WIKIPÉDIA CREDITA TÍTULO QUE SIMPLESMENTE NUNCA OCORREU

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Print da tela do Wikipedia que erroneamente fala de uma pseudo Taça Nordeste em 1971

A inteligência coletiva tem seus riscos. É só procurar dados sobre os mais diversos temas na Wikipédia e encontraremos algumas inconsistências que acabam passando como verdade. É o caso do pseudo vice-campeonato do Nordeste, em 1971, creditado ao Ferrão. Na realidade, essa competição sequer existiu. Curioso é que o “campeão” Itabaiana/SE pleiteia junto à CBF a oficialização do título. Coisa pra inglês ver.

1971 foi o ano do primeiro campeonato nacional integrado organizado pela antiga CBD, que tinha em suas hostes gente ligada a Arena, partido político que dava sustentação à ditadura militar. Dono da maior torcida, o Ceará foi o indicado pela Federação como o único representante cearense na nova competição. Uma espécie de segunda divisão regionalizada, a Série B, foi criada com times separados basicamente em três grandes regiões: nordeste, norte e sul/sudeste, obedecendo o contexto de nacionalização que o governo militar exigia do futebol.

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Lucídio Pontes e Borba Filho recebem o grupo de jogadores do Ferroviário na temporada de 1971

Após enfrentar Calouros, Fortaleza e Guarany de Sobral numa seletiva, o Ferrão ganhou o direito de disputar a Série B do campeonato nacional. Pelo regulamento da competição, somente o primeiro lugar pegaria o representante da região norte num mata-mata. O Itabaiana/SE conseguiu esse direito. O Ferrão ficou em 2° lugar. Por muito pouco o time coral não passou para o confronto eliminatório com o Remo/PA, classificado na região norte. Num jogo em Aracaju que o Ferrão teve um gol lícito anulado e Coca-Cola ainda perdeu um pênalti, o Itabaiana segurou o empate em 1×1 e seguiu adiante.

Depois de passar pelo Itabaiana/SE, o Remo/PA enfrentou o vencedor da chave do sul/sudeste, o Villa Nova/MG, sendo o clube mineiro o primeiro campeão da Série B do campeonato brasileiro. Sob o comando do treinador Borba Filho e do então fisicultor Lucídio Pontes (ambos em pé na foto acima), o Ferrão terminou em 6° lugar no cômputo geral, em meio a 23 equipes, o que não deixa de ser uma boa colocação em se tratando da estreia coral na competição que até hoje é a mais importante do calendário brasileiro.

PRIMEIRA ENTREVISTA DE MARCELO VEIGA NO FERROVIÁRIO


O ex-lateral esquerdo Marcelo Veiga completou 50 anos de idade no último dia 7. Além de ter marcado o gol do título de 1988, o aniversariante do mês é um dos maiores ídolos da história do Ferroviário, não apenas pelo gol importante na final, mas pela garra, liderança e habilidade demonstradas em 79 partidas com a camisa coral, que o fizeram uma espécie de xodó da torcida naquele período.

O que pouca gente sabe é que por muito pouco Marcelo Veiga quase vestia a camisa do Ceará, antes de vir para o Ferroviário. O diretor de futebol alvinegro na época, Sérgio Fonteles, queria o jogador que pertencia ao Santo André/SP. O titular da posição, Agnaldo, já tinha acertado tudo com o Ferroviário, mas sofreu um acidente de moto às vésperas da viagem. A direção do clube paulista entrou em acordo com o Ferrão e enviou Marcelo Veiga para o lugar de Agnaldo. O Ceará teve que se contentar em ficar chupando o dedo.

O futebol é engraçado, pois quem não vinha acabou vindo e escreveu seu nome na história definitiva do Ferroviário. Ao dar sua primeira entrevista na televisão, logo após um amistoso contra o Barcelona da Liga do Quintino Cunha, em janeiro de 1988, quem poderia imaginar que aquele paulistano de 22 anos se tornaria tão essencial naquela memorável conquista? O Almanaque do Ferrão vai no fundo do baú e resgata esse momento da TV cearense, aproveitando para mandar os parabéns para o aniversariante Marcelo Veiga.

CAMPEÕES INVICTOS DE 68 TÊM REENCONTRO INESPERADO

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Quando o interfone tocou no apartamento do ex-zagueiro Luiz Paes, ele jamais esperava a visita do passado naquela tarde de quinta-feira. Era agosto desse ano, dia 21. Pelo interfone, o porteiro anunciou o visitante: “É o Cavalheiro que está aqui embaixo”. Depois de 45 anos, dois ex-companheiros corais se reencontravam de forma emocionante e totalmente inesperada. Em meio ao forte abraço, Cavalheiro exclamava repetidas vezes: “meu zagueiro, meu zagueiro”.

Depois que foi embora do Ferroviário em 69, o gaúcho Cavalheiro nunca mais havia visto os campeões invictos do ano anterior. Em 2014, resolveu passear e reencontrar um pouco do seu passado. A passagem por Fortaleza foi breve, mas o suficiente para reencontrar 5 ex-atletas da sua época, graças ao ex-lateral Barbosa, que cuidou de ligar pra um e pra outro em caráter de urgência. No dia seguinte, o reencontro numa churrascaria de Fortaleza envolveu até familiares. Em meio a troca de presentes, mais abraços e fortes emoções.

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Mano, Luiz Paes, Edmar, Barbosa, Cavalheiro e Raimundinho juntos depois de tanto tempo

Todos receberam o Almanaque do Ferrão com o registro da história que cada um escreveu no clube. Na foto acima, da esquerda para direita: Mano, Luiz Paes, Edmar, Barbosa, Cavalheiro e Raimundinho. O tempo foi curto demais para reunir mais ex-companheiros. No dia seguinte, Cavalheiro foi embora, levando novamente a saudade. Ficou de não demorar mais tanto tempo pra voltar e reunir um número maior de amigos da próxima vez, aqueles que escreveram uma das mais belas páginas da história do Ferroviário, o título de campeão invicto de 1968, os colegas heróis, como bem registrou Barbosa por escrito na dedicatória que Cavalheiro jamais vai esquecer.

ÚLTIMA VEZ NA COPA DO BRASIL FOI CONTRA O CORINTHIANS/SP

Primeiro clube cearense a participar de uma edição da Copa do Brasil no longínquo ano de 1989, já faz mais de uma década que o Ferroviário teve sua última participação na competição. Depois de passar pelo América/RN na primeira fase, o time coral enfrentou o Corinthians/SP nas disputas de 2004.

Apesar da derrota por 2×0 no antigo Castelão, resultado que dispensou a necessidade do jogo da volta na capital paulista, a torcida do Ferroviário fez uma bela festa e compareceu em número de 9.857 presentes. Wilson e Jô – reserva de Fred na última Copa do Mundo – marcaram para o Corinthians. Recorde os lances no vídeo acima. A partida foi transmitida ao vivo para todo o país.

Apesar da alegria de disputar a Copa do Brasil naquela oportunidade, o Ferroviário vinha aos troncos e barrancos, vivendo o conflito de lutar contra o rebaixamento no Campeonato Cearense, quando apenas conseguiu fugir da degola no último jogo do Estadual, cerca de 30 dias após a eliminação na Copa do Brasil.

Comandado pelo ex-goleiro Palmiéri, o time coral perdeu para o Timão com o futebol de Aderson, Cláudio, Cícero César e Carlinhos;  Arildo, Glaydstone, Júnior Cearense, Pastor (Clemílson) e Marcelo; Maurício Pantera (Rosivaldo) e Stênio (Gil Bala). O Corinthians venceu com Rubinho, Rogério, Anderson, Váldson e Vinícius (Moreno); Fabinho, Fabrício, Rincón e Gil;  Bobô (Wilson) e Jô (Pingo).

O primeiro tempo do Ferroviário foi primoroso naquela oportunidade. Chances de gols não faltaram. No intervalo da partida, animados com a boa atuação e o 0x0 no placar, tinha torcedor no Castelão combinando a viagem a São Paulo para o segundo jogo. Na etapa complementar, Palmiéri mudou mal a equipe e o ritmo caiu vertiginosamente de produção. O Tubarão voltou a sua difícil realidade de 2004. O Corinthians se aproveitou e achou a vitória.

QUEBRADO TABU DE 13 ANOS SEM VITÓRIAS NO JUNCO EM SOBRAL

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Recentemente o Ferroviário quebrou um tabu de 13 anos sem vencer o Guarany na cidade de Sobral. O feito pode e deve ser comemorado, afinal foram várias partidas no período. Coube ao grupo que disputa a Taça Fares Lopes quebrar a castanha do cacique do vale dentro de seu terreiro. A vitória veio finalmente em 28/9/14. Por coincidência, a última vitória havia sido praticamente na mesma data: 29/9/01.

Assim como hoje, o time de 2001 não gozava de muito prestígio junto à torcida e atravessava problemas financeiros, mas cumpria uma campanha digna no Brasileiro da Série C sob o comando de William Braga na presidência coral, que fazia das tripas coração para manter o clube em bom nível de competitividade.

Naquela vitória no Estádio do Junco, destaque para o artilheiro Rogério Carioca, que marcou o gol do triunfo do Ferrão. Ninguém jamais poderia imaginar que demoraria tanto tempo para uma nova vitória na querida Princesa do Norte. Por longos 13 anos, o último time que havia conquistado esse feito formou com Zezinho, Roberto Carlos, Marcos Aurélio, Lopes e Naílton; Dino, Édio, César Baiano (Cipó) e Zé Carlos; Rogério Carioca e Kélson (Guedinho). O técnico era o falecido José Oliveira.

INFORMAÇÃO QUE BRINCA COM PALMEIRENSES É MENTIRA

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Ninguém duvida da capacidade da Internet de transmitir inverdades e boatos. Na era da inteligência coletiva e da famosa tendência de crowdsourcing, é bastante comum a veiculação de conteúdo que invariavelmente necessita de maior avaliação da veracidade dos fatos.

Recentemente o glorioso Palmeiras tomou de 6 do Goiás pelo Campeonato Brasileiro. Em questão de minutos, começou a circular na Web uma imagem feita exclusivamente em tom de gozação aos palmeirenses. Nela, o escudo de todos os adversários que já realizaram o feito de enfiar meia dúzia de gols no clube paulista. Entre eles, o do Ferroviário. Fake total no final das contas.

Palmeiras e Ferroviário nunca se enfrentaram na história. Apenas seis equipes paulistas jogaram contra o Tubarão da Barra: o extinto Arara, Barueri, Corinthians, Ponte Preta, São Paulo e Santos. Foram 17 jogos no total contra eles, sendo que Santos (6 jogos) e São Paulo (5 jogos) são os adversários que mais se repetiram. A mentira do Palmeiras é mais uma invenção dos gênios que manipulam o conteúdo na Internet em nome de seus interesses e, por vezes, da própria incompetência em buscar a verdade. Se você preza pela informação real, cuidado com o que circula por ai.

ALMANAQUE DO FERRÃO ADERE À MODERNIDADE DAS MÍDIAS DIGITAIS

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Versão impressa do Almanaque do Ferrão foi lançada em junho de 2013 no Náutico

Em alusão à comemoração do seu aniversário de 80 anos, o Ferroviário Atlético Clube passou a ser o primeiro e único time do futebol cearense a possuir oficialmente uma publicação trazendo toda a compilação de sua gloriosa história. O Almanaque do Ferrão, lançado em 25 de junho de 2013, traz a ficha técnica de todos os 3.449 jogos oficiais e amistosos disputados até então, além de informações dos 1.956 jogadores que vestiram a camisa coral, dezenas de fotos históricas, médias anuais de público, resumo das campanhas vitoriosas, dentre outras curiosidades relativas aos treinadores e presidentes, distribuídas no total de 596 páginas.

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Ex-dirigentes, ex-jogadores e membros da crônica esportiva prestigiaram o evento

Prestigiado por ex-presidentes, cronistas esportivos, torcedores, desportistas locais, pesquisadores e atletas lendários do próprio Ferroviário, como Pacoti, Facó, Mazinho Loyola, dentre outros, o evento de lançamento da obra ocorreu no salão nobre do Náutico Atlético Cearense. A publicação foi um resultado de mais de vinte anos de pesquisas de resgate histórico coordenadas pelo autor Evandro Ferreira Gomes.Coube ao famoso jornalista paulista Celso Unzelte, da ESPN Brasil, escrever o prefácio do Almanaque do Ferrão. Precursor desse modelo de publicação no país, tendo editado anteriormente o “Almanaque do Corinthians” e o “Almanaque do Palmeiras”, Celso preparou um belo texto para introduzir a definitiva obra coral, que é motivo de orgulho para todos os desportistas do estado do Ceará e despertou o interesse dos torcedores do Ferroviário espalhados pelo Brasil afora.

Mais de um ano depois de lançada sua versão impressa, o Almanaque do Ferrão adere à modernidade das mídias digitais e ganha uma versão eletrônica em formato de blog para postagens periódicas, que irão destacar fatos, efemérides, estatísticas, ex-jogadores, fotos e vídeos raros que o tempo jamais será capaz de apagar, além de disponibilizar para venda a versão física da publicação, que assim fica acessível também para os amantes do futebol que acompanham esse trabalho através da Internet.