FERIADO DA REPÚBLICA TEM CARA DE 7×2 CONTRA O BAHIA

A goleada do Ferroviário em cima do Bahia por 7×2 naquele 15/11/2006 foi talvez uma das cinco vitórias mais consagradoras do percurso coral que já dura 81 anos. Foi um jogo memorável diante de um público pagante de 4434 torcedores, muito bom para os padrões históricos do clube. Era o octagonal final da Série C e 4 equipes conquistariam o acesso para a segunda divisão nacional. Sérgio Alves e Fernandinho só não fizeram chover naquele feriado da república. Por alguns dias, acreditou-se que o Ferroviário conquistaria o acesso tamanha a empolgação gerada pelo humilhante placar.

Apesar de não ter um elenco de muitas opções, a onzena principal tinha sempre uma força coletiva muito forte e contava com alguns jogadores de nível diferenciado, tanto é que parte deles vestiu depois as camisas de clubes mais badalados como Santa Cruz, Cruzeiro, Fluminense e São Paulo. A prova das poucas opções no elenco mostram o ótimo volante Marcelo Mendes improvisado na zaga ao lado do jovem Carlinhos, que sequer era titular. Nemézio e Tiago Gasparetto, este em grande forma, jogaram a maioria das partidas da Série C.

O fato é que o jogo 3186 da gloriosa história do Ferrão é aquele tipo de evento que daqui a 50 anos os torcedores presentes continuarão dizendo: “eu estava lá“. É o tipo de vitória que pai conta pro filho e jamais o futebol cearense esquecerá. Foi um troco na mesma moeda dado ao tricolor baiano, que em 1939 havia enfiado 7×3 no Ferrão. Em meio a tantas crises financeiras e técnicas nos últimos 17 anos, desde a saída do presidente bicampeão Clóvis Dias, os 7×2 contra o Bahia em 2006 representaram um verdadeiro oásis no deserto da caminhada coral, uma grande exceção à regra, junto com uma bela campanha no campeonato brasileiro que poderia ter mudado todos os fracassos que se sucederam depois, caso o acesso tivesse sido concretizado.

Uma olhadinha no Almanaque do Ferrão e vemos que os corais formaram com Jéfferson, Marcos Pimentel, Carlinhos, Marcelo Mendes e Júnior Cearense; Glaydstone (Robinho), Dedé e Everton (Diego); Stênio, Sérgio Alves (Claudeci) e Fernandinho. O Bahia foi humilhado para sempre com Darci, Luciano Baiano, Pereira, Laerte (Rodrigão) e Peris; Salvino (Charles), Leandro Leite, Rodriguinho e André Pastor; Ednei (Isac) e Sorato. Os gols corais foram de Sérgio Alves (3), Júnior Cearense, Everton, Fernandinho e Marcos Pimentel. O ex-vascaíno Sorato e Luciano Baiano descontaram para o adversário. Vale a pena recordar os gols do Ferrão no vídeo abaixo cheio de bom humor.

GOLEADA CORAL CONTRA O AMÉRICA COM SHOW DO ÍDOLO LUIZINHO

Hoje comemora-se o aniversário de nascimento de Luizinho das Arábias, um dos maiores goleadores do Tubarão da Barra. Conforme prometido na semana passada, o Almanaque do Ferrão traz hoje imagens raras de uma vitória do time coral por 5×1 pelo campeonato cearense de 1988, partida na qual o aniversariante do dia marcou 3 gols contra o América e brilhou com grande apresentação. Os outros gols foram assinalados pelo ponta esquerda Beto Andrade, cearense de Morada Nova, e pelo meia pernambucano Denô. Ao final dos melhores momentos, confira também uma saudosa entrevista de vestiário do grande artilheiro.

Se vivo fosse, Luizinho completaria hoje 57 anos de idade. Depois de brilhar pelo Ferrão em 85 e 86, o goleador coral voltou ao clube em fevereiro de 88, mas disputou apenas 7 partidas durante o 1° turno da competição e foi liberado para atuar no Pará, onde faleceu no ano seguinte. No dia seguinte ao anúncio de sua morte, houve um clássico contra o Ceará no PV e a torcida do Ferroviário gritou o nome de seu ídolo a plenos pulmões durante o ´minuto de silêncio` dado pelo árbitro Luis Vieira Vila Nova. Luizinho para sempre.

Esse post é dedicado especialmente a Jackson Sala, biógrafo de Luizinho das Arábias, e a Vânia Duarte dos Santos, irmã do eterno artilheiro coral. Ambos moram no Rio de Janeiro.

FINAL DA COPA DO BRASIL REMETE A GOL DE JACINTO PELO CRUZEIRO

Atlético e Cruzeiro fazem uma autêntica final mineira na Copa do Brasil hoje à noite. A cobertura da mídia recai nos últimos dias exatamente nesse grande jogo. Nas resenhas esportivas, o que mais se ouve é a lembrança de grandes partidas entre ambos, confrontos que estabeleceram uma das maiores rivalidades do futebol brasileiro. Em entrevista ao canal ESPN Brasil, o ex-cruzeirense Nelinho, lateral da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1978, foi enfático: “lembro de um jogo memorável em que o Jacinto, um cearense que o Cruzeiro contratou, fez um golaço e deu a vitória pro nosso time“. Isso mesmo, Jacinto, cria do Ferrão, em ação pelo time alvianil em 1981, mais precisamente no dia 11 de outubro, segundo o Almanaque do Cruzeiro, de Henrique Ribeiro, numa vitória histórica contra o Atlético Mineiro até hoje lembrada.

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Imagem da página 294 da primeira edição do Almanaque do Cruzeiro lançado em 2007

Jacinto foi um dos jogadores mais talentosos surgidos na Barra. Ele foi lançado no time profissional pela primeira vez em 1976 pelo treinador Lucídio Pontes. Foram ao todo 283 partidas com a camisa do Ferroviário, fato este que o credencia como o décimo jogador que mais vezes vestiu o manto coral entre quase 2 mil atletas que tiveram essa honra. Depois de ser campeão cearense em 79 e fazer dois bons campeonatos nacionais, em 80 e 81, a cria coral chamou atenção do Cruzeiro e teve seu passe comprado pela equipe mineira, que além de dinheiro, cedeu o ponta esquerda Paulinho como parte da negociação. Depois de rodar em outras equipes, Jacinto voltou ao Ferrão em 88 e foi novamente campeão, fazendo seu último jogo no Tubarão da Barra no final de 90.

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Jacinto em seus dias de glória pelo Ferrão

A passagem de Jacinto pelo Cruzeiro foi marcada por esse gol até hoje lembrado em Minas Gerais, como bem recordou o ex-companheiro Nelinho, cujo reserva eventual, o lateral Carioca, titular na vitória contra o Atlético entre os vários suplentes em campo, chegou a vestir a camisa do Ferroviário dois anos depois. Na equipe mineira, Jacinto teve a sorte de trabalhar com o lendário Didi, o homem da folha seca que brilhou na seleção brasileira, pai de Bibi, ex-companheiro de Jacinto no próprio Ferroviário. São apenas algumas das várias curiosidades que fazem o futebol, razão pela qual dificilmente o ex-jogador cearense deixará de torcer por seu ex-clube mineiro nas finais da Copa do Brasil que começam a partir de hoje.

MAZINHO LOYOLA E ROBÉRIO FORAM DESTAQUE NA TELEVISÃO

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Ex-corais recepcionados pelo ex-atleta e hoje comentarista Bechara no Debate Bola

É sempre uma grande satisfação para a torcida coral reencontrar ex-atletas vitoriosos na história do clube. Quem assistiu o ´Debate Bola` na TV Diário, no último dia 9, conseguiu rever dois deles: Mazinho Loyola e Robério. Ambos compareceram ao programa para divulgar um projeto do Goiás/GO pelo qual trabalham em Fortaleza.

De acordo com dados do Almanaque do Ferrão, Mazinho Loyola disputou 55 partidas pelo time profissional e marcou 16 gols. Por sua vez, Robério fez 43 gols em 72 jogos. O primeiro foi titular no título estadual de 1988 e o segundo era o centroavante do histórico bicampeonato em 1995. “Nós dois conseguimos algo muito difícil que é ser campeão pelo Ferroviário“, disse Robério durante o programa, que também vestiu a camisa do Goiás/GO enquanto atleta.

Mazinho Loyola esteve presente no lançamento do Almanaque do Ferrão no ano passado e distribuiu simpatia tirando fotos com todos os torcedores presentes. Ele encerrou a carreira há exatos 10 anos vestindo a camisa do próprio Ferroviário, na época comandado pelo treinador Marcelo Veiga, seu ex-companheiro de equipe em 1988. Além de muitos gols do ex-atacante Robério, o arquivo do Almanaque do Ferrão tem vários lances de Mazinho Loyola com a camisa coral. Em breve, por aqui.

QUEM CRIA UMA PAIXÃO VIVE PARA SEMPRE NO CORAÇÃO

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Valdemar Cabral Caracas ~ 09/11/1907 – 14/01/2013

Não há como deixar passar um 9 de novembro em branco simplesmente porque ele não está mais de corpo presente. Impossível não lembrar de todos os anos que ele esteve lado a lado do time que fundou com os operários da estrada de ferro, época em que  o Ferroviário era verdadeiramente o Ferroviário que todo futebol cearense se acostumou a aplaudir. Algo ficou estranho depois daquele janeiro de 2013 quando ele resolveu partir. Ficaram as muitas lembranças de uma longa vida. O tempo que passa transforma saudade em sorriso e quando a família coral lembra de Valdemar Caracas, parece que nada mudou. É como se ele estivesse ainda na sua cadeira de balanço desferindo críticas implacáveis e palavras ferinas, mas nunca sem perder a doçura de uma figura essencialmente simpática e amável.

Quando Caracas partiu, uma parte da história do Ferroviário foi com ele. Sem dúvida, as páginas mais bonitas, já que traziam em si as memórias de um tempo amador, quase infantil, quando o futebol ainda andava de trem. Porém, mesmo na fase adulta da agremiação, estava lá o seu tutor, o pai, a mãe e a babá, como ele mesmo gostava de se autodefinir, doutrinando e escolhendo os rumos a seguir. Que Valdemar Caracas interceda e ilumine a trajetória do Ferroviário de onde estiver, não somente a cada 9 de novembro, mas sempre que o clube se mostrar sem paradeiro, como se ele em vida ainda estivesse. Porque quem cria uma paixão vive para sempre no coração. Feliz aniversário, Caracol!

LUIZINHO DAS ARÁBIAS VOLTANDO PARA SER CAMPEÃO NO FERRÃO

Luiz Alberto Duarte dos Santos faria mais um aniversário no dia 13 de novembro. Sua vida foi interrompida em maio de 89, aos 31 anos de idade, quando jogava no Remo/PA. No futebol cearense, o jogador conseguiu ser ídolo de duas torcidas. Depois de brilhar no Fortaleza em 83, foi anunciado como grande contratação do Ferrão em 85. Foi artilheiro. Depois de passagens pelo futebol paulista, paraense e carioca, retornou a Barra do Ceará em 88 para uma breve e última temporada. Em sua chegada, falou que voltava para ser campeão. E foi. O Almanaque do Ferrão recupera esse momento na história e recorda o vídeo que marcou o retorno de ´Luizinho das Arábias` pela última vez ao Ferroviário.

Luizinho

Biografia de um ídolo

Em 2013, o escritor carioca Jackson Sala lançou a biografia do ex-ídolo coral. Com o título ´Sai o Rei, entra Luizinho`, o autor narra toda vitoriosa trajetória do ex-jogador por clubes como Flamengo/RJ, Botafogo/RJ, Paisandu/PA, dentre outros, reconstituindo inclusive com detalhes seus últimos momentos de vida. Foram ao todo 75 jogos e 54 gols com a camisa coral, o suficiente para garantir a condição de ídolo eterno do clube. No próximo dia 13, a homenagem será completa com a recuperação dos melhores momentos de uma partida na qual Luizinho deixou sua marca três vezes e ajudou o Ferrão a conquistar mais uma vitória. É só aguardar.

ÁUDIO RARO DO VESTIÁRIO CORAL APÓS CONQUISTA DE TURNO

1985

Só Deus podia tirar o título do Ferroviário em 1985, mas as arbitragens falaram mais alto

Um dos melhores times que o Ferroviário teve foi formado em 1985. A onzena principal atuava geralmente com Serginho, Laércio, Arimatéia, Léo e Vassil; Alex, Denô e Arnaldo; Cardosinho, Luizinho das Arábias e Foguinho. A confiança no grupo levava o presidente Caetano Bayma a repetir em suas entrevistas um bordão que marcou aquela temporada: “Só Deus tira o campeonato do Ferroviário“. O grande Pajé não contava com os erros de arbitragem na reta final. Estes sim fizeram com que aquele time não fosse campeão. Tudo, menos coisa de Deus.

O querido supervisor Chicão, falecido em fevereiro desse ano, confidenciou algumas vezes que os jogadores desse elenco gostavam de uma boa noitada regada à cerveja bem gelada. Coisas do futebol daquela época, incompatíveis com o profissionalismo de hoje. Chicão falava sempre com carinho e saudade do grupo montado por Caetano Bayma, que venceu o 2° turno do Estadual em cima do Fortaleza de forma categórica e depois foi escandalosamente prejudicado na decisão do 3° turno contra o mesmo adversário quando Luizinho das Arábias teve um gol lícito anulado. Coisa pra nunca mais esquecer.

O Almanaque do Ferrão recupera abaixo um áudio raro de 29 anos atrás. A gravação foi feita no vestiário coral logo após a conquista do 2° turno. São mais de 5 minutos de entrevistas comandadas pelo então setorista Ivan Bezerra, hoje no Diário do Nordeste, que trabalhava na Rádio Uirapuru. Recorde na sequência dos entrevistados o treinador Zé Mário, o diretor Múcio Roberto, o lateral Laércio, o ponta Cardosinho, o zagueiro Léo, o preparador físico Othon Borges, o meia Denô e o lateral Válter. Coisas que o tempo não apaga e você confere só aqui.