DIA DE REGISTRAR UM ERRO HISTÓRICO DA REVISTA PLACAR

A foto do Ferroviário foi publicada pela Revista Placar com o nome dos jogadores do Fortaleza

Quem acompanhou o futebol brasileiro nos anos 70 e 80 certamente dependia muito das informações veiculadas pela Revista Placar. Numa época em que a Internet comercial não existia, a chegada da famosa revista nas bancas de revista em Fortaleza, toda quarta-feira, era um bálsamo para os apaixonados pelo esporte. A revista mantinha correspondentes em todas as capitais brasileiras e os campeonatos estaduais tinham o merecido destaque nas páginas semanais da publicação. Numa das edições do ano de 1975, a Placar publicou por engano uma fotografia do Ferroviário, só que com o nome e a escalação dos jogadores do Fortaleza Esporte Clube. Uma gafe histórica, sem dúvida nenhuma. A referida foto já apareceu aqui no blog numa postagem de 2015, na mesma época em que esteve exposta numa exposição do futebol cearense no Shopping RioMar. Muita gente viu, porém poucos notaram os ajustes em Photoshop, feitos por sabe Deus quem, para eliminar os dados do Fortaleza na histórica imagem. Eis que a publicação original da revista é enviada para o blog pelo internauta João Ricardo Oliveira e obviamente essa raridade merece uma nova postagem. Eis o dia em que vários brasileiros desavisados acompanharam a escalação do Fortaleza com uma imagem dos jogadores do Ferroviário Atlético Clube.

FOTO DO FERROVIÁRIO EM 1975 NO ESTÁDIO MUNICIPAL DE QUIXADÁ

Ferroviário Atlético Clube em agosto de 1975 – Em pé: Paulo Tavares, Vicente, Lúcio Sabiá, Pedrinho, Arimateia e Eldo; Agachados: Danilo, Oliveira, Lula, Aucélio e Jeová

Eis o Ferroviário perfilado para um amistoso contra o Quixadá em 1975. A partida foi no estádio municipal da cidade, denominado à época de Luciano Queiroz. Aliás, deve ser no mundo inteiro o estádio que mais mudou de nome ao longo das décadas. Perceba na foto a presença do bigodudo fisicultor Wilson Couto, que também foi técnico do Ferrão. Ainda, nomes como o lateral direito Paulo Tavares, ex-Ceará, o saudoso Oliveira, que posteriormente transformou-se em supervisor e também treinador coral, além de nomes importantes da base do clube como Danilo Baratinha, Aucélio e Jeová. Nota-se também a presença do potiguar Lula, artilheiro do campeonato cearense daquele ano, bem como do veterano lateral esquerdo Eldo, remanescente da equipe campeã estadual de 1970. O Quixadá venceu o amistoso por 1×0. Ferrão vivia uma gravíssima crise financeira.

SOBRE PRATAS DA CASA, TORRE DE BABEL E LIÇÃO DE SOBREVIVÊNCIA

Ferrão 1975_4

Em pé: Paulo Tavares,  Nonato Ayres,  Zé Antônio,  Vicente,  César,  Lúcio Sabiá,  Pedrinho, Arimatéia e Eldo; Agachados: Danilo, Oliveira, Chicó, Vanderley, Almir, Lula, Aucélio e Jeová

O Almanaque do Ferrão resgata hoje uma foto de 1975, ano que o Ferroviário viveu grave crise financeira e teve seu nome envolto a situações vexatórias como jogadores passando necessidades, crise política alarmante, oficiais de justiça recolhendo objetos na sede do clube para saldar dívidas trabalhistas, entre outras mazelas. Foi um período complicado que findou com a renúncia coletiva da diretoria presidida pelo então deputado estadual Aquiles Peres Mota. No segundo semestre da temporada, o elenco era formado basicamente por pratas da casa. Nomes como César, Almir, Lúcio Sabiá, a revelação da temporada Aucélio e Danilo Baratinha, mesclados com a experiência de Paulo Tavares, ex-Ceará, do goleiro Pedrinho e Eldo, remanescente do título de 1970.

1975_1333

Manchete do jornal O Povo sobre a grave situação do Ferroviário Atlético Clube em 1975

Profundamente enraizada na cultura coral, a crise política parecia não ter fim. Torcida revoltada pela venda do zagueiro Cândido ao Fortaleza e Conselho Deliberativo a exigir prestação financeira de contas após renúncia coletiva: o Ferroviário e sua eterna vocação para Torre de Babel. A foto rara de hoje recorda um grupo de jogadores bravos que souberam ultrapassar os momentos de dificuldade e levaram o clube adiante. A chegada de uma nova diretoria para a temporada seguinte marcou o renascimento do Ferrão. Do click acima, Lúcio Sabiá e Arimatéia estavam no título estadual três anos depois. Trilharam o caminho da paciência e entraram para os anais da história em forma de redenção. Mesma história que guarda uma página para o grupo de 1975 acima, hoje homenageado, por trilhar firmemente o caminho da sobrevivência.