FOTOS ANTIGAS DO FERRÃO EM EXPOSIÇÃO NO SHOPPING RIOMAR

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Ex-corais ontem no RioMar: Geraldino Saravá, Cícero Capacete, Celso Gavião, Erandy e Pacoti

Foi inaugurada na noite de ontem a exposição “A História do Futebol Cearense” no belíssimo Shopping RioMar de Fortaleza. O coquetel de inauguração contou com a presença de personalidades do futebol cearense e o pentacampeão mundial Cafu. Nomes como Pacoti (1955-58, 1966-67), Erandy (1975-76), Geraldino Saravá (1980), Celso Gavião (1979-1980,1990-1991), Marquinhos Capivara (1993) e Cícero Capacete (1979), todos ex-atletas do Ferroviário Atlético Clube nos períodos acima discriminados, prestigiaram o espaço, que fica aberto a visitantes de forma gratuita até o dia 2 de março. Tai uma boa dica para os torcedores corais e apreciadores do futebol cearense.

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Ferrão em fotografias

O Ferrão está contemplado na exposição com seu próprio stand de fotos antigas, com destaque principalmente para algumas imagens das décadas de 60 a 90. Os ex-atletas Pacoti e Mirandinha mereceram seus próprios stands com imagens e jornais de acervo particular. É no stand de Pacoti que se encontra uma foto rara do Ferroviário, publicada na Revista Placar no ano de 1975, com boa parte do elenco coral da época com nomes como o lateral Paulo Tavares, os goleiros Zé Antônio e Pedrinho, o meia Danilo Baratinha, o atacante Lula, artilheiro do campeonato cearense daquele ano, dentre outros jogadores que defenderam o Tubarão da Barra no período. Além disso, um manequim veste o uniforme coral utilizado na temporada de 2012. É só ir no Shopping RioMar e conferir!

URUBATÃO CALVO NUNES: A HISTÓRIA NÃO LEMBRA DOS COVARDES

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Três nomes na história do Ferroviário: Urubatão Nunes, Chateaubriand Arrais e Ruy do Ceará

Urubatão Calvo Nunes foi bicampeão paulista pelo Santos em 1955 e 1956 como jogador de meio campo. Jogou ao lado de nomes como Pelé, Pepe, Dorval, Coutinho e outros tantos, inclusive na seleção brasileira. Após a aposentadoria como atleta, virou treinador com passagens pelo América/SP, Fortaleza e o próprio Santos em 1977. Chegou para o Ferroviário em 1979 após irregular campanha do time coral no 1º turno do campeonato cearense. Foi apresentado para a torcida no feriado de 1º de maio, com um festival na Barra que recebeu um bom público no amistoso contra os funcionários da cervejaria Antarctica. Desceu de helicóptero no gramado como estrela. Estreou no 2º turno uma semana depois contra o América, uma vitória de virada graças a dois gols do meia Jacinto. Sob o comando de Urubatão, o Ferrão humilhou o Guarany de Sobral (5×2), o Ceará (4×2) e o Fortaleza (5×0). Venceu o turno e colocou o time coral na final.

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Sob o comando de Urubatão: 5×0 no Fortaleza

O Almanaque do Ferrão resgata acima uma foto histórica: Urubatão Nunes ao lado de Chateaubriand Arrais e Ruy do Ceará, dois ilustres representantes da melhor safra de dirigentes da história do clube. Em Fortaleza, o técnico coral residia no apartamento 611 do decadente Edifício Jaqueline, no bairro nobre do Meireles. De personalidade forte, entregou o cargo após uma derrota para o Ceará no 3º turno. Depois que alguns dirigentes tentaram demovê-lo da idéia e convencê-lo a ficar, entrou em cena a perspicácia do diretor de futebol Ruy do Ceará: “De jeito nenhum, agora quem não quer sou eu“. Ruy contratou o treinador César Moraes, que 40 dias depois sagrou-se campeão cearense. Urubatão não saiu na foto, mas jamais se pode esquecer sua importância nos 23 jogos que comandou o time naquele campeonato.

Urubatão voltou ao futebol alencarino em 1986 como treinador da seleção cearense, que se preparava para o retorno do campeonato brasileiro de seleções, competição esta que acabou nunca sendo realizada em razão da conhecida desorganização que imperou na CBF durante os anos 80. Morreu em 2010 depois de lutar bravamente contra um tumor no cérebro e outro no pulmão. Uma de suas frases mais conhecidas está registrada nos anais do futebol brasileiro e reproduz bem a personalidade que o caracterizou enquanto ser humano e profissional do futebol: “A história não fala dos covardes“. Não fala mesmo. Se não merecesse, Urubatão não estaria há mais de 30 anos na história do Ferroviário.

ÁUDIO RARÍSSIMO DO TORNEIO QUE O FERRÃO DISPUTOU NO CARIBE

Na primeira semana de junho de 2007, o Ferroviário representou o Brasil na competição Polar UTS Cup, realizada anualmente na cidade de Willemstad, capital das Antilhas Holandesas, que é situada na ilha de Curaçao, uma das mais belas regiões do Caribe. Nesta edição, além do Ferrão, estiveram presentes o Centro Barber, das Antilhas Holandesas, e outras duas equipes europeias, ambas da Holanda: o conhecido Utrecht e o Dordrecht. Foi a primeira e única aventura coral fora do território brasileiro em toda sua história.

Na primeira rodada, o Ferrão eliminou o Barber (2×0) e o Utrecht derrotou o Dordrecht por 2×1. Na grande final, mesmo jogando bem o time coral tomou um gol de Leroy George aos 30 minutos do segundo tempo e ficou com o vice-campeonato. O Utrecht, que na época disputava a Liga Europa, se aproveitou da maior compleição física de seus atletas e ficou com a taça de campeão com 1×0 no placar. O Almanaque do Ferrão inova na curiosidade e resgata abaixo o áudio promocional da competição veiculado na Holanda. Você não precisa entender holandês para compreender o nome ´Ferroviário` na locução.

PRIMEIRA VITÓRIA NA ELITE DO CAMPEONATO BRASILEIRO DE 1983

Os participantes do Campeonato Brasileiro no início da década de 80 eram definidos conforme a classificação dos Estaduais. Como esteve em todas as finais cearenses entre 1979 e 1983, o Ferroviário garantiu participação na elite nacional entre 1980 e 1984, já que duas vagas eram destinadas ao estado do Ceará. Foram anos gloriosos de embates contra Flamengo/RJ, Atlético/MG, Londrina/PR, Sport/PE, Internacional/RS, Ponte Preta/SP, dentre outros grandes clubes do país.

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Em 83, o Ferrão caiu no Grupo H da chamada ´Taça de Ouro` e tinha como concorrentes de chave o Vasco/RJ, Náutico/PE, Cruzeiro/MG e o Treze/PB. Depois de derrotas para os dois primeiros e um empate com a raposa mineira em pleno Mineirão, a primeira vitória coral na competição veio em cima do Treze de Campina Grande, 2×1 há exatos 32 anos, no PV, para um público de 2.371 pagantes. O barbudo Almir, ex-atacante do CSA/AL, marcou os gols corais. Rocha, que chegou a vestir a camisa do Ferroviário em 1990, assinalou o tento do Galo da Borborema.

Acompanhe o vídeo acima com os gols do jogo na narração do indefectível Léo Batista. Era o jogo de número 1.936 da trajetória coral segundo o Almanaque do Ferrão. O Tubarão da Barra jogou com Hélio Show, Laércio, Zé Carlos, Nilo (Dedé) e Luisinho; Augusto, Edson, Ednardo (Flávio) e Betinho; Almir e Jorge Veras. O comando técnico era do preparador físico Wilson Couto, que promovia nesse jogo os jovens zagueiro Dedé e atacante Flávio no time principal. O time paraibano perdeu com Caetano, Gilmar, Jotabê, Hermes e Geraldo; Wilson, Lula e Dedé (Neto); Getúlio (Puma), Rocha e Tatá. Desses, o lateral Gilmar, o zagueiro Hermes, o volante Wilson e os atacantes Getúlio e Rocha, já mencionado, jogaram no Ferroviário em outras temporadas.

HÁ 6 ANOS JARDEL ERA ANUNCIADO DE FORMA INÉDITA NA TELEVISÃO

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Jardel ao lado do narrador Antero Neto em sua apresentação ao vivo na televisão cearense

Jardel foi lançado no time profissional do Ferroviário em 25/8/1990 quando ainda não havia completado 17 anos de idade. Entrou no segundo tempo de uma vitória fácil de 4×0 em cima do Guarani de Juazeiro. No ano seguinte foi negociado com o Vasco/RJ e ganhou o mundo de forma espetacular depois de brilhar no Grêmio/RS. Quase 20 anos depois de seu primeiro jogo com a camisa coral, Jardel voltou ao Ferroviário gerando muita empolgação. De forma completamente inédita no futebol cearense, o marketing do clube promoveu a apresentação do filho pródigo em rede de televisão para todo o estado, ao vivo, no início da transmissão do jogo Icasa 3×4 Ferroviário, em 01 de fevereiro de 2009. Jardel vestiu a camisa coral no ar e anunciou seu retorno ao futebol cearense, convocando o torcedor coral para sua volta triunfal de helicóptero, três dias depois, no Elzir Cabral. No dia seguinte, o assunto era notícia desde os bancos da tradicional Praça do Ferreira até os mais ricos e nobres escritórios e consultórios médicos da cidade.

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Jardel na revista oficial do clube

A noite do dia 4 de fevereiro foi mágica na vida de Jardel e do próprio Ferroviário. Com o Elzir Cabral completamente tomado de torcedores de todas as idades, o ídolo coral desceu de helicóptero antes de uma partida contra o Guarany de Sobral. A ação de marketing completa exatamente 6 anos no dia de hoje e, à época, foi manchete em vários noticiários no Brasil e no mundo, principalmente em Portugal onde Mário Jardel é quase Deus. Depois daquela noite memorável, foram pouco mais de 30 dias de preparação física para estreia contra o Quixadá, quando marcou um dos mais belos gols até hoje vistos na Barra. Confira na emocionante matéria abaixo do retorno de Jardel ao campo da Barra desde a saída do helicóptero na Base Aérea de Fortaleza. Vale a pena relembrar esse momento ímpar na história do Ferroviário que hoje completa aniversário.

DOIS GOLEIROS RECORDISTAS MORREM NA MESMA SEMANA

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Jorge Reis morreu ontem

O goleiro coral Marcelino perseguia o recorde de Jorge Reis em 1973. Não conseguiu, mas bem que tentou. Um ano depois, Neneca triunfou e colocou seu nome nos anais do futebol nacional. Marcelino parou nos 1.295 minutos sem sofrer gols, o que não é pouco, mantendo a terceira melhor marca até 1977, quando Mazzaropi, do Vasco/RJ, suplantou todos com 1.816 minutos. Jorge Reis jogava no Rio Branco/ES e Neneca defendia o Náutico/PE. Nesse começo de 2015, os dois partiram para o time do céu com a diferença de uma semana. Primeiro, Neneca, no final de janeiro. Ontem, Jorge Reis. Foram embora pra sempre, mas sempre também serão lembrados. Mazzaropi mora no Rio Grande do Sul e Marcelino, em Fortaleza, no bairro Papicu.

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Neneca faleceu no final de janeiro

Jorge Reis terá eternamente a marca de 1.604 minutos, o que lhe valeu na época até premiação no programa de TV do Chacrinha. Neneca levou consigo a invencibilidade de 1.636 minutos. Dois grande goleiros, dois nomes que sempre estiveram na mente de Marcelino, um dos arqueiros mais famosos da história do Ferroviário, não só pelo recorde, mas pela longevidade no arco coral durante boa parte da década de 70, o que o levou a ser escolhido no Time dos Sonhos do Ferrão. São marcas históricas no Brasil que dificilmente serão quebradas pelos goleiros da atualidade. Jorge Reis e Neneca, agora lá de cima, continuarão vigilantes como sempre fizeram em suas metas.