TREINADOR NO BICAMPEONATO FOI TAMBÉM ARTILHEIRO NO FERRÃO

A última vez que o Ferroviário conquistou um campeonato cearense foi em 1995. Mês que vem, o maior jejum de títulos da história coral completa 20 anos. O treinador naquela inesquecível conquista era o pernambucano Ramon Ramos, um ex-atacante que vestiu a camisa de clubes importantes do futebol brasileiro. Pouca gente lembra que onze anos antes, aos 34 anos de idade, Ramon disputou o campeonato cearense de 1984 como jogador do Ferrão, onde comprovou seu faro de artilheiro marcando 18 gols em 27 partidas. O vídeo acima é um documentário sobre o ex-atleta e ex-treinador coral, no qual Ramon cita o Tubarão da Barra como o penúltimo clube em sua carreira e o primeiro trabalho como comandante técnico, iniciando a função como auxiliar de Caiçara, em 1985, no próprio Ferroviário. Se você quer saber um pouco mais sobre a trajetória no futebol daquele que entrou pra história como o treinador do bicampeonato coral, essa é uma excelente oportunidade. Vale a pena conferir porque o material é excelente.

EX-MEIA DO FERROVIÁRIO CONSEGUE ACESSO COM O BRASIL DE PELOTAS

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Diogo Oliveira comemora gol no Brasil/RS

Levante a mão se você lembra da passagem do meia carioca Diogo Oliveira pelo Ferroviário! Prestes a completar 34 anos de idade, ele acaba de conquistar o acesso nacional com a camisa do Brasil de Pelotas, depois de jogar com destaque nos últimos anos por Chapecoense/SC, Joinville/SC, Criciúma/SC e Juventude/RS, entre outras equipes importantes do sul do país. O atleta foi autor de alguns gols do time gaúcho durante a bem sucedida campanha da Série C desse ano. O Almanaque do Ferrão recorda que o experiente jogador foi uma das principais contratações do Ferroviário Atlético Clube para a quarta divisão do campeonato nacional de 2009, mas acabou ficando um breve período de tempo e não chegou a se destacar no time coral, apesar da condição de titular na grande maioria das partidas na competição.

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Time base do Ferroviário na Série D de 2009

Diogo Oliveira estreou pelo Tubarão da Barra em 24/6/2009, num amistoso contra o time B do Fortaleza, no Estádio Domingão. Ao todo foram apenas 9 jogos, sendo uma única partida inteira em campo e infelizmente nenhum gol marcado com a camisa coral. Na prática, o futebol altamente técnico do jogador acabou desaparecendo em meio a um time mal treinado e uma campanha sofrível marcada por derrotas contra Alecrim/RN, Treze/PB e Sergipe/SE. O atleta rescindiu contrato com o Ferroviário após a competição e partiu sem deixar saudades. Além do Ferrão, Diogo vestiu no futebol cearense as camisas do Ceará, Icasa e Uniclinic. Na foto acima, ele aparece em destaque ao lado de jogadores na seguinte sequência: Dionantan, Cícero César, Clemílson, Felipe Espada, ele e Rafael; Eliélton, Victor Cearense, Cristiano, Júnior Cearense e Alberto.

A ÚLTIMA VEZ DO FERRÃO NUMA FINAL DAS CATEGORIAS DE BASE

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Vice-campeão cearense Sub-20 de 2012- Em pé: William Mardoch, Samuel Guerra, Del, Murillo, Cleylton, Marcelo, Everton, Lima, Lucas, Fernando Abade, Anderson Borges e Caíque; Agachados: Fábio, Neto, Adilton, Bruno, Damásio, Romário, Cléo, Léo, Márcio, Luisinho e Maico Motta.

O tempo tem sido implacável com o Ferroviário. Há muitos anos o clube não chega nas finais das principais competições estaduais de categorias de base. Uma das únicas exceções ocorreu exatamente há 3 anos, infelizmente a última vez, quando o time coral disputou o título do Sub-20 contra o poderio financeiro e estrutural do Ceará. O placar de 0x0 garantiu o título ao alvinegro, que jogava pelo empate por ter somado 1 ponto a mais na fase classificatória. Foi um duro golpe na meninada coral, que ainda viu um gol lícito do atacante Luisinho ser anulado pelo árbitro César Magalhães, após cobrança de escanteio do lateral direito Everton. Vários garotos foram às lágrimas após o jogo.

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Gilson Maciel: o treinador

Apesar do gosto amargo, o vice-campeonato dava a certeza do caminho certo a partir da profissionalização do setor de futebol, fundamentada na captação financeira oriunda de negociações legalmente garantidas de parte dos direitos econômicos de atletas junto à potenciais investidores e apoiadores, algo até então inédito na história do clube. Seria a aposta no futuro promissor da reestruturação de um Ferroviário que já vinha há 17 anos sem resultados expressivos, e que pouco a pouco sucumbia em importância na revelação de atletas. Dentro de campo, o treinador Gilson Maciel, um ex-goleador de destaque do Grêmio/RS e do Tigres do México, entre outras equipes, ministrava treinamentos de alto nível baseados em periodização tática, a mesma metodologia que consagrou o trabalho do português José Mourinho, um dos principais técnicos da história do futebol. Os críticos de plantão, invariavelmente leigos no assunto, desconheciam por completo a metodologia técnico-tática dos treinamentos do Sub-20 coral, que seria implementada em todas as categorias de base do clube com o passar do tempo.

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Capitão Foguinho e os árbitros

Antes da finalíssima contra o Ceará, a meninada coral pegou o Fortaleza na semifinal. Estranhamente, a Federação Cearense de Futebol colocou o jogo na preliminar de um partida do Leão pela Série C do campeonato brasileiro, algo inédito até então na competição. Diante de um PV lotado para o jogo principal, os jovens valores corais encararam o adversário e sua torcida de igual pra igual. O Ferrão ainda teve um gol anulado – este corretamente – assinalado pelo ala esquerdo Maico Motta, em impedimento. Diante da necessidade de levantar a auto-estima do clube com a chegada numa final depois de tanto tempo, a direção de futebol conquistou algo raro para as categorias de bases do clube dentro do quase sempre combalido e delicado contexto coral, uma premiação de 10 mil reais para os jogadores despacharem o Fortaleza. A captação ocorreu na véspera da partida junto a um dos investidores do projeto e a notícia, dada ainda na concentração, motivou mais ainda a garotada do Ferrão, que conquistou o direito de ir à final com o 0x0 no placar. Depois, todo o grupo foi levado para uma justa e merecida comemoração no restaurante do ex-jogador coral Solimar, um dos principais entusiastas do projeto. Em meio à euforia, uma tristeza, o capitão Foguinho tomara o terceiro cartão amarelo num lance à beira do gramado e ficaria de fora da grande final.

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Final: zagueiro Marcelo e goleiro Murillo ao fundo

Na decisão contra o Ceará, o Ferrão entrou em campo com Maico Motta como capitão e escalado com Murillo, Everton, Cleylton, Marcelo e Maico Motta; Márcio (Bruno), Lima, Fernando Abade (Léo) e Cléo; Luisinho e Romário (Damásio). Treinado pelo ex-coral Sérgio Alves, o Ceará foi campeão com Gian, Reginaldo (Matheus), Dener, Potiguar e Fábio; Dassayev, Ernesto, Diego e Luiz Henrique (Bruno Rafael); Beberibe (Gabriel) e Sanchez. Mais 10 mil reais foram colocados como gratificação pelo título, uma repetição do aporte oriundo do mesmo investidor da semifinal. O gol não saiu e o único que foi feito foi anulado. O título não veio. O elenco vice-campeão Sub-20 de 2012 serviu de base para o time profissional que disputou o campeonato cearense do ano seguinte. Em reestruturação financeira, o Ferroviário tinha a menor folha de pagamento entre os participantes, apenas 35 mil reais, algo inimaginável para os parâmetros competitivos do futebol moderno. Dentro de campo, o time coral terminou a primeira fase em 2º lugar, com uma vitória a menos que o Horizonte, que contava com verba pública de prefeitura e uma folha 5 vezes superior. Por muito pouco, a garotada do Ferrão não conquistou uma vaga para voltar a disputar uma Copa do Brasil nove anos depois.

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Taça de vice na mão de Luisinho, Lima e Romário

Com o passar do tempo, o trabalho de gestão profissional do clube foi sofrendo boicotes e a viciada cultura organizacional e política, que minaram o time coral nas últimas duas décadas, voltou a fazer seus estragos. O projeto sucumbiu, gerando prejuízos financeiros e pessoais para investidores e profissionais que dele participaram. A velha imundice do futebol falou mais alto com a clássica estratégia de boatarias e fofocas, apesar dos mais de 200 mil reais de terceiros investidos no clube em 18 meses de trabalho. O Ferrão seguiu sua vida, de forma trôpega até então, mas a bravura daquela geração vice-campeã em 2012 deixou laços de amizade e respeito entre seus participantes. O gol anulado de Luisinho, artilheiro coral no certame com 7 gols, nunca saiu da cabeça de ninguém. Poderia ter sido um título para aqueles jovens, mas a arbitragem não permitiu. Três anos depois, o Almanaque do Ferrão resgata um raro vídeo daquele lance e apresenta abaixo em caráter exclusivo. E que o exemplo daquela geração possa ser seguido nas atuais categorias de base do clube.