GOLEIRO CORAL EM 1980 É O ANIVERSARIANTE DA SEMANA

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Ado orienta a barreira do Ferrão num clássico contra o Ceará no campeonato estadual de 1980

A dica veio do internauta Charles Garrido, figura frequente no blog e nos comentários da nossa página no Facebook. Hoje é dia de homenagear o aniversariante da semana! O Brasil inteiro falou sobre os 70 anos do ex-goleiro Ado, campeão do mundo com a seleção brasileira na Copa de 1970, ex-arqueiro do Corinthians/SP e do Ferroviário no campeonato cearense de 1980. Ado já mereceu inclusive postagem especial por aqui em abril do ano passado. É ele o destaque da seção ´Retratos` dessa semana.

FOTO RARA DO FERROVIÁRIO NO CAMPEONATO CEARENSE DE 1980

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Ferroviário no Campeonato Cearense de 1980 – Em pé: Salvino, Jorge Luís, Zé Maria, Celso Gavião, Nilo e Jorge Henrique; Agachados: Osni, Sousa, Paulo César, Nilsinho e Marco Antônio

Publicamos hoje uma foto rara do Ferroviário tirada em 28 de setembro de 1980. Eis o time coral perfilado antes de mais uma vitória pelo campeonato cearense, contra o Calouros do Ar, no PV, pelo placar de 4×0, com gols do ponta direita Osni (duas vezes), Nilsinho e do artilheiro Paulo César. No banco de reservas, o Ferrão contava com curitibano Lanzoninho como técnico. Destaque para o volante Zé Maria, ex-jogador do Guarani de Campinas e do Santa Cruz/PE, poucas vezes lembrado com ex-atleta coral. O goleiro Salvino não nada nada bem de saúde, Sousa mora no interior de São Paulo e Marco Antônio morreu assassinado em 2/10/1994. Nunca se soube quem o matou.

EX-JOGADOR PROCURAVA FOTOS DE SUA PASSAGEM PELO FERRÃO EM 80

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Sousa tenta a cabeçada no meio da zaga do Fortaleza no dia 5/10/1980 no Castelão

O tempo faz com que determinados jogadores passem pelo clube e acabem caindo no esquecimento, porém dificilmente o atleta esquecerá a sua passagem por um time de futebol. É caso do meio campista Sousa, titular no Ferroviário que foi vice-campeão cearense em 1980 sob o comando do treinador paranaense Lanzoninho. Foram apenas 14 partidas com a camisa coral entre setembro e dezembro daquele ano. Através do Almanaque do Ferrão, o atleta entrou em contato recentemente em busca de fotos da sua curta passagem pelo clube. Revirando o acervo do nosso baú, ele aparece no click acima no ´Clássico das Cores` do dia 5 de outubro que terminou no 0x0.

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Sousa em 1980

José Aparecido de Souza jogou grande parte da sua carreira profissional no futebol de São Paulo. Chegou a jogar na Coréia defendendo a Seleção Paulista. Oriundo do XV de Jaú quando chegou para o Ferroviário, teve uma outra participação no futebol nordestino atuando pelo Sergipe/SE entre 83 e 84. Quando regressou ao futebol de São Paulo, brilhou com a camisa do Bragantino e levou sua equipe à divisão de elite paulista em 1988, culminando com o memorável título estadual do Massa-Bruta dois anos depois sob o comando de Vanderley Luxemburgo. Sousa certamente nunca esqueceu o único gol que marcou pelo Ferroviário, na noite do dia 29 de outubro, no Castelão, uma goleada de 4×0 em cima do Guarany de Sobral. São coisas que o tempo não apaga da memória do ex-jogador e o clube tem a obrigação de lembrar de quem ajudou a escrever sua história.

CAMPEÃO NA SELEÇÃO, NUNCA NO TIMÃO E QUASE NO FERRÃO

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Foto histórica do goleiro Ado defendendo o arco do Ferroviário em 1980 contra o Ceará

Eduardo Roberto Stinghen era o reserva imediado de Félix na Seleção Brasileira tricampeã do mundo em 1970 no México. Numa época onde apelidos no futebol faziam a diferença na identificação dos jogadores, adotou a alcunha de Ado e ficou famoso no futebol nacional defendendo as cores do Corinthians/SP exatamente na época que o time paulista amargava um jejum histórico de títulos. Depois de jogar no América/RJ, Atlético/MG, Portuguesa/SP e Santos/SP, chegou para o Ferroviário em 1980 aos 34 anos de idade. Por descaso com a história e em razão de sua curta passagem, muitos esquecem que o experiente goleiro foi muito bem no arco coral nos jogos que participou.

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Goleiro Ado

A trajetória de Ado no Ferroviário começou a ser escrita com a sua entrada, no segundo tempo, em três partidas substituindo o goleiro Salvino contra o Tiradentes, Quixadá e Guarani-J. Em 19/11/80 veio a chance de entrar como titular contra o Ceará e ele não decepcionou. Pelo contrário, fez pelo menos 3 defesas sensacionais que garantiram a vitória coral por 1×0, uma delas numa cabeçada fulminante do jogador Nei que ele mandou para escanteio e outra na cobrança magistral de falta de Zé Eduardo que Ado voou e espalmou. Voltou a brilhar e pegar tudo na grande final uma semana depois, novamente contra o Ceará. Só não pegou um chute forte do lateral João Carlos, aos 11 minutos do 2º tempo, que fez escapar das mãos de Ado e do Tubarão o então inédito título de bicampeão diante de 41.434 pagantes. Foram apenas 5 jogos com a camisa coral, mas o suficiente para marcar a passagem de um nome nacional pelo Ferrão.

A única imagem em vídeo do goleiro Ado defendendo as cores corais é exatamente o gol do título do Ceará. Foi o único chute que ele não conseguiu defender enquanto goleiro do Ferroviário. O Almanaque do Ferrão resgata abaixo esse momento da história do clube.

EX-LATERAL URUGUAIO DO FERRÃO NA SÉRIE A DO BRASILEIRÃO

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Ramirez comemora o gol que deu o título do 3º turno do Campeonato Cearense 1980 ao Ferrão

O ano está prestes a terminar e pelo menos uma pessoa com ligações históricas com o Ferroviário tem algo a comemorar. Falamos do uruguaio Sérgio Ramirez, ou simplesmente o ex-lateral direito Ramirez, que defendeu grandes clubes no futebol da América do Sul, entre eles o Independiente da Argentina e o Flamengo/RJ no auge do clube carioca. No posto de coordenador técnico do Joinville, como se observa na foto abaixo, ele conseguiu recentemente o título de campeão brasileiro e vai disputar a Série A na próxima temporada.

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De acordo com o Almanaque do Ferrão, Ramirez vestiu a camisa coral em 18 jogos e marcou um gol histórico contra o Fortaleza, aos 36 minutos do 2° tempo de uma partida que despachou o Leão do Campeonato Cearense de 1980 e deu o título de campeão do 3° turno ao Tubarão da Barra. Em contato exclusivo com o blog, o ex-atleta coral revelou guardar boas recordações do Ferroviário, da cidade e de seu prédio de três andares na Rua Marcondes Pereira, próximo à churrascaria Parque Recreio, onde gostava de passar o tempo livre acompanhado de amigos e de seu violão.

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Disparada atrás de Rivelino no Maracanã

No Ferrão, onde chegou a disputar também o campeonato brasileiro de 1981, o atual coordenador técnico atuou de lateral esquerdo, zagueiro e lateral direito, sua posição original, que o levou a titular da seleção uruguaia nos anos 70. Até hoje Ramirez é lembrado pela briga monumental que envolveu o craque brasileiro Rivelino em pleno Maracanã, em 28 de abril de 1976, num Brasil x Uruguai de tirar o fôlego. No futebol cearense será sempre lembrado pelo gol que matou o Leão e no catarinense, pelo visto, como um dos mais respeitados pela torcida do Joinville, que por sinal tem as mesmas belas cores da bandeira do Ferroviário.

TERREMOTO ATINGIU FORTALEZA DEPOIS DE TRIUNFAL VITÓRIA

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Capa do Jornal O Povo destacando o terremoto em Fortaleza e a vitória triunfal do Ferroviário

O fato tenebroso completou 34 anos. Ferroviário e Ceará jogavam no Castelão. Era uma noite de quarta-feira qualquer. O campeonato estadual caminhava para o seu final no primeiro jogo da melhor de três. De especial, o goleiro Ado – reserva de Félix na Copa de 70 – entrava de saída pela primeira vez no arco coral. No mais, tudo levava a crer que seria um jogo normal.

O ótimo público parecia ser pequeno diante de um Castelão lindo e reformado. Guerreiros dentro de campo deram o sangue pelo Ferrão. O uruguaio Ramirez não corria tanto desde a carreira que deu no Rivelino no Maracanã, quando ainda era lembrado pela Celeste Olímpica. Paulo César era a esperança de gols e o menino Jacinto era o xodó da torcida. E o Bibi? Bem, o filho do Didi foi um capítulo à parte. Bibi só não fez chover naquela noite. Antes tivesse chovido.

O time de preto e branco pressionava. Ado pegava tudo. O lateral direito Jorge Luís, improvisado de zagueiro, deve ter feito a melhor exibição de sua carreira.  O Ferrão mostrou personalidade e assustava o adversário. Após uma troca de passes, Bibi encheu o pé e fez um gol de placa. Vitória coral: 1×0. Bibi não fez chover, mas fez tremer. A maioria dos torcedores já estava em casa quando a terra resolveu comemorar a vitória do Tubarão. O que parecia ser impossível aconteceu: terremoto em Fortaleza! Há quem diga que são coisas que só acontecem com o Ferroviário. Mera intriga da oposição. São coisas que só o Ferroviário consegue fazer! E afinal de contas, a culpa foi do Bibi, que até um dia desses militava como treinador no mundo árabe.

O terremoto em Fortaleza era o fim do mundo para muitos. Famílias corriam para o meio da rua. Vizinhos que não se falavam até rezaram juntos. Quem viveu nunca vai esquecer aquela noite de terror. Quem é Ferrão nunca vai esquecer aquela noite de vitória. Ainda hoje, tantos anos depois, há sempre os que recordam o golaço de Bibi naquela noite triunfal de terror. Coisas que só o futebol propicia. Coisas que só o Ferroviário sabe fazer e estamos conversados.