1989, Roberto Nunes Morgado morreu de Aids. Os acontecimentos no Castelão são até hoje lembrados.

Acima, você confere o vídeo raro com os dois gols do jogo. O primeiro foi marcado pelo volante Dudu, que nove anos depois vestiu a camisa do próprio Ferroviário já em final de carreira. O lateral esquerdo Pedrinho fechou o placar com um belo tento. Treinado por Wilson Couto, o Tubarão da Barra formou naquela tarde/noite com o futebol de Hélio Show, Laércio, Nilo, Zé Carlos e Luisinho; Augusto, Edson e Betinho; Ednardo (Doca), Paulo César Cascavel e Jorge Veras. O Vasco da Gama jogou com Acácio, Galvão, Orlando Fumaça, Celso Gavião e Pedrinho; Dudu, Serginho e Roberto Dinamite; Pedrinho Gaúcho (Elói), Ernani e Almir (Marco Antônio). O técnico era Antônio Lopes. Como se vê na escalação, o quarto zagueiro Celso Gavião, campeão cearense pelo Ferrão em 1979, atuava na equipe carioca. Na transmissão do polêmico jogo pela Rádio Verdes Mares de Fortaleza, o lendário narrador Gomes Farias, cunhou uma frase memorável para relatar, aos ouvintes, os rompantes tresloucados do árbitro: “o torcedor cearense que veio ao Gigante da Boa Vista para ver o Roberto Dinamite está vendo outro Roberto, está vendo o árbitro Roberto Nunes Morgado“. 

POR ONDE ANDA O NOSSO GRANDE ARTILHEIRO DO MARACANÃ?

o barbudo Almir, nosso goleador no Maracanã

As torcidas que ele encantou o chamavam de Almir Beleza, Almir Explosão ou, simplesmente, Diabo Louro. Era exatamente essa última alcunha, que a torcida coral gostava de se referir nos estádios a Almir, um carioca nascido na bela Petrópolis, artilheiro nato, que começou a carreira no Fluminense/RJ, jogando ao lado do craque Rivelino. Ele é até hoje o único jogador coral que assinalou gols no Maracanã, que nessa semana comemora seu aniversário de 70 anos. Depois de deixar o clube do Rio de Janeiro, Almir se destacou pelo Santa Cruz/PE e pelo CSA de Alagoas, até chegar no Ferroviário para disputar o campeonato brasileiro de 1980, quando marcou o primeiro gol da história do Tubarão da Barra no Maracanã, justamente na primeira vez que a equipe coral se apresentava no maior estádio do mundo. Jogando naquela noite contra o Flamengo de Zico, o Ferrão perdeu por 2×1, mas Almir assinalou um belo gol, depois de um passe de letra do craque Bibi. Após a competição, o vínculo do jogador se encerrou e ele seguiu sua carreira em Alagoas, dessa vez no CRB, retornando para a Barra do Ceará em 1982, e permanecendo até a temporada seguinte. No Ferroviário, além de dois vice-campeonatos estaduais, o Diabo Louro atingiu 91 jogos em campo e assinalou 30 gols. Você saberia dizer por onde anda Almir?

Nosso grande Almir, hoje com seu filho Samir

Depois que parou de rodar no futebol, passando ainda por Nacional de Manaus e ASA de Arapiraca, Almir Vieira Chagas voltou a morar em Petrópolis e conseguiu, no ano passado, oficializar sua aposentadoria junto à Previdência Social. O ex-goleador trabalhou, durante muitos anos,  como motorista de ônibus, atuando em várias companhias de transporte rodoviário. Trabalhou também como motorista na área de logística de produtos de confecção, onde cruzava o estado do Rio de Janeiro em suas atividades cotidianas. Hoje em dia, Almir mora sozinho em Petrópolis. O ex-atleta coral tem seis filhos, o mais novo, o jovem Samir, que aparece na foto acima. Em setembro desse ano, ele vai completar 64 anos de idade. Em março de 1983, jogando contra o Botafogo/RJ, novamente no Maracanã, Almir marcou outro gol com a camisa coral. O gol em 1980 e esse de 1983, o colocam na condição de único jogador do Ferroviário Atlético Clube, até hoje, a balançar as redes do tradicional estádio carioca. Naquele jogo, Almir terminou expulso de campo, juntamente com o craque Betinho. Abaixo, para homenagear nosso eterno artilheiro, publicamos o áudio com os gols do jogo contra o Botafogo, na narração da tradicional Rádio Globo do Rio de Janeiro, quando o Ferrão saiu na frente do placar e sofreu a virada, mesmo jogando bem no Maracanã, diante de 26.935 pagantes e com dois jogadores a menos.

FERROVIÁRIO JOGOU PELA PRIMEIRA VEZ NO MARACANÃ HÁ 40 ANOS

Treinador Aristóbulo Mesquita prepara o elenco para o jogo no Rio de Janeiro contra o Flamengo

Aconteceu numa quarta à noite, exatamente num 12 de março como hoje. Só que no ano de 1980, portanto há exatos 40 anos. O Ferroviário já tinha enfrentado o Flamengo/RJ três vezes anteriormente, mas nunca tinha jogado na cidade do Rio de Janeiro. O adversário carioca ainda não era campeão mundial, mas já havia montado o melhor elenco de sua história sob o comando do falecido Cláudio Coutinho. O Ferrão fazia boa campanha no campeonato brasileiro. Foi um jogo histórico apesar da derrota coral, televisionado para todo o estado do Ceará através da TV Verdes Mares. O goleador Almir foi o terceiro jogador de um time cearense a marcar um gol no lendário Maracanã. Antes dele, apenas Gildo e Geraldino Saravá haviam alcançado essa façanha. O Flamengo venceu por 2×1, com dois gols do ídolo Zico. No lance mais polêmico, o árbitro Hélio Corso marcou pênalti uma bola que bateu na mão do zagueiro Nilo. Treinado pelo cearense Aristóbulo Mesquita, o Ferroviário formou com SalvinoJorge Luís, Nilo, Celso Gavião e Ricardo Fogueira; Doca, Bibi e Nilsinho (Hélio Sururu); Ari (Haroldo), Almir e Babá. Já o time carioca venceu com Raul, Toninho, Rondinelli, Marinho e Júnior; Carpegiani, Adílio e Zico; Reinaldo, Tita (Andrade) e Carlos Henrique. Há alguns anos, essa memorável partida do Ferroviário virou até crônica intitulada ‘Dias de Glória no Maraca´, publicada numa das dez edições da Expresso Coral, revista oficial do Ferrão distribuída nas bancas de revistas entre janeiro de 2008 e abril de 2010. Depois desse jogo histórico contra o Flamengo de Zico, cujo os três gols do jogo você confere no vídeo abaixo, o Ferrão chegou a jogar apenas mais duas vezes no Maracanã, uma contra o próprio Flamengo em 1982 e a outra contra o Botafogo/RJ, em 1983. Curiosamente, coube ao próprio Almir marcar o gol do Tubarão da Barra na partida de 1983, se tornando até hoje o único jogador do clube a assinalar gols naquele que era o maior estádio do mundo. No jogo de 1982, sem Almir em campo, nenhum gol foi marcado pelo Tubarão da Barra.

RECORDAÇÕES DE MAIS UM GRANDE CONFRONTO CONTRA O FORTALEZA

O vídeo acima é mais um resgate do Almanaque do Ferrão e corresponde ao registro de um empate em 3×3 entre Ferroviário x Fortaleza no dia 23 de outubro de 1983. Há exatos 36 anos, os dois clubes protagonizavam mais um jogo eletrizante numa tarde de domingo no antigo Castelão, algo comum em se tratando do chamado ´Clássico das Cores` naquele período. O Ferrão sofreu um gol logo no início do jogo, mas chegou a fazer 3×1 no placar ainda no primeiro tempo, porém sofreu o empate nos cinco minutos finais em dois lances infelizes do goleiro Dário. Naquela temporada, o Fortaleza contratou um grupo de jogadores que é apontado pela sua própria torcida como o maior time da história do clube até hoje. O Ferrão tinha a dupla infernal Betinho e Jorge Veras, além de uma série de jogadores eficientes que rendiam bem em suas posições. Treinado por Newton Albuquerque, que era o irmão mais velho do próprio goleiro Dário e do então iniciante árbitro Dacildo Mourão, o Ferrão empatou com o futebol de Dário, Laércio, Israel, Nilo e Fraga; Doca, Edson e Betinho (Barga); Foguinho, Jorge Veras e Paulinho Lamparina (Zé Luís). O Fortaleza, do técnico Paulo Emílio, formou com Salvino, Caetano, Pedro Basílio, Gilmar Furtado (Tadeu) e Clésio; Serginho, Wescley e Marquinho; Edson (Geraldinho), Luizinho das Arábias e Edmar. Jorge Veras marcou dois gols para o Ferrão, com Foguinho completando o placar. Pelo Fortaleza, Marquinho fez também dois gols e o outro foi do meia Wescley. Leandro Serpa foi o árbitro do jogo, que teve um público de 9.562 pagantes. Jogo que o tempo não apaga!

RETROSPECTIVA DE TODOS OS JOGOS CONTRA O NÁUTICO/PE NA HISTÓRIA

Ferroviário em campo para enfrentar o Náutico/PE em jogo do campeonato brasileiro de 1980

Ferrão e Náutico não se enfrentam desde o campeonato brasileiro de 1983. Ao todo, foram 12 jogos entre ambos. O primeiro foi um amistoso em 1948 no PV, a primeira das duas únicas vitórias corais em cima do time pernambucano na história, que apresenta  inicialmente uma série de cinco amistosos, porém que reserva uma sequência maravilhosa de, nada mais, nada menos, sete jogos oficiais pela Série A do campeonato brasileiro entre 1980 e 1983. No próximo domingo, as duas equipes voltam a se enfrentar depois de 36 anos em jogo válido pela Série C nacional. Quem sabe o Ferrão não consegue reeditar o feito do time de 1982 que, num sábado à noite, bateu o Náutico dentro do estádio dos Aflitos? Vale citar também como curiosidade que, em 1983, quando se enfrentaram pela última vez, o centroavante da equipe pernambucana era ninguém menos que Mirandinha, cria coral da segunda metade dos anos 1970. Confira abaixo a sequência de jogos históricos entre Ferrão e Náutico/PE.

Jogo 01: 14/03/1948 – Ferroviário 3×1 Náutico/PE – Amistoso – PV
Jogo 02: 15/04/1951 – Ferroviário 0x0 Náutico/PE – Amistoso – PV
Jogo 03: 17/11/1957 – Ferroviário 1×2 Náutico/PE – Amistoso – PV
Jogo 04: 12/11/1960 – Ferroviário 0x2 Náutico/PE – Amistoso – PV
Jogo 05: 15/02/1962 – Ferroviário 0x4 Náutico/PE – Amistoso – PV
Jogo 06: 24/02/1980 – Náutico/PE 0x0 Ferroviário 0x0 – Brasileiro Série A – Arruda
Jogo 07: 15/03/1981 – Ferroviário 0x0 Náutico/PE – Brasileiro Série A – Castelão
Jogo 08: 04/04/1981 – Náutico/PE 0x3 Ferroviário – Brasileiro Série A – Arruda
Jogo 09: 17/01/1982 – Ferroviário 1×2 Náutico/PE – Brasileiro Série A – Castelão
Jogo 10: 04/02/1982 – Náutico/PE 2×3 Ferroviário – Brasileiro Série A – Aflitos
Jogo 11: 26/01/1983 – Náutico/PE 3×0 Ferroviário – Brasileiro Série A – Aflitos
Jogo 12: 06/03/1983 – Ferroviário 1×2 Náutico/PE – Brasileiro Série A – Castelão

APÓS MAIS DE TRÊS DÉCADAS, FERRÃO PODE VOLTAR A JOGAR EM LONDRINA

Ferroviário Atlético Clube só atuou uma única vez até hoje no Estádio do Café em Londrina

Pela disputa do Campeonato Brasileiro de 1983, o Ferroviário foi até a cidade de Londrina, no interior do Paraná, para enfrentar o time homônimo no famoso Estádio do Café. O jogo terminou com a vitória dos paranaenses por 3×1, resultado que eliminou o Tubarão da Barra da competição naquela tarde de domingo. Agora, quase quatro décadas depois, o Ferrão pode voltar a atuar no mesmo local e estádio. A direção coral negocia a mudança de mando de campo do jogo contra o Corinthians/SP pela Copa do Brasil para aquela localidade. O argumento é a entrada de recursos financeiros em proporções muito superiores a se o jogo fosse realizado em Fortaleza. Parece algo condenável sob o ponto de vista do futebol romântico, porém algo perfeitamente compreensível para um time que necessita de recursos visando talvez uma das competições mais importantes nas últimas décadas, a Série C do Campeonato Brasileiro a partir de abril, quando o time coral não pode nem pensar em descenso. O fato é que o clube deseja transferir o mando de campo para Londrina, um verdadeiro reduto de torcedores de times paulistas no norte do Paraná. Polêmicas à parte, vamos aguardar o desfecho e conferir se o Ferrão voltará a Londrina tanto tempo depois.

O DOMINGO QUE O CRAQUE BETINHO ELIMINOU O CEARÁ DO CAMPEONATO

De um dezembro do presente para um domingo de dezembro do passado, mais precisamente o de 4 de dezembro de 1983, quando o Ferrão despachou o Ceará do campeonato cearense daquele ano com dois gols do craque eterno Betinho. Recuperamos acima o vídeo da TV Globo com os gols do jogo e por ele é possível perceber como o time coral era azeitado na reta final do certame de trinta e cinco anos atrás. Repare na escalação do jogo: Dário, Laércio, Israel, Nilo e Fraga (Luisinho); Doca, Edson, Paulinho Lamparina e Betinho; Chicão (Paulo César Cascavel) e Jorge Veras. O treinador coral era o já falecido Newton Albuquerque. Preste atenção agora na escala alvinegra, repleta de jogadores rodados em grandes times do futebol brasileiro: Paulo Goulart, João Carlos, Djalma, Eraldo e Everaldo; Alves, Vicente Cruz (Jacinto) e Aloísio Guerreiro; Katinha, Marciano e Zezé (Paulinho). O treinador era o pernambucano Lula, famoso ex-atacante do Internacional/RS e do Fluminense/RJ, que curiosamente era técnico do Ferroviário até três meses antes dessa partida histórica.

Betinho: craque

Também é curioso notar a presença de ex-corais na escalação do Ceará como os meias Vicente Cruz e o craque Jacinto, negociado com o Cruzeiro/MG dois anos antes. Djalma, Everaldo e Alves jogariam ainda no Ferroviário em temporadas seguintes. O goleiro Paulo Goulart e ponta esquerda Zezé tinha sido campeões pelo Fluminense/RJ no campeonato carioca de 1980, Katinha vinha do Vasco/RJ e Marciano era um veterano atacante perigosíssimo com passagem pelo Flamengo/RJ. O Ceará tinha ainda Aloísio Guerreiro, ex-Santos/SP, presente em um dos jogos corais mais memoráveis da história quatro anos antes. O placar desse jogo de 1983 só não foi mais dilatado porque o goleiro alvinegro estava num dia inspirado. Foi a partida 1.991 da história coral e contou com a presença de 13.207 pagantes. Luís Vieira Vila Nova apitou o jogo. Apenas nove dias depois, esse time do Ferroviário acabou ficando com o vice-campeonato estadual ao perder a final para o Fortaleza, que tinha um time considerado o melhor de todos em sua história já centenária. Tempo bom de um futebol cearense cheio de histórias gigantes e maravilhosas.

GOL DE BETINHO QUEBRAVA A INVENCIBILIDADE DO FORTALEZA

Quem conhece a história do futebol cearense já ouviu falar do timaço que o Fortaleza montou para o campeonato cearense de 1983. Aquele elenco é considerado até hoje um dos mais fortes em toda a história do futebol alencarino e a equipe tricolor teve poucas derrotas no certame, que começou no mês de abril. Há exatos 35 anos, somente no mês de novembro, o Fortaleza perdia seu primeiro clássico no Estadual justamente para o Ferroviário, que um mês depois acabou ficando com o vice-campeonato. Depois de revirar nossos arquivos, achamos em vídeo o gol do craque Betinho que garantiu a vitória para o Ferrão por 1×0, que naquela tarde formou com o futebol de Dário, Laércio, Israel, Nilo e Fraga (Luisinho); Doca, Edson e Betinho; Foguinho, Jorge Veras e Paulinho Lamparina (Paulo César Cascavel). O treinador coral era Newton Albuquerque. O Fortaleza, do técnico Paulo Emílio, perdeu com Salvino, Caetano, Pedro Basílio, Tadeu e Clésio; Serginho, Wescley e Marquinho; Edson (Geraldinho), Luizinho das Arábias e Edmar (Hamilton). Desses, Caetano, Clésio e Luizinho das Arábias jogaram depois no Ferroviário. Era o jogo 1.985 da história coral, realizado no Castelão e que contou com um público de 9.971 pagantes. Joaquim Gregório foi o árbitro naquela tarde. Além da vitória, de quebra, o Ferroviário ganhou uma bela taça em homenagem ao aniversário de 10 anos do estádio Castelão.

FERRÃO E TREZE/PB: TRADIÇÃO NA FINAL NA SÉRIE D DO BRASILEIRÃO

Anúncio no Diário do Nordeste convocando a torcida para o jogo da Série A do Brasileirão em 82

O adversário do Ferroviário na grande final da Série D do campeonato brasileiro de 2018 é o Treze/PB. Os dois são velhos conhecidos do futebol nordestino e já se enfrentaram 24 vezes até o momento. O Ferrão leva uma ligeira vantagem no número de vitórias em cima do time paraibano: 10 vitórias, 5 empates e 9 derrotas desde que se enfrentaram pela primeira vez num amistoso na cidade de Fortaleza em 1949. Os finalistas da Série D de 2018 gozam ainda de um grande retrospecto em suas trajetórias históricas: já se enfrentaram 14 vezes em todas as quatro divisões do futebol brasileiro, o que reforça ainda mais a rivalidade entre ambos na grande decisão desse ano. Além da tradicional competição nacional, também já se enfrentaram uma vez pelo Nordestão em 1970, seis vezes em amistosos e três vezes por torneios comemorativos nas décadas de 1950 e 1960. Sem dúvida, temos uma final de Série D de grande representatividade, que se junta a nomes históricos de atletas conhecidos que vestiram os dois tradicionais uniformes como Zé Luiz, Gilson Baiano, Eron, Hélio Show, Manuel de Ferro, Rocha, Ruivo, Ronaldinho, Getúlio, Jangada, Olímpio, Wilson, Gilmar, Hermes, Fernando Canguru, entre outros.

Jorge Veras: 4 gols em 92

Em termos de campeonato brasileiro, como não lembrar do jogo entre ambos pela Série A de 1983 quando o atacante Almir marcou duas vezes na vitória coral por 2×1 no PV em Fortaleza? Dias depois, o Treze devolveu o mesmo placar no jogo de volta realizado em Campina Grande. Um ano antes, o jornal Diário do Nordeste chegou a publicar um anúncio convocando o público para torcer ´Ferrim` no jogo entre ambos no Castelão, em campanha que envolveu também um breve comercial veiculado na TV Verdes Mares narrado por Gomes Farias exatamente a partir do texto do anúncio impresso. O Treze/PB estragou a festa e marcou 2×0 com gols de Wilson e João Paulo. Ao todo, foram 4 jogos pela Série A. Em termos de Série B, houve apenas um jogo, em 1986, na estreia de ambos no campeonato nacional, vencido pelo time paraibano em Campina Grande, que tinha como goleiro o já experiente Jorge Hipólito, velho conhecido do público cearense. Pela Série C foram 7 jogos, talvez o mais inesquecível para a torcida coral tenha sido a partida realizada em 01/04/1992, vitória coral por 5×3 com quatro gols do ídolo Jorge Veras, ele que coincidentemente também esteve presente em campo no jogo pela Série A em 1983. Diga-se de passagem, o Ferrão nunca perdeu para o Treze/PB num jogo de Série C e só na edição de 2006 foram quatro confrontos entre ambos. Na Série D, foram apenas duas partidas até hoje, sendo uma vitória para cada lado. Agora na finalíssima de 2018, teremos mais dois empolgantes jogos. Em 2019, promovidos com justiça à Série C, certeza de mais compromissos entre esses dois importantíssimos times do futebol nordestino, que acabaram de provar para todo o Brasil o gigantismo do nosso futebol. Por fim, que tal rever os gols do jogo de 1983 pela Série A em Fortaleza? É só conferir o vídeo abaixo.